5 de junho de 2026

Os impactos da queda do preço do petróleo no mercado de gás natural

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Do Blog Infopetro

Por Marcelo Colomer

Em 2014, o preço do Brent passou de US$ 108 por barril em janeiro para US$ 57 em dezembro. O desaquecimento da demanda mundial, a elevação da produção de óleo não convencional nos EUA, a ausência de rupturas na oferta global e a decisão dos países membros da OPEP em manter elevado os níveis de produção podem ser entendidos como as principais causas para a queda abrupta de 50% no preço do Petróleo.

Figura 1 – Evolução do Preço do Petróleo (Brent)

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Fonte: EIAa, 2015

Ao longo de 2014, as projeções de crescimento da economia mundial para o biênio 2014/15 foram reduzidas de 3,5% para 3,0% ao ano (EIA, 2014). Com a redução das expectativas de crescimento econômico, reduziu-se também as estimativas de crescimento da demanda global por petróleo. Nesse sentido, a redução das taxas de crescimento econômico de países como China, Brasil e Índia durante o segundo e terceiro trimestre de 2014 afetaram não somente o preço futuro da energia como também os preços de todas as commodities.

Outro fator que contribuiu para o movimento de queda do preço do barril foi a redução das rupturas na produção global. Em junho de 2014, o petróleo atingiu o seu pico de preço no ano em função dos temores de redução da produção iraquiana decorrente dos conflitos armados, em especial na região sul do país. No entanto, o que se verificou de fato na segunda metade de 2014 foi um aumento da produção do oriente médio decorrente do aumento da produção iraquiana e de outros países da região.

Ademais, o crescimento da produção de petróleo acima do esperado na Líbia e nos EUA pressionou para baixo o preço do barril a partir da segunda metade de 2014. Nos EUA, a produção de petróleo em outubro daquele ano atingiu o montante de 9 milhões de barris por dia superando as estimativas de crescimento feitas no início de 2014 (EIAa, 2015). Como consequência do aumento da produção norte-americana, as importações de petróleo dos EUA reduziram-se a níveis modestos amortecendo as pressões de demanda sobre o mercado da bacia do atlântico (Brent). Nesse sentido, o spread entre o WTI e o Brent reduziu-se de US$ 14 o barril em janeiro de 2014 para US$ 4 o barril e dezembro do mesmo ano.

O aumento da oferta mundial de petróleo, contudo, não foi acompanhado pela redução da produção da Arábia Saudita que tradicionalmente vinha desempenhando o papel de swing producer no mercado mundial de Petróleo. Isto é, durante eventos anteriores de declínio dos preços do petróleo, a Arábia Saudita tipicamente reduzia seus níveis de produção para permitir a estabilização dos preços e, eventualmente, o aumento. No entanto, no terceiro e quarto trimestres de 2014, a Arábia Saudita não reduziu os níveis de produção frente ao aumento da oferta no mercado mundial. Além disso, na reunião da OPEP de novembro de 2014, nenhuma alteração foi feita nas quotas de produção. A percepção de que a Arábia Saudita, em vez de tentar estabilizar os preços, ia defender a sua quota de mercado levou a novas descidas nos preços do petróleo bruto.

Um dos principais efeitos da redução recente e persistente do preço do petróleo é a queda vertiginosa dos preços do Gás Natural no mercado internacional. Diferente do mercado de petróleo, onde os preços refletem as flutuações de demanda e oferta do mercado internacional, o comércio de gás segue regras específicas em diferentes regiões. Nos EUA, por exemplo, o preço do gás natural é definido a partir da concorrência entre consumidores e supridores de gás natural nos diferentes hubs[1] de comercialização. Na Europa e na Ásia, por sua vez, o preço do gás natural foi historicamente definido a partir de contratos de longo prazo indexados ao preço do petróleo[2].

A partir de 2009, o crescimento da produção norte-americana de gás natural não-convencional elevou o spread entre o preço do gás nos Estados Unidos e nos demais mercados mundiais (Europa e Ásia principalmente). Em setembro de 2009, a diferença entre o preço spot do gás no mercado norte-americano e no mercado europeu foi de 0,07 centavos de dólares. Em novembro de 2013 essa diferença aumentou para US$ 7,71, como pode ser visto na figura 2.

