O editorial do principal jornal israelense, o Haaretz, desta segunda-feira (9) não poupou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o responsabiliza pelo “desastre que se abateu sobre Israel no feriado de Simchat Torá”, quando o Hamas coordenou uma série de ataques a Israel.
Conforme dados oficiais, são mais de 1 mil mortos entre os israelenses e 830 entre os palestinos. Dados divulgados pela ONU apontam que a operação de resposta de Israel já atingiu 5,3 mil prédios, gerou 187 mil deslocados e deixou 610 mil palestinos sem água potável.
Para o Haaretz, o primeiro-ministro – “que se orgulha da sua vasta experiência política e da sua sabedoria insubstituível em questões de segurança” – falhou completamente na identificação dos perigos para os quais conduzia conscientemente Israel ao estabelecer um governo de anexação e expropriação.
O editorial ataca a nomeação de Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir, ultranacionalistas com histórico de xenofobia e racismo, a posições-chave no governo, “ao mesmo tempo que adotava uma política externa que ignorava abertamente a existência e os direitos dos palestinos”.
Após a sua vitória nas últimas eleições, aponta o Haaretz, Netanyahu adotou medidas para anexar a Cisjordânia e levar a cabo a limpeza étnica em partes da Área C definida pelo Acordo de Oslo, incluindo as colinas de Hebron e o vale do Jordão.
“Isto também incluiu uma expansão massiva dos colonos e o reforço da presença judaica no Monte do Templo, perto da Mesquita de Al-Aqsa, bem como o anúncio de um acordo de paz iminente com os sauditas, no qual os palestinos não receberiam nada, com conversas abertas sobre uma “segunda Nakba” na sua coligação governamental”, escreveu o editorial.
“Mão pesada do ocupante israelense”
Como esperado, aponta o editorial, os sinais de uma eclosão de hostilidades começaram na Cisjordânia, onde os palestinos começaram a sentir a mão mais pesada do ocupante israelense. Com isso, o Hamas aproveitou a oportunidade para lançar o seu ataque surpresa no sábado.
“Acima de tudo, o perigo que paira sobre Israel nos últimos anos foi plenamente compreendido. Um primeiro-ministro indiciado em três casos de corrupção não pode cuidar dos assuntos de Estado, pois os interesses nacionais estarão necessariamente subordinados a libertá-lo de uma possível condenação e pena de prisão”, ataca.
Para o jornal, essa foi a razão para o estabelecimento da “horrível coligação e do golpe judicial promovido por Netanyahu”, e para o enfraquecimento dos altos funcionários do exército e dos serviços de informação, que eram vistos como opositores políticos. “O preço foi pago pelas vítimas da invasão no Neguev Ocidental”, concluiu.
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