3 de junho de 2026

A decadência aterradora, merecida e irreversível de Sérgio Moro, por Eduardo Ramos

“E Moro, é um Bolsonaro nato, ideologicamente falando, e semelhante na capacidade ilimitada de fazer o mal seja a quem for”
Agência Brasil

A decadência aterradora, merecida e irreversível de Sérgio Moro

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por Eduardo Ramos

Os amigos que me leem sabem que há algumas frases literárias ou filosóficas que me são compulsórias, me habitam, tamanha a paixão pelos signos que me trazem.

“O que tem de ser tem muita força. Tem uma força enorme”, de Guimarães Rosa, está fincada no topo dessa lista.

Lembrei-me dela ao pensar e iniciar esse artigo. Com um sorriso nos lábios, confesso! Porque vê-la aplicada de modo tão concreto, nos últimos três, quatro anos da vida do ex-juiz carrasco do Brasil, Sérgio Moro, é daquelas coisas que me faz acreditar que, às vezes, o que é justo alcança as pessoas perversas, malignas, psicóticas em seu narcisismo doentio, sua maldade sem fim.

Não que eu consiga mensurar o tipo de punição que mereceria um ser tão determinado a usar seu cargo para cumprir seus desejos mais íntimos de destruição e massacre a tudo o que odeia, e à implementação das ideologias/valores que acredita ser uma espécie de “bem supremo”.

Espanta-me, no último grau de perplexidade, o número imenso de pessoas que se deixaram enganar pelo ser vazio, medíocre, dotado apenas de um arsenal de maldades em sua alma que parecia interminável, e a ousadia e determinação necessárias a empreender todo o mal que causou ao Brasil.

Com “empurrõezinhos” da Globo, da covardia dos ministros do STF, o apoio dos militares, é verdade, mas sem sua tenacidade no ódio a Lula, Dilma, PT e às ideologias de esquerda em geral, não teríamos tido uma Lava Jato, e todos os horrores, misérias, degradações e retrocessos civilizatórios que nos tornaram a nação-opróbrio do mundo, motivo de escárnio, desprezo, compaixão, pela demonstração inequívoca de sermos possuidores das elites e classes médias mais apequenados de alma e medíocres do planeta!

O próprio bolsonarismo, que hoje ameaça o pouco que resta de nossa humilhada democracia, a selvageria social que nos permeia, o ambiente social triste, pesado, sem esperanças, salvo as depositadas em Lula, e com um enorme “se” que nos angustia (haverá ou não eleição livre e soberana???), é filho dileto da Lava Jato. Rosângela Moro provavelmente nunca disse antes em sua vida uma frase tão sentida, racional, verdadeira, quanto ao afirmar, categórica e certeira: “meu marido e o presidente Bolsonaro são uma só pessoa!”.

Traz profundidades ocultas a sentença da sra. Moro. Deus, como ela está certa no que diz! Bolsonaro, é Moro sem verniz, sem o cálculo frio e sistemático, é um Moro “poltrão” e compulsivo, as estratégias de que falam suas, na verdade vêm todas de terceiros, Jair é apenas a fera indomável, perturbada em seus medos, ódios, complexos de inferioridade, sua demência.

E Moro, é um Bolsonaro nato, ideologicamente falando, e semelhante na capacidade ilimitada de fazer o mal seja a quem for – um país inteiro, por exemplo… – para cumprir os desígnios de sua prepotência infinita. Difere de Jair na capacidade de cálculo, numa quase ausência de emoções.

Jair é compulsivo, Moro, calculista. Comparáveis a Hitler e Goebbels, talvez? Um, extensão do outro, seres complementares, como as duas cabeças de uma mesma serpente. Rosângela viu isso com soberba nitidez!

Tão tolo e cego em seu narcisismo atávico, que não percebeu, o ex-juiz, que sua força não derivava de “sua pessoa”, como acreditou e fizeram-lhe acreditar provavelmente, familiares e amigos íntimos.

Seu poder sempre veio da toga, do cargo, do fato de estar e viver em um país de sociedade tosca, incivilizada, que viu nele o que ele nunca foi: juiz e herói! Acreditou ser verdade, o pobre, a farsa em que o embalaram, mídia e os aplausos de nossa rasa classe média.

Sem o poder musculoso da caneta de juiz, restava o homem, suas falas, ações, pensamentos, ideias, comportamento, coerência… Era pouco! Quase nada!… Deu no que temos visto, como um encadeamento de justiça vindo do universo: uma das mais rápidas e devastadoras decadências de um homem outrora poderoso e alçado à celebridade-mor de um país. Tempo houve, que todos intuíamos, ser Moro, o homem com mais poder no Brasil. Desse quase juiz-imperador, o que terá restado nos dias de hoje…?

