5 de junho de 2026

Lucro pequeno da Petrobras não reflete situação da companhia

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Enviado por Alfeu

Da Deutsche Welle

Por que o lucro pequeno da Petrobras engana?

Petrolífera divulga ganho líquido de apenas 531 milhões de reais e frustra previsões do mercado. Mas resultado operacional do segundo trimestre é até melhor que o de 2014. Analista vê início de recuperação.

A Petrobras divulgou nesta quinta-feira (07/08) que teve um lucro líquido de 531 milhões de reais no segundo trimestre de 2015. O valor contrasta fortemente com o ganho do trimestre anterior, de 5,33 bilhões de reais, ou com o resultado do segundo trimestre de 2014, de 4,96 bilhões de reais.

O lucro pequeno surpreendeu os analistas de mercado, que esperavam um valor em torno de 4 bilhões de reais, e deixa a pergunta: como explicar essa diferença tão gritante entre expectativa e realidade? “Esse relatório é um tanto ‘sujo’, há várias coisinhas não recorrentes que aparecem o tempo todo”, explica o analista Daniel Marques, da Gradual Investimentos.

Os fatores não recorrentes são uma despesa tributária de IOF com a Receita Federal no valor de 4,4 bilhões de reais e uma baixa no valor de ativos [impairment, no jargão financeiro] de 1,3 bilhão de reais. A inclusão desses fatores no balanço reduziu drasticamente o lucro líquido trimestral. Sem eles, ele até passaria dos 4 bilhões de reais esperados pelos analistas.

Resultado obscurecido

“Ninguém no mercado acertou o resultado do balanço porque ninguém esperava valores deimpairment e IOF dessa magnitude”, resume Marques. Ou, como diz Walter de Vitto, da Tendências Consultoria, o pagamento de IOF e o impairment obscureceram o resultado final e dão a impressão de que ele é uma desgraça. “Mas não, ele é razoavelmente positivo.”

Deixando de lado esses fatores, o resultado operacional do segundo trimestre de 2015 é até melhor do que o do segundo trimestre de 2014. Isso é visível sobretudo no lucro operacional, que cresceu 7%, para 9,5 bilhões de reais. Já a geração de caixa [Ebidta, no jargão financeiro, ou seja, o lucro antes de se pagar impostos e juros e sem descontar as depreciações] subiu 21,7%, para 19,8 bilhões de reais. O lucro operacional do primeiro semestre de 2015 é 39% superior ao dos primeiros seis meses de 2014.

“Se você olhar o resultado operacional, ele na verdade melhorou. Ou seja, o resultado daquilo que a Petrobras produz e vende menos os custos melhorou”, afirma Vitto. Para ele, é possível ver o início de um processo de recuperação da empresa. “O fato de o lucro líquido ter sido muito baixo maquia os primeiros resultados dessas medidas que estão sendo tomadas”, diz. Entre as medidas está o realinhamento de preços dos combustíveis, que aos poucos deixam de ser subsidiados pelo governo.

Endividamento segue maior problema

Apesar dos sinais positivos, há um problema que segue sem solução: o pesado endividamento da petrolífera. A dívida da Petrobras soma 415 bilhões de reais. A maior parte desse valor – cerca de 305 bilhões – está em dólar e, portanto, sujeita às variações de câmbio.

Analistas de mercado são unânimes em afirmar que não há solução de curto prazo para esse problema. A dívida é, em parte, resultado de um plano de investimentos para elevar a produção de petróleo e que se mostrou ambicioso demais. Além disso, a empresa arcou por muito tempo com os prejuízos causados pela política de controle de preços de combustíveis do governo. O objetivo desse controle era impedir o aumento da inflação.

