4 de junho de 2026

A ficha caiu, por Saul Leblon

Sugestão de BRAGA-BH

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

da Carta Maior

A ficha caiu

A fatalidade de um arrocho doloroso, ganhe quem ganhar, é o novo bordão do jogral do Brasil aos cacos. A receita foi condensada em editorial do Financial Times.

por: Saul Leblon 

Arquivo

Nenhuma frase resume de forma tão incisiva o cavalo de pau ocorrido na política brasileira nos últimos 20 dias –a forma como ele se deu, a intensidade do confronto que o desencadeou e os seus desdobramentos para o futuro– quanto o desbafo da presidenta Dilma Rousseff na última 6ª feira.

Em entrevista a um grupo de blogueiros, ‘sujos, ideológicos’, como a eles se refere o higienismo isento, a candidata explicitou assim o divisor que marcará o seu possível segundo mandato: ‘Terei um embate (político) mais sistemático; não serei mais tão bem comportada; me levaram para um outro caminho, que não era o que eu queria’.

Nenhuma liderança responsável escolhe o caminho do embate sistemático como sua primeira opção.

Um chefe de Estado tem obrigação de esgotar as linhas de menor resistência na consecução de seus compromissos.

A rotina de confrontos carente de uma correlação de forças pertinente, não raro imobiliza a sociedade, asfixia a economia, prejudica, em primeiro lugar, os mais pobres.

A história de Dilma não autoriza ninguém a caracterizá-la como uma mulher desprovida de coragem pessoal e política.
São essas referências que adicionam abrangência superlativa ao desabafo da presidenta e candidata.

Mais que isso.

Sua assertiva ecoa um sentimento coletivo no campo progressista. Inclua-se aí o estado de espírito da ala majoritária do PT, da qual faz parte a principal liderança política do partido e do país: Lula.

Em três mandatos presidenciais sucessivos predominou nesses protagonistas a determinação de restringir o confronto direto com os interesses conservadores na faixa de segurança permitida por uma correlação de forças adversa.

O marcador mais significativa dessa adversidade é a própria abrangência da coalizão de governo. O que antes parecia uma contingência administrável –ainda que a um custo político cada vez mais asfixiante— evidenciou nestas eleições os contornos de um ciclo esgotado.

Três fatores convergiram para essa condensação:

1) o desespero conservador com possibilidade de um quarto ciclo presidencial fora do poder –o que poderá significar a morte do PSDB;

2) a redução da margem de manobra na economia, após seis anos de crise mundial, gerando insatisfação e rupturas – entre as quais alinham-se as manifestações de junho do ano passado, e

3) o surgimento de uma candidatura competitiva, capaz de reabrir as portas do poder ao conservadorismo – e a um revival extremado do modelo neoliberal dos anos 90.

No final de agosto esse conjunto formava um aluvião anti-Dilma.

Era tão denso que expoentes do colunismo conservador ejaculavam precocemente a derrota irreversível do ‘lulopetismo’.

O catalisador do êxtase, a candidata Marina Silva, chegou a abrir 10 pontos de vantagem, então, nas enquetes de 2º turno do Datafolha.

O resto é sabido (leia ‘Uma semana para não esquecer’; nesta pág)

O sinal de alarme ensejou no PT o fulminante arremate de uma inquietação disseminada, mas que aguardava o safanão de uma crise para emergir .

Em um encontro de balanço da campanha em São Paulo, dia 5, coube a Lula sintetizar a lição da qual tampouco não se eximia:

‘Nós ficamos economicistas; não nos faltam obras, mas política’, diagnosticou para prescrever o antídoto: ‘Temos que demarcar o campo de classe dessa disputa: é preciso levar a política à propaganda’.

A partir de então a essência radicalmente neoliberal embutida no programa de Marina Silva passou a ser floculada do espumoso caudal de 242 páginas.

O extrato dessa depuração tem sido exposto à luz do sol em uma narrativa pedagógica, determinada a tipificar um a um seus riscos históricos, estratégicos e sociais.

Pertence à mesma mutação em curso o desabafo feito pela Presidenta Dilma na entrevista aos blogueiros, na 6ª feira passada.

Dilma passou a dar nomes aos bois.

Porém, mais que isso.

Anunciou que num eventual novo governo, essa dimensão do embate político, mitigada pela prioridade administrativa da gestão, passará a desfrutar de espaço nobre.

Pode-se argumentar que se trata apenas de um arroubo dirigido a plateia receptiva.

E que tudo voltará a ser como sempre –na verdade, muito pior– caso as urnas de outubro concedam um quarto mandato presidencial ao PT.

Afinal, a fatalidade de um ‘arrocho doloroso’, ganhe quem ganhar, é o novo bordão do jogral do Brasil aos cacos.

É assim que o conservadorismo se calça, diante da eventual vitória do PT, tentando desde reduzi-lo a um frango desossado da Sadia, que só se equilibra espetado em interditos e ajustes incontornáveis.

Ou não será isso que o editorial do Financial Times adianta neste sábado?

Referência dos mercados internacionais –e das pautas nacionais, ao lado da Economist, o diário londrino afirma que a redução em curso na liquidez mundial, por conta da proximidade da elevