Enviado por Almeida
Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaçam expropriar os fundos de pensões
Por Marco Antonio Moreno, do El Blog Salmón
Traduzido por Luis Leiria, para o Esquerda.net

Produção de petróleo nos Estados Unidos não para de crescer.
O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo em 110 dólares o barril mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de crude que acabaram por saturar o mercado. A nova bolha especulativa acabou por entrar em colapso, à luz do enfraquecimento da procura.
Os preços do petróleo caíram 40 por cento desde junho, ao ritmo do colapso dos títulos lixo do sector energético dos Estados Unidos, que apostou desmedidamente no apogeu do dispendioso fracking. Desde que, em julho de 2008, o petróleo atingiu os 145 dólares por barril, a indústria do fracking dos EUA disparou e a produção de petróleo passou de 4 milhões de barris diários (mbd) a 9 mbd, competindo, em volume de produção, com a Arábia Saudita e a Rússia (10 e 9 mbd, respetivamente). Isto foi feito com base na especulação financeira, que agora será coberta com o confisco dos fundos de pensões.
Como afirmamos em julho do ano passado, a manipulação do preço do petróleo levou o ouro negro a um nível artificialmente alto; nesse artigo afirmávamos que esse valor, se não fosse manipulado, andaria em torno dos 80-60 dólares o barril. Esta manipulação foi claramente fabricada pelos interesses financeiros que procuravam impulsionar a indústria do fracking. O excesso de oferta da indústria petrolífera está agora a levar a liquidar em 80 centavos de dólar as alavancadas posições destas empresas, instalando novamente o epicentro da crise no sistema financeiro, pela sua facilidade para especular com os preços. Desta vez, no entanto, e graças a Jean-Claude Juncker, é o dinheiro do contribuinte que vai salvar estas empresas.
A bolha do fracking
Apesar de haver uma tendência para se pensar que a queda dos preços é sinónimo de baixa dos custos de produção e que o temido “pico do petróleo” se está a afastar, a verdade é que os preços de muitos recursos básicos estão a diminuir ao mesmo tempo pela queda da procura global. As commodities caem a pique, acentuando assim os problemas deflacionários que darão uma nova estocada a esta crise, no seu sétimo ano de desenvolvimento.
Os preços do petróleo foram manipulados longamente para dar folga e permitir o auge do fracking, até que esta bolha rebentou. Enquanto o custo da extração de petróleo “normal” é de 30 dólares o barril, o custo do barril de petróleo obtido através da fraturação hidráulica é de 60 dólares. O estouro da bolha do fracking confirma a falácia de que a fraturação hidráulica constitui uma fonte energética para cem anos, como declarou o presidente Obama em 2012. Um artigo publicado na semana passada na revista Nature põe em dúvida o desmedido otimismo desta indústria.
O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo em 110 dólares o barril mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de crude que acabaram por saturar o mercado. O fracking não fez mais do que criar uma nova bolha especulativa que acabou por entrar em colapso, à luz do enfraquecimento da procura. O colapso do preço do petróleo levou o seu valor ao nível mais baixo dos últimos cinco anos e a uma queda que pode arrastá-lo para os 50 dólares e até para os 40 dólares o barril, obrigando ao encerramento das extrações por fracking que operam com custos de 60 dólares.

Queda dos preços do petróleo é impulsionada pelo aumento de produção via “fracking” e pela redução do consumo
O novo risco para o sistema financeiro
Os alavancados empréstimos semeados no período da euforia do fracking provocam agora novos temores nos mercados financeiros pelos incumprimentos de dívidas que podem afetar todo o comércio internacional. Os baixos preços que se obtêm hoje por cada barril de petróleo levam as companhias petrolíferas a terem dificuldades de pagar os juros dos empréstimos financeiros contraídos no período de auge. E como os fluxos de caixa se reduziram, esta situação também põe a banca em apuros, começando a sofrer um estrangulamento financeiro, e ver-se-á obrigada a elevar as taxas de juro destes empréstimos pelo aumento do risco, acelerando o incumprimento da dívida. Desta forma, a enorme quantidade de dívida que as companhias petrolíferas adquiriram para investir na onerosa tecnologia do fracking converteu-se no novo risco do conjunto do sistema financeiro.
