Assim como Tony Kinnet criticou a grande mídia estadunidense por reportar o atentado contra Donald Trump do último sábado (13) com cautela, privilegiando a menção ao que era possível ver nas imagens até alcançar uma apuração final, as redes sociais da extrema-direita brasileiras se apoiaram no mesmo discurso. Alegando sofrer censura e repressão por parte dos setores ditos progressistas, bolsonaristas tentam virar o jogo sobre quem oferece perigo a quem na esfera política do país.
Em seu artigo para a Revista Oeste “O progressismo assassino que tentou matar Trump é o mesmo que tenta matar a liberdade no Brasil”, Adrilles Jorge condensa o sentimento da extrema-direita ao apontar a existência de censura e repressão contra a direita ao longo do continente. Jorge critica a cobertura brasileira do caso, por ter esperado defini-lo como um ataque. “A mídia brasileira num primeiro momento negou que tentaram matar Trump. Chegaram a dizer que o ex-presidente americano caiu e que eram barulhos que se assemelhavam a tiros, mesmo diante da cena explícita de Trump ensanguentado no palanque”, ressalta.
Ao traçar um paralelo entre na tentativa de homicídio contra Jair Bolsonaro (PL), durante a campanha presidencial de 2018, com o atual ataque contra Donald Trump, Jorge afirma que “aqui no Brasil, até agora, o atentado à verdade, à liberdade e à democracia têm funcionado bem melhor que a tentativa de assassinato a Donald Trump”.
“Esta é a imprensa que quer sugar o dinheiro do povo brasileiro, apoiando projetos antidemocráticos como o PL da Censura que eles chamam de PL “das Fake News”. Nunca foi para “combater fake news”, declarou a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ao criticar a cobertura da rede Globo por não afirmar que havia sido um atentado contra a vida de Trump logo nas primeiras horas.
As redes sociais do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estão agitadas desde o atentado contra Trump. Sua primeira mensagem compartilhava postagem de Eric Trump. “Acredite em mim, ele já está eleito. Passamos pela mesma situação e sabemos quem é o inimigo, assim como vocês”, dizia Eduardo.
O filho 03 compartilhou uma declaração de solidariedade a Trump feita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, legendada em inglês. “Somente pessoas conservadoras são sofrem atentados, reparou?”, indaga Jair ao comparar o ataque que sofreu em 2018 ao ocorrido contra Trump.
O ex-presidente Jair Bolsonaro emitiu uma mensagem em solidariedade a Trump e fazendo votos por sua recuperação.
Além do apoio prestado, Bolsonaro divulgou um vídeo em que Mauro Luís Iasi, membro histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), discursa durante o 2 Congresso Nacional da CSP-Conlutas. O ex-mandatário tenta justificar a violência sofrida por Trump como um exemplo do programa da esquerda. Na parte divulgada, Iasi diz:
“Nós sabemos que você é nosso inimigo, mas considerando que você como afirma é uma boa pessoa, nós estamos dispostas a oferecer a você o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala! E depois vamos oferecer uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo, nenhum diálogo: luta!”.
A fala remete ao poema “O interrogatório do homem de bem”, do poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht, escrito no contexto da Segunda Guerra.
Entre aqueles que criticaram a cobertura da mídia estadunidense sobre o atentado foi o proprietário da rede social Rumble, Chris Pavlovski, afirmando que “o Consórcio da mídia é o inimigo do povo e inimigo da nação”. A mensagem foi compartilhada por Eduardo Bolsonaro.
A conta oficial da plataforma de vídeos que abriga conteúdo de extrema-direita declarou apoio ao ex-mandatário. “Estamos com o presidente Trump e toda sua família. Que Deus abençoe a América”.
Diante das declarações de André Janones alegando se tratar de um ataque fabricado no sábado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que enviaria um ofício à Embaixada dos EUA.
Em 13 de julho, Thomas Matthew Crooks realizou um atentado contra o comício de Donald Trump na Pennsylvania, nos Estados Unidos. Trump foi atingido de raspão na orelha, enquanto um participante morreu e mais dois foram internados em estado grave.
Crooks foi abatido usando uma camisa do canal de Youtube Demolition Ranch, criado pelo veterinário texano Matt Carriker. O canal tem quase 700 vídeos desde 2011 e conta com 11.6 milhões de inscritos. A proposta é exibir demonstrações, experimentos, reviews de armas, além de manejo e dicas de segurança com armas de fogo. Em 2018, Carriker foi fotografado ao lado do filho de Donald Trump, Donald Trump Jr.

Carriker se diz chocado e compartilhou em suas redes sociais que um comunicado oficial seria lançado em breve.
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