O distanciamento entre o NBP (National Balance Point) na Inglaterra e o Henry Hub nos EUA reflete exatamente o custo de oportunidade de importação. Na Europa, os preços do gás nos mercados de curto prazo sofrem influência direta dos contratos de importação de gás com a Rússia, que historicamente mantêm-se indexados ao petróleo[3]. No caso norte-americano, o aumento da produção de gás não-convencional transformou o país de importador para potencial exportador de GNL. Nesse sentido, o preço do gás natural nos EUA tem sido condicionado pelas condições internas de oferta e demanda.

Figura 2 – Evolução do Preço do Gás Natural no Mercado Norte-Americano e Europeu

marcelo052015b

Fonte: EIA, 2015b

No mercado asiático, em particular no Japão e na Coréia do Sul, os contratos de importação de GNL são em sua predominância contratos de longo prazo indexados ao Petróleo. Nesse sentido, até 2009 o preço do GNL importado pelo Japão manteve-se próximo aos preços praticados nos EUA[4]. A partir daquele ano, contudo, enquanto o preço do gás na América do Norte se afastava do preço do petróleo, o preço do GNL no mercado asiático iniciou um processo de afastamento em relação ao Henry Hub, como pode ser visto na figura 3. Além do aumento da oferta norte-americana, as restrições no transporte de GNL e o aumento da demanda pelo Japão, após o acidente em Fukushima, contribuíram para o aumento do spread de preço a partir de 2011.

Figura 3 – Preço do Gás Natural no Mercado Japonês e Norte-Americanomarcelo052015c Figura 4 – Preço do Gás Natural no Mercado Japonês e o Preço do Brentmarcelo052015d

Fonte: EIA, 2015b

Recentemente, contudo, a queda no preço do barril de petróleo vem mudando a trajetória ascendente dos preços do GNL no mercado mundial. No mercado japonês, por exemplo, o preço da carga de GNL importada passou de US$ 18,3 por MMBtu em março de 2014 para US$ 7,6 por MMBtu em março de 2015 (METI, 2015). Segundo, estimativas da FERC (FERC, 2015), o preço estimado do GNL para 2015 é de US$ 6,74/MMBtu na Europa, US$ 6,80/MMBtu na Ásia e US$ 7,10/MMBtu na América Latina, o que representa uma significativa queda em relação a 2014. (…) Continua no Blog Infopetro

Ronaldo Bicalho

Pesquisador na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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5 Comentários
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  1. wendel

    14 de maio de 2015 1:16 pm

    e …………………………….

    Bem, não sou especialista em petróleo e gás, mas pelo que lí e leio sobre o assunto, declaro;

    O preço do petróleo que vem caindo desde algum tempo, não passa de uma estratégia politica do império para detonar as economias da Venezuela e Irã, entre outros desafetos.

    A Arabia Saudita,  que apesar da grande perda com o preço despencando, ainda manteve a mesma produção, enquanto era bancada pelo império, que a embolsva pelas perdas, afim de atingir seuss objetivos.

    Assim é o meu entendimento!

    Quanto a outras análises,  fica a critério dos entendidos e talvez supostamente ( como gostam os jornalistas), dos inseridos na folha de pagamento do império!!!

  2. rdmaestri

    14 de maio de 2015 5:02 pm

    e ………. II

    Este artigo chega a conclusão lá no Infopetro que a queda do preço do GNP só poderá acontecer daqui a seis meses quando os contratos de longo termo forem renegociados.

    A conclusão do mesmo é pífia, pois o preço do petróleo é muito mais volátil do que o do GNP, como por exemplo, quando escreveram o artigo colocaram o preço do petróleo do WTI ou do Brent estava em torno de US$57,00 o barril, quando na realidade os dois estavam muito parelhos e em torno de US$50,00 o barril.

    No dia de hoje o WTI está já em torno dos US$60,00 e o Brent em torno de US$66,00, ou seja subiu já 20% em relação a janeiro, logo tentar acoplar o preço do GNP ao preço do petróleo é meio temeroso, primeiro porque ninguém sabe como irá o preço de petróleo e segundo porque as instalações de liquefação e os gaseodutos são fatores locais e muitas vezes mais importantes do que os outros aspetos.