No entanto, o que está em risco agora não é só o fraudulento sistema financeiro mas também as poupanças e os fundos de pensões de milhões de contribuintes em todo o mundo. Desde os resgates bancários do ano de 2008 que houve um grande debate sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar esses monstros bancários “demasiado grandes para cair” que tinham de ser resgatados pelos governos. Agora quer-se obrigar os depositantes e os fundos de pensões a cobrir as perdas do sistema financeiro, tal como se fez no Chipre. Como advertimos na altura, o Chipre foi o laboratório para pôr à prova o confisco dos depósitos dos poupadores e dos fundos de pensões.
Esta nova regra foi aprovada na cimeira do G-20 realizada na Austrália no passado mês de novembro e pode ser posta em prática a qualquer momento. Por isso não devemos descartar que a violenta queda dos preços do petróleo seja uma estratégia destinada à apropriação, quanto antes, desses recursos. Se o preço foi manipulado com astúcia e precisão na subida, também pode ser manipulado na baixa para fazer uso quanto antes da nova disposição de Angela Merkel e Jean-Claude Junker. As contas bancárias e os fundos de pensões estão em risco de serem confiscados por esta nova agonia do sistema financeiro, ocasionada desta vez pela excessiva cobiça das empresas petrolíferas.
Edsonmarcon
16 de dezembro de 2014 5:42 pmTeorias
Nassif:
Já li sobre algumas “teorias de conspiração” sobre os preços do petróleo.
— A Arábia Saudita estaria baixando os preços para acabar com o petróleo de “fracking” dos EUA;
— Os EUA e os árabes estão baixando os preços do petróleo, para atingir a Rússia de Putin e, de tabela, Irã e Venezuela;
— O petróleo de “fracking” não possuiria todas as reservas estimadas, mas sim muito menos do que foi divulgado, e o petróleo teve seu preço reduzido para que se possa comprar campos de petróleo e empresas a preços muito baixos, antes que se descubra a fraude.
Qual é a verdadeira?
Hans Bintje
16 de dezembro de 2014 5:58 pmSem saber o que fazer
As três estão corretas.
O problema é que os autores dessa política não calcularam a gigantesca extensão financeira do negócio chamado petróleo.
Agora simplesmente não sabem o que fazer.
Essa frase (em inglês) vai entrar para a História:
“Why have Obama and Co. kept their mouths shut while oil prices have plunged, domestic industries have been demolished, and stocks have gone off a cliff?”
( fonte: http://www.counterpunch.org/2014/12/16/the-oil-coup/ )
Edsonmarcon
16 de dezembro de 2014 6:32 pmrespostas
“Why have Obama and Co. kept their mouths shut while oil prices have plunged, domestic industries have been demolished, and stocks have gone off a cliff?”
Essa pergunta pode ser respondida pelas segunda e terceira “teorias de conspiração”, e ela elimina a primeira. Se fosse coisa somente dos árabes, os EUA já teriam agido contra isso.
Almeida
16 de dezembro de 2014 7:30 pmNão anula.
Estamos vendo efeito de curto prazo. Os árabes possuem bastante reservas de dólares para atravesar um período curto. Eles têm campos de extração de baixos custos, ganham muito dinheiro com o petróleo a $60 ou $50 o barril e ganham muito mais ainda quando, sem concorrência, os preços voltarem a subir.
Uma nova reunião da OPEP está marcada para daqui a seis meses, nada impede de fazerem alguma outra de emergência antes do prazo. A baixa dos preços funciona para mais um interesse, aqui mais uma “teoria da conspiração”: o jogo de fusões e aquisições das companhias “fraqueiras”.
Um número relativamente grande de empresas de médio porte, para padrões americanos, atua no setor. As majors petroleiras estão de fora, somente os monopólios de equipamentos e tecnologias de petróleo participam: Halliburton, Baker-Hughes, etc, que sugam essas companhias médias pra lá de endividadas. A crise dos preços obrigará a concentração, para ganhos de escala que permitam a sobrevivência das companhias. Isto fará a alegria dos especuladores nas bolsas, a turma que financiou Obama.
Um ótimo artigo para entender a volatilidade selvagem dos preços do petróleo: La ilusión del control
Estamos vivendo a época do pico de produção mundial de petróleo, esta é a desagradável novidade, que não é uma”teoria da conspiração”.
gabi_lisboa
16 de dezembro de 2014 9:30 pmOs jornais internacionais
têm apostado mais numa armação dos eua com a Arábia Saudita para jogar o preço do petróleo lá em baixo para derrubar a Rússia e prejudicar também o Irã. Como a arábia saudita está metida na “luta” contra os xiitas (isis e cia) até o pescoço e precisa do apoio americano (louco para derrubar a Rússia), acho essa a melhor teoria. Em relação à Rússia, parece que está funcionado, nem com a elevação da taxa de juros a 17% eles estão conseguindo segurar o preço do rublo em relação ao dólar. As questões que ficam é: qual vai ser a reação do Putin e qual vai ser o tamanho do efeito colateral no ocidente já capenga?
Luis Paulo
16 de dezembro de 2014 5:56 pmUma sugestão
Porque o governo não aproveita a oportunidade para recomprar ações da Petrobras?
Está na cara que o grande interesse dos grandes grupos econômicos e seus portavozes é pelo controle do Pré-sal;
Aproveitar usando parte das reservas e talvez até do fundo soberano;
Motta Araujo
16 de dezembro de 2014 11:51 pmO valor de mercado da
O valor de mercado da PETROBRAS hoje é de R$127 bilhões, comprar as ações no mercado vai custar R$60 bilhões, o Tesouro não tem esse dinheiro e muito menos tem alguma logica para gastar esse valor na compra de ações.
Ninguem está louco para comprar o pre-sal, que é uma reserva mediana de 15 bilhões de barris com um custo de extração altissimo em um momento em que há SUPER OFERTA de petroleo no mundo.
Quem inventou essa LENDA de que o pre-sal era ouro foi o Lula na campanha eleitoral de 2010.
Lucinei
16 de dezembro de 2014 6:23 pmA cobiça pelo pre-sal e a
A cobiça pelo pre-sal e a chacrinha sobre a petrobras estão nesse contexto aí.
DanielQuireza
16 de dezembro de 2014 6:55 pmEspeculação é quando não
Especulação é quando não envolve produção, especula-se só com papéis. Se os preços estão caido porque tem muita oferta não é especulação ora.
Flics
16 de dezembro de 2014 7:20 pmNada a ver…
…. como diria nosso amigo Motta… como que não há especulação com produção? … a Arábia Saudita ao aumentar ou não diminuir a PROCUÇÅO pode estar esculando sim… e pode-se especular com aurmento ou diminuicão de oferta ou com manejo de estoques… não entendi essa de que especulação é só com papéis.
solle
16 de dezembro de 2014 11:40 pmVocê já ouviu falar em
Você já ouviu falar em mercado futuro?
Toda a especulação nasce lá.
Pra cima ou pra baixo….
Preto Velho
16 de dezembro de 2014 6:58 pmCusto de extração
Aonde tem esse custo de extração de US$ 30,00 ? O custo de produção por barril de petróleo da Petrobás em 2014 está em torno de US$ 14,62. Em 2013 ficou em US$ 14,76.
Toni
16 de dezembro de 2014 7:01 pm.
A Rússia é o primeiro dos países do BRICS a cair. Hoje os juros foram elevados repentinamente pelo Banco Central, numa tentativa de segurar a queda livre do rublo.
O preço do petróleo e as sanções impostas devido o conflito da Ucrânia estão levando à bancarrota a economia russa e, quem sabe, serão os próximos?
Webster Franklin
17 de dezembro de 2014 3:54 amVai dá M…. Putin não é
Vai dá M…. Putin não é Sadan!!
Viktor
16 de dezembro de 2014 7:35 pmObama foi eleito para quebrar os EUA
Obama foi colocado lá para quebrar os EUA. Basta ver o último “acordo” sobre emissóes de CO2 que ele fez com a China. Ele reza pela cartilha do Maurice Strong (ex-ONU, que organizou a Rio-92). Conforme este cidadão, o capitalismo deve ser destruído para que o mundo seja salvo. Foi isto que ele disse na RIo-92. Desde então, os democratas americanos, aliados com a nobreza européia e seus braços verdes, vem, de todas as maneiras, colocando todos os obstáculos possíveis ao desenvolvimento e ao conforto dos seres humanos. Agem de todas as formas para impor legislações restritivas ao desenvolvimento. Aqui, temos uma representante do grupo. Nossa conhecida “Fadinha da Floresta”. É por esta cartilha que ela reza também. É este pessoal que espalhou, montou, incentivou e sustenta milhares e milhares de ONGs em todo o mundo, visando enfraquecer e perverter as estruturas tradicionais de governo. Os mesmos que queriam colocar anticoncepcionais na água dos pobres nos anos de 1970, os mesmos que foram responsáveis por 14 milhões de africanos proibindo o DDT. Para este pessoal, o sêr humano é um vírus, uma praga que deve ser eliminada do planeta, cuja “lotação” ideal para eles é de cerca de 500 milhões de almas.
(apenas mais uma teoria da conspiração)
nelson costa
17 de dezembro de 2014 1:02 amTô de
Tô de cara…inacreditável………
Almeida
17 de dezembro de 2014 4:41 amEsta é uma verdadeira teoria da conspiração, sem aspas
Na qual só imbecis acreditam. Na primeira frase o imbecil mor, o pregador de imbecilidades se revela.
De Paula
16 de dezembro de 2014 7:35 pmEm resumo: Os que hoje pixam
Em resumo: Os que hoje pixam a Petrobras, mais cedo do que pensam provarão do próprio veneno; ela sobreviverá; já êles….
Mailson
16 de dezembro de 2014 7:43 pmPor que a Dilma não vai à televisão?
Fora de pauta, mas importante
Amigo que mora em Recife questiona porque Dilma não vai à televisão se manifestar sobre a situação da Petrobras
Vejam a mensagem que recebi desse amigo:
Oi, fulano
Pois é. Agora, ou Dilma age com rapidez ou haverá paralisação do governo. Vai mergulhar na inércia. Na apatia absoluta.
Se você é acusado e não se defende, o que é que se vai ficar pensando de você? Que você é culpado. O governo já era pra ter agido. Era pra ter agido ontem. Ontem não, anteontem. Não agiu. Deus sabe se agirá.
Não sou blogueiro sujo, não tenho espaço na mídia, mas tenho dito isso o tempo todo a vários dos meus amigos. Quem não sabe que a Polícia Federal é um instrumento dos tucanos, como diz PHA? Tá na cara. A Polícia Federal, o Ministério Público … Como se não bastassem os juízes do STF e do TSE. Dilma quer dar uma de boazinha, estimulando a investigação aos seus funcionários, e a merda está virando boné.
O que me horroriza é que aqueles que poderiam defender a presidente e o seu governo (e também defender Lula e a banda decente do PT, que é maior do que a banda indecente) não fazem nada.
Esse Ministro da Justiça é uma calamidade. PHA pergunta: cadê o porta-voz? Sim, cadê o porta-voz? Se Dilma não fala, alguém deveria falar por ela, dando as devidas explicações, inclusive partindo para o ataque.
No mínimo, no mínimo, deveria explicar o porquê de não demitir Graça Foster. Pois as pessoas, mobilizadas pela mídia que temos, estão indagando: por que não demite a Graça Foster? PHA diz que a presidente não demite nem que a vaca tussa.
Então diga a razão, dona Dilma. Hoje de manha o Marco Antônio Villa, que é um sociólogo ligado ao Instituto Millenium, teve uma fala sua colocada no ar pela Radio Jornal do Commercio. O cara chamou o governo da presidente de “o mais corrupto da história do Brasil”. Ora, a Radio Jornal tem uma espetacular audiência e, para complicar, a fala do Villa foi ao ar no programa do Geraldo Freire, que até a minha cadelinha vira-lata escuta.
Todo dia Geraldo põe no ar a pregação golpista dos radialistas da Joven Pan, da Radio Guaíba etc. Cadê o PT de Pernambuco? Onde está o senador Humberto Costa? Ninguém diz nada. Ninguém faz nada. Por que Dilma não coloca Jacques Wagner como porta-voz ou nas Comunicações? É o melhor quadro petista do NE. E não costuma levar desaforo para casa.
É melhor fazer alguma coisa do que, quando a merda estiver definitivamente instalada, chamar a militância para ir às ruas. Aqui, ó!
COM A PALAVRA A PRESIDENTA DILMA.