“O que tem de ser tem muita força. Tem uma força enorme!”

Frase linda, linda, de uma densidade humana e dramática.

Lembro de Lula, em sua sabedoria fantástica, vinda da simplicidade que a vida lhe ensinou, advertindo ao juiz todo-poderoso: “Hoje sou eu o massacrado, doutor. Amanhã será o senhor…”

Imagino os risos debochados de Moro e senhora, em casa, comentando a frase do “Nine”, do “vagabundo”, do inimigo desprezado e tratado com nojo, tendo a ousadia de profetizar “algo tão fora da realidade”…

Mas veio “o que tinha de ser”…. veio Sérgio Moro homem, não mais juiz, homem apenas… Ora, o que sobrou? Nada! Não havia o que “sobrar”.

Houve a festança ao se tornar ministro de sua alma gêmea, houve a tentativa de emplacar uma lei insana, genocida, a que permitiria a policiais matarem pessoas sem serem punidas, “desde que sob forte emoção ou sensação de medo”… (sic…) – alguém me diga, por favor, se em qualquer país realmente civilizado no mundo, alguém já propôs aberração igual!

Vieram 500 dias de falas vazias, acobertamento de crimes cometidos, uma tentativa canhestra de fazer chantagem com os ministros do STF para que a Vaza Jato fracassasse, veio o começo do fim.

E veio a UTI do sr. Moro, quando acreditando no poder infinito da Globo, saiu do governo de Jair atirando, mas eram balas de festim, o suspense em que deixou o país mal durou três dias… E, pela primeira vez, Sérgio soube o que era enfrentar o ódio, quando num capítulo digno do próprio Mefistófeles, sua criatura, o ser que chegou à presidência pelo conjunto da obra de suas mãos, liberou a matilha para caçá-lo nas redes sociais.

Os últimos meses da novela “A decadência aterradora de um ex-juiz todo-poderoso”, todos conhecemos: a ligação política a figuras como Kataguiri e “Mamãe falei”, a adesão ao “Podemos” de Álvaro Dias, os conflitos mal explicados envolvendo dinheiro para a campanha, o vexame de jamais sair de 7% de intenção de votos, e a humilhação derradeira, de ver dezenas de políticos lhe negando apoio, acolhida, alianças, candidatura…

Dos dezenas e dezenas de milhões de brasileiros que festejavam o JUIZ, quantos, hoje, celebram o homem, nu, sem o poder da toga?

O que é vazio de conteúdo, de verdade, de justiça e dignidade, vira fumaça com o tempo. É uma lei natural da vida…

“O que tem de ser tem muita força. Tem uma força enorme!”

Sim, sabemos que em relação à justiça, nem sempre é assim…

Em relação a Sérgio Moro, foi. A sentença da ONU foi a pá de cal!

O MUNDO INTEIRO AGORA SABE QUEM É SÉRGIO MORO!

Seu destino finalmente o encontrou depois de tanta perversidade e arrogância: a decadência aterradora, merecida e irreversível de Sérgio Moro.

E ele terá décadas para vivenciá-la.

A vida, às vezes, é justa!

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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  1. LC

    30 de abril de 2022 5:42 pm

    Eduardo Ramos. Que análise perfeita . Sem a “toga de juiz” de Sérgio Moro não sobra nada. No seu narcisismo ele deve ter pensado que os partidos estariam brigando para tê-lo em seus quadros. Ele é o próprio auto engano e a magistratura brasileira deveria estar criando mecanismos para evitar o aparecimento de outros “MOROS” em suas fileiras.

  2. Mário

    3 de maio de 2022 6:53 am

    Perfeito! Descreveu o marreco e onde ele chegou perfeitamente.

  3. Cecília

    3 de maio de 2022 9:42 am

    desMOROlizado ser. Ex juíz/ministro tem que ser defenestrado do meio político e da justiça. Esse homem pretendeu o poder a todo custo. Destruiu empresas e criou milhões de desempregados, como se não bastasse, deu a chance ora aberração do boçalNARO ir para Brasília e acabar com o Brasil. #forabolsonaro

  4. Ramon Mendonça

    3 de maio de 2022 7:46 pm

    Sim, Sergio Moro é produto desse Brasil dark web, na falta de melhor classificação, pois chamá-lo de conservador seria uma ofensa a esse pessoal. Ele é, sim, de extrema-direita, tosco, dado a sua parca intimidade com o idioma de Camões. Ter uma parte da sociedade que o vê como um herói justiceiro, nos dá um retrato desolador da estultice de uma classe média e rica que chega a nos espantar.

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