    1. Almeida

      15 de maio de 2015 7:38 am

      Mais do que isto.

      Eles olham apenas para questões de custos e preços. Não olham para o valor que carrega o gás em si. No mundo do petróleo tradicional existe uma pilhéria que diz, que a notícia ruim é que não descobrimos óléo, que a péssima é que descobrimos gás.  O gás é queimado em campo, sempre que não se alcança preço comercial para exploração dele, um desperdício que se faz da aplicação simples da regra do capitalismo.

      O governo norueguês condicionou toda exploração de óleo, quando os concessionário da exploração fornece uma alternativa para exploração comercial do gás associado. Este condicionamento raramente foi observado em outros países, inclusive no nosso, onde a queima do gás nos campos é amplamente observado, que sucumbe aos interesses das corporações, em detrimento do interesse republicano. Despediçamos uma riqueza acumulada na natureza em processos geológicos de milhões de anos.

      A imagens abaixo ilustram o desperdício irracional. A primeira é a flama de um poço de óleo individual, observe a seguir o efeito de milhares olhadas do espaço, em comparação com grandes cidades ao longo do país.

      Note-se que as regiões onde se pratica o fracking no Dakota do Norte são sub-povoadas, são condados de mais de quatro mil quilômetros quadrados, com um máximo de cinco mil habitantes cada, compara-se a luminosidade emitida por eles com as cidades na beira dos grandes lagos, como Chicago, ou da costa leste, como Washington.

      Esta imagem abaixo é de Eagle Ford.

       

       

      1. rdmaestri

        15 de maio de 2015 2:44 pm

        A queima do Gás, isto sim é um dos maiores crimes ambientais.

        A queima do gás tanto em onshore como em offshore é um dos maiores crimes ambientais que se faz sistematicamente no mundo e crime contra o futuro.

        É uma energia abundante mais limpa do que o petróleo que é simplesmente jogada fora, mas se há uma luta que deveria ser levada adiante por organismos internacionais é a proibição deste tipo de desperdício.

        Talvez se há bastante tempo fosse obrigado o armazenamento (ou simplesmente reinjeção nos poços) e uso deste gás teríamos primeiro uma grande quantidade de indústrias que utilizam frações mais poluentes do petróleo utilizando o gás e diminuindo a poluição global, como teríamos um aumento significativo da sobrevida dos hidrocarbonetos como combustíveis.

        Nunca tinha me dado conta, porém nunca vi nenhuma ação pública de organismos interessados pela conservação do meio ambiente em promover legislação internacional que carimbasse petróleo com desperdício de gás e o taxasse. A ações localizadas principalmente em países em que a produção não é tão alta.

        Se este gás fosse aproveitado teríamos uma imensa retirada de poluentes da atmosfera, não só pela queima de um produto mais limpo mas também pela retirada da queima dos produtos mais sujos substituídos pelo gás.

        Fala-se corretamente do desmatamento, porém operações de petróleo (e de refino também) em que se queima o gás residual por uma questão de mercado atual (no futuro, irão todos chorar por este desperdício), porém ninguém alerta por esta queima de algo com valor intrínseco.

        Nos últimos anos diminui-se a quantidade de gás queimado, algumas vezes por razões ambientais (aumento na quantidade de CO2 e pior aumento de resíduos tóxicos pela queima incompleta), também esta sendo evitado por razões econômicas (valor do gás desperdiçado), porém nunca se pensa no desperdício de uma fonte de energia não renovável, ou seja, se um Estado fizesse um cálculo econômico trazendo para valor presente levando em conta o preço que pode atingir este combustível dentro de um intervalo de tempo de 50 anos, por exemplo, até economicamente se justificaria o não desperdício do gás, porém as empresas de petróleo não trabalham com este horizonte, pois isto não rende dividendos para seus acionistas!

      2. Almeida

        15 de maio de 2015 8:55 pm

        Faltou a imagem de Eagle Ford perto das grandes cidades texanas.

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