Lucinei
16 de dezembro de 2014 11:57 pmEu também tenho insistido
Eu também tenho insistido nisso há anos, Mailson. Não entendo porque esse governo não convoca rede nacional a cada fofoca que a oposição e a mídia vociferam. Não sei se neste momento estao esperando a nova legislatura assumir ou se outra coisa, mas que já demorou demais, demorou…
jc.pompeu
16 de dezembro de 2014 7:59 pm“Colapso do petróleo, por
“Colapso do petróleo, por Marco Antonio Moreno“
Olha só a cara de preocupado do maior petrodólares playboy do mundo à moda antiga lá do romântico esplendouroso glamouroso século XX do motta araújo… coitado do projeto lulopetista tapuia de nosso sheik eike bilionário… nadando em petróleo pré-sal…
Por Ricardo Setti da Veja.com [no copy/paste caseiro sem ônus ao erário…]
Abdul Aziz Bin Fahd bin Abdul Aziz Al Saud, com a prima Sara bint Talal bin Abdulaziz Al Saud, em evento beneficente, em Washington, EUA, 20 de setembro de 2012: sem brincar em serviço na hora de gastar (Foto: Leigh Vogel – Getty Images)
O maior playboy do mundo e sua vida de excessos delirantes, como gorjetas de 200 mil reais: o príncipe saudita Abdul Aziz Bin Fahd
Moradores de Ibiza, a mais turística das deslumbrantes Ilhas Baleares, na costa noroeste da Espanha, já estão acostumados: quando chega o verão, pousarão por ali os três aviões que o príncipe saudita Abdul Aziz Bin Fahd bin Abdul Aziz Al Saud utiliza em suas viagens. As aterrissagens fazem brilhar os olhos dos donos de hotéis de luxo insulares, já que pelo menos quatro deles lotam para abrigar os até 200 membros do entourage do maior playboy do mundo.
Um grupo mais seleto deles, cerca de 20 ou 30, se hospeda no Gran Hotel de Ibiza, pagando até 4.200 euros (mais de 12 mil reais) a diária em temporadas que podem durar dois meses. Lar de um grande cassino, o hotel vê como os convidados do príncipe deixam, em mais de uma ocasião, milhões em uma mesa de jogos, contando gorjetas de até 30 mil euros aos crupiês.
Eterno adolescente aos 40 anos, Bin Fahd carrega sua equipe e todos os pertences que julga necessários para as férias em nada menos que um Boeing 777 adaptado para ter dez banheiros, alguns deles com banheira de hidromassagem, e até uma sala de cirurgia, além, é claro, de seu jato privado Bombardier Chalenger.
Nas tripulações, destaca-se o time exclusivamente feminino de comissárias recrutadas em diferentes países ocidentais como Estados Unidos, Grécia e Suécia — até pela excelente razão de que às mulheres sauditas é inteiramente vedado esse tipo de trabalho, como uma série de outros, além de outros direitos elementares, como o de dirigir automóveis.
As comissárias devem estar disponíveis as 24 horas do dia por seis semanas seguidas, e depois contam com o mesmo período de férias; precisam se virar para atender aos desejos do chefe, que só faz seus pedidos em árabe.
Gorjeta de 80 mil euros
Bin Fahd é o caçula dos seis filhos homens do falecido rei Fahd bin Abdulaziz Al Saud (1921-2005), que ocupou o trono de 1982 até sua morte e era meio-irmão mais velho de Abdullah bin Abdulaziz al Saud, atual detentor da coroa da Arábia Saudita. Casado desde 2010 com Al Anoud bint Faisal bin Mishaal Al Saud, também de origem considerada nobre, tem ainda quatro irmãs e, segundo a lenda familiar, sempre foi o preferido do pai.
Formou-se em administração pela Universidade Rei Saud, de Riad, mas antes mesmo de obter o diploma, em 1998, já fora nomeado ministro de Estado – e o fato de ter ido morar na Suíça em 2005 não o impediu de continuar “exercendo o cargo” por seis anos. Seu currículo político, porém, é bem menos conhecido do que sua reputação de excessos e ostentação, que vai muito além do trio de aviões que o transporta em caravana nos momentos de lazer, financiados pela riqueza do petróleo.
Com investimentos aberta ou dissimuladamente relacionados a uma série de empresas multinacionais, como a petroleira britânica British Petroleum, a construtora saudita Saudi Oger e a cadeia televisiva MBC, baseada em Dubai, nos Emirados Árabes, Abdullah não brinca mesmo em serviço quando quer se divertir. E, segundo pessoas que trabalham junto ao monarca, quase a totalidade de seu tempo é dedicada ao ócio.
Existem inúmeros relatos de noitadas memoráveis bancadas pelo playboy. Entre os mais folclóricos, a gorjeta de 80 mil euros (mais de 240 mil reais) que teria deixado após refeição no restaurante ibizenho Lío, após o pagamento de conta de 120 mil euros (superior a 360 mil reais). O Lío, à beira de uma piscina, é um lugar badalado da noite cujo estacionamento está sempre congestionado por Ferraris, Lamborghinis e RollsRoyces e que apresenta, em meio a refeições caríssimas, números de cabaré.
Não é de se surpreender que 200 mil euros pareçam insignificantes a alguém que faz questão de transportar, em seus aviões, um RollsRoyce branco pelo qual faz questão de transitar, até mesmo pelas estradinhas estreitas de Ibiza. Outro episódio diz respeito aos quatro meses que passou, em 2010, em uma suíte de 1200 metros quadrados Hotel Plaza, em Nova York. A temporada, porém, ficou marcada pela acusação de estupro cometido – e que resultou em condenação à prisão – por um de seus empregados a uma mulher. O episódio contribuiu para alçar o nome do bilionário, até então pouco conhecido, às manchetes.
Não é apenas Bin Fahd quem se locomove em carros luxuosos por ilhas mundo afora. A cada estadia em Ibiza, ele manda trazer, principalmente da Alemanha, uma frota de Mercedes Benz novinhos em folha para que seus amigos, familiares e empregados passeiem. Entre os caminhos mais percorridos pelo comboio está o que leva ao porto onde fica atracado o Prince Abdul Aziz, o megaiate de 147 metros de comprimento encomendado por seu pai que, ao longo de vinte anos, foi considerado o maior do mundo, e até hoje tido como o mais luxuoso entre os fabricados no século passado. Dali partem expedições de homéricos excesso, escoltadas por mais cinco “barcos de apoio”, rumo a outros rincões baleares espetaculares, como a pequena ilha de Formentera (cenário do filme Lucía e o Sexo, de 2001), paraíso nudista com natureza preservada.
Os funcionários de Bin Fahd também não deixam de visitar as mesquitas de Ibiza, onde distribuem alimentos comprados pelo chefe em grande volume, a ponto de beneficiar os cerca de 9 mil muçulmanos da ilha, a maioria provinda do Marrocos e da Argélia. De acordo com o Centro Islâmico de Ibiza, o príncipe também realiza doações particulares a praticantes do islamismo, e chegou a financiar cirurgia avaliada em 25 mil euros de uma mulher.
A religião, ou pelo menos sua intenção de parecer religioso, é outra das características do bon vivant saudita. Uma réplica da esplendorosa Alhambra, em Granada, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do mundo e legado da ocupação muçulmana do sul da Espanha (711-1492), é uma de suas residências em Riad. Entre as outras que figuram em um extenso patrimônio estimado em mais de 1 bilhão de dólares (algo como 2,2 bilhões de reais) está uma mansão em Beverly Hills, Califórnia, e mais de um palácio suntuoso em Jidá, Arábia Saudita.
Com tudo isso, ainda há gente pertencente ao séquito do príncipe que garante que ele é discreto e gosta de passar despercebido pelos lugares que frequenta.
De fato, não há muitas fotos dele disponíveis na internet. Haja ironia.
O “maior iate do século XX” atracado em Ibiza (Foto: Sergio G. Cañizales – El Mundo)
Almeida
16 de dezembro de 2014 11:23 pmEsse é um dos custos que determina o preço do petróleo
O custo de manter uma realeza medieval faustosa no século XXI. O avô desse playboy teve mais de vinte esposas e com elas fez uns quarenta filhos. Seus filhos também tiveram trocentas mulheres, com as quais fizeram também trocentos filhos. Em resumo, hoje calculam que o clã é composto por um número estimado, entre quinze e vinte mil pessoas que levam vida de Príncipes, no esplendor do capitalismo monopolista global. A corte de Luís XV é coisa de pobretão diante suntuosidade desse clã, nenhum dos Luíses da França entraria hoje na lista da Forbes, todas suas carruagens, cavalos e estrebarias não valeriam um único jato a disposição do clã.
O custo maior da manutenção não está na suntuosidade aparente, mas no aparato militar-repressivo que segura o clã no poder e garante o fluxo de petróleo no interesse do ocidente.
Walter o primeiro
16 de dezembro de 2014 8:59 pmPra ganhar dinheiro
Para ganhar dinheiro na bolsa é facil
Comprar na baixa, vender na alta
Estão esperando o que ???
evandro condé de lima
17 de dezembro de 2014 12:21 amPerdeu a graça.
Agora que você contou prá todo mundo não vou achar mais pra comprar.
altamiro souza
17 de dezembro de 2014 1:13 amo importante é saber como a
o importante é saber como a petrobrás
pode resisitir a essas pressões.