A solução, agora, passa por cortar investimentos. A Petrobras chegou a responder por 10% de todos os investimentos feitos no país. “É um percentual brutal, que estrangulou a empresa”, avalia Vitto. “O importante agora é priorizar os investimentos rentáveis e abandonar os não rentáveis.” Outra medida para reduzir a dívida é a geração de caixa, que pode ser alcançada também com a venda de ativos ou a com planejada abertura de capital da BR Distribuidora.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. jc.pompeu

    9 de agosto de 2015 3:03 pm

    TÁ TUDO DOMINADO!

    TÁ TUDO DOMINADO!

    flagrante operante dedo de Goebbels João Santana na performance o CEO é o limite da mistificação para se contar vantagens do TAMANHO da coisa…

    uma chamada de lucro pequeno da Petrobras não reflete… o TAMANHO da coisa mostrada no gesto – medidor fálico de performance – das mãos do amigo do peito da Valdirene…

  2. Nicolas Crabbé

    9 de agosto de 2015 3:10 pm

    EBITDA em alta de 20% é um

    EBITDA em alta de 20% é um fato bem positivo, pois significa que a geração de caixa proveniente da operação da empresa cresceu. Impairment é uma baixa contábil, que não afeta o caixa (este é afetado na hora da compra do ativo, não na hora da baixa ou da redução do valor dele nos livros da empresa). Porém o IOF, apesar de não entrar no cálculo do EBITDA, impacta diretamente o caixa também. Seria importante saber qual é o motivo desse IOF tão alto, para entender se se trata de um impacto de uma única vez ou se isso pode se repetir nos próximos meses.

    Porém o problema do endividamento excessivo, especialmente em dólar, num cenário de desvalorização cambial, pode seriamente comprometer a lquidez da empresa. Com desvalorização de mais de 20% do dólar desde o início do ano, tanto a dívida quanto os juros a pagar aumentaram na mesma proporção. Isso com certeza é outro fator que pesou negativamente sobre o resultado final da empresa.

    1. Athos

      9 de agosto de 2015 3:37 pm

      Não existe este pgto se
      Não existe este pgto se IOF.
      Se fosse alguma situação prevista, estaria descrito em notas explicativas.

      Como não há notas, então o Governo pediu SOCORRO.
      Utilizaram alguma divergência que está na justiça para fazer o pgto.
      Mas sem nota, ainda é “fraude”.

      1. João Maurício Pimentel

        9 de agosto de 2015 4:14 pm

        IOF

        Houve, Athos.

        Mas uma explicação que……sei lá!

        Não quero criticar o governo da Dilma (100 X melhor que um do PSDB), hoje!

        1. Athos

          10 de agosto de 2015 1:22 pm

          Nota explicativa é uma
          Nota explicativa é uma OBRIGAÇÃO contábil.

          Explicação a imprensa e a vc é outra história.

  3. Jose Rinaldo

    9 de agosto de 2015 4:03 pm

    O que importa é o lucro operacional – sem os impostos e desp.fin

    O que importa é o Lucro Operacional, antes dos impostos e despesas financeiras.

  4. Ulisses s

    9 de agosto de 2015 4:52 pm

    As dívidas da Petrobras são de longo prazo

    E ao contrario de governos tucanos, a Petrobrás não vendeu nada. Tem até refinaria nos EUA dando lucro. Mas o escândalo Repsol está aí, intalado na garganta dos brasileiros honestos, aguardando um procurador que não seja chapa branca tucano para investigar o maior rombo da Petrobras .  

  5. J. Alberto

    9 de agosto de 2015 9:58 pm

    Não importa. O que importa é

    Não importa. O que importa é que os jornalões poderão colocar na manchete “Lucro da Petrobras cai 90% em três meses” e quem diz que “foi um resultado razoavelmente positivo” vai comprar na baixa.

  6. Sta. Catarina

    9 de agosto de 2015 11:40 pm

    Petrobrás

    Tenho a opinião de que a indicação do Bendini para a presidência da Petrobrás foi acertada. Ele certamente saberá levar a estatal a uma situação de liquidez, investimentos e queda do endividamento de uma forma transparence e idônea.

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