13 de junho de 2026

Passado que condena: Quem são os 13 deputados que votaram para cassar Glauber Braga

Entre os deputados que votaram pela cassação, destaca-se o delegado Alexandre Ramagem (PL-RJ), um dos oito membros do núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado
Foto: Lula Marques/ Agência Br

Por Thiago Suman*

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Com 13 votos favoráveis e 5 contrários, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou o pedido de cassação do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

O parlamentar ainda pode recorrer da decisão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Caso o recurso seja rejeitado, o caso será levado ao plenário da Câmara, onde precisará de pelo menos 257 votos para ser aprovado.

Entre os deputados que votaram pela cassação de Glauber, destaca-se o delegado Alexandre Ramagem (PL-RJ), um dos oito membros do núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado. O Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou, nesta quarta-feira (11), a decisão de tornar réus Ramagem, o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis aliados do ex-presidente.

Além de Ramagem, outros votos geraram repercussão devido ao histórico dos parlamentares. Domingos Sávio (PL-MG), por exemplo, pediu vistas no processo de cassação de Carla Zambelli, também do PL, adiando o julgamento em 2023, ao mesmo passo que defendeu a abertura de processos contra deputadas de esquerda, como Célia Xakriabá (PSOL-MG), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Talíria Petrone (PSOL-RJ), por quebra de decoro parlamentar após acusações de assassinato contra outros parlamentares durante a votação do projeto do marco temporal de terras indígenas (PL 490/07).

João Leão (PP-BA), relator do caso de Zambelli, mudou seu voto e arquivou o processo de quebra de decoro da parlamentar. Leão também se absteve no caso da cassação de Chiquinho Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. No ano passado, Leão foi acusado de difamar o candidato a prefeito Rosalvo (PT) de Lauro de Freitas (BA), associando-o a atividades criminosas. A Justiça Eleitoral determinou a remoção das publicações ofensivas e concedeu direito de resposta a Rosalvo.

Gutenberg Reis (MDB-RJ) foi o único a votar pela não cassação de Chiquinho Brazão no Conselho de Ética. Além disso, Reis é investigado por fraude em seu cartão de vacinação contra a COVID-19 e enfrenta polêmicas envolvendo um loteamento irregular em área de preservação ambiental em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Marco Pollon (PL-MS), deputado extremista e fundador do movimento armamentista ProArmas, é acusado de desviar recursos destinados ao movimento para beneficiar empresas de sua propriedade. Como membro da CCJ, Pollon também votou a favor da libertação de Chiquinho Brazão.

Ricardo Maia (MDB-BA) é alvo de investigação por desvio de verbas e contratos com empresas fantasmas, além de ter favorecido familiares com emendas parlamentares. Maia também se envolveu em polêmica ao sugerir que a deputada estadual Fátima Nunes (PT-BA) integrava uma “quadrilha” chefiada pelo prefeito de Cícero Dantas (BA).

Antônio Albuquerque (Republicanos-RR), durante comício em 2024, afirmou ter matado uma pessoa aos 17 anos. “Eu sentei no banco dos réus porque tive que mandar dessa vida para outra alguém que faltou com respeito a uma irmã minha.”

Márcio Marinho (Republicanos-BA), bispo da Igreja Universal, destinou R$ 2,3 milhões de verba pública para asfaltar uma fazenda vinculada à Igreja, sendo alvo de investigações por irregularidades apontadas pela Controladoria Geral da União.

Rafael Simões (UB-MG), citado em investigações por contratos suspeitos durante seu mandato como prefeito em Pouso Alegre (MG), foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) por propaganda eleitoral irregular. Simões também votou pela liberação de Chiquinho Brazão.

Júlio Arcoverde (PP-PI) já teve a cassação pedida pelo Ministério Público em 2015, acusado de abuso de poder econômico. Em 2012, o deputado foi citado em uma matéria da revista IstoÉ, que investigava um esquema de corrupção no Denatran, órgão onde Arcoverde foi presidente.

O relator do caso, Paulo Magalhães (PSD-BA), também se envolveu em polêmica, sendo acusado em 2001 de agredir fisicamente um jornalista nas dependências da Câmara dos Deputados. Magalhães foi apontado por Glauber Braga como um dos maiores beneficiados pelo Orçamento Secreto, administrado por Arthur Lira.

Por outro lado, os deputados Luciano Vieira (Republicanos-RJ) e Bruno Ganem (Podemos-SP) não possuem registros de controvérsias ou investigações formais.

Confira a lista completa dos votos dos deputados no processo de cassação de Glauber Braga:

  • Votaram a favor:
  • Delegado Ramagem (PL-RJ)
  • Domingos Sávio (PL-MG)
  • Luciano Vieira (Republicanos-RJ)
  • Marcos Pollon (PL-MS)
  • Gutenberg Reis (MDB-RJ)
  • Ricardo Maia (MDB-BA)
  • João Leão (PP-BA)
  • Júlio Arcoverde (PP-PI)
  • Antônio Albuquerque (Republicanos-RR)
  • Márcio Marinho (Republicanos-BA)
  • Rafael Simões (UNIÃO-MG)
  • Paulo Magalhães (PSD-BA)
  • Bruno Ganem (Podemos-SP)
  • Votaram contra:
  • Jack Rocha (PT-ES)
  • Natália Bonavides (PT-RN)
  • Joseildo Ramos (PT-BA)
  • Josenildo (PDT-AP)
  • Chico Alencar (PSOL-RJ)

Thiago Suman é jornalista e professor.

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3 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    13 de abril de 2025 11:20 am

    Não gosto deste cara , não me faria falta , mas fizeram coisa pior neste “congreço” e deu em nada.

    Mas mão gosto da ideia de macho alpha do “congreço” resolvendo as coisas na π044@)@.

  2. Carlos

    13 de abril de 2025 11:23 am

    Quando a gente olha os integrantes e as bandeiras que defendem, este PL não pode ser considerado um partido político.
    Mas cabe ao povo retirar estes trastes do congresso.
    Grande não derruba grande.

  3. AMBAR

    13 de abril de 2025 12:49 pm

    Nossos parlamentares, como a “fina flor do brejo” que são, não poderiam agir de forma diversa. O corporativismo pode ser ainda mais forte no mal.

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