Venda de Pasadena é mais um passo na operação de liquidação da Petrobras

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Foto: Divulgação

Da Rede Brasil Atual

 
“A FUP sempre foi crítica em relação à internacionalização. O problema é que agora, além de não fazer os investimentos internos, eles vendem o que tem lá fora”, afirma petroleiro
 
por Eduardo Maretti

Apesar da Petrobras, por meio de seu presidente, o tucano Pedro Parente, ter anunciado esta semana o balanço da companhia, com lucro de R$ 4,45 bilhões no primeiro trimestre, contra prejuízo de R$ 1,25 bilhão no mesmo período do ano passado, o assunto mais relevante da semana foi outro anúncio: o de que a estatal vai vender a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e sua participação na Petrobras Oil & Gas B.V., na África.

Em sua página na internet, o próprio governo federal lembrou que a compra da refinaria, em 2006, é investigada pela Polícia Federal dentro da Operação Lava Jato.

Para o diretor de Relações Internacionais e de Movimentos Sociais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, a operação anunciada, além de contraditória, mostra a continuidade clara da política do governo: “Cada dia anunciam uma coisa. É uma liquidação”, diz. “As empresas vêm ao Brasil aproveitando a liquidação (da Petrobras) e o Brasil vende o que tem lá fora. É contraditório do ponto de vista do próprio neoliberalismo.”

O dirigente lembra que a questão de Pasadena é polêmica, não em relação às denúncias envolvendo a refinaria, mas porque a própria FUP defendia que, ao invés de investir no exterior, a companhia deveria priorizar o investimento interno. “A FUP sempre foi crítica em relação à internacionalização. O problema é que agora, além de não fazer os investimentos internos, eles vendem o que tem lá fora”, afirma o dirigente.

Mesmo com a ressalva de que a entidade se mostrava contrária a investir em outros países, o diretor observa que, do ponto de vista de uma empresa internacionalizada, Pasadena é estratégica. “Porque está no maior mercado mundial e está situada no Texas, onde tem uma boa distribuição e uma importante rede de dutos etc.”

Em nota no mês passado em que comentou um ano de governo Michel Temer, a FUP afirmou que, em um intervalo de seis meses, Pedro Parente “entregou parcelas preciosas de Carcará, Iara e Lapa, áreas do pré-sal que foram adquiridas pela Statoil e pela Total a preço de banana”. A entidade acrescentou: “o desmonte é tamanho que mais de 60% das sondas de perfuração que a Petrobras tinha em 2013 já foram paralisadas, fazendo as reservas da empresa voltarem aos níveis de 15 anos atrás”.

Quanto ao lucro de R$ 4,45 bilhões da empresa, Moraes minimiza o anúncio, já que, segundo ele, o resultado é consequência de uma operação contábil. “O resultado positivo é porque eles usam o impairment – a desvalorização do patrimônio da empresa. O que tem derrubado os lucros da Petrobras esses anos todos não é o resultado da empresa, e sim a prática do impairment. Sem isso, ela teria dado lucros esses anos todos”, explica.

De acordo com Moraes, a companhia vem adotando essa prática desde 2014. “Só que em 2014, quase todas as empresas fizeram isso por causa da queda do preço do petróleo. Em 2015 menos da metade fez e em 2016, quase nenhuma. A Petrobras tem feito isso de maneira radical. Agora eles não fazem e dizem que o resultado da empresa melhorou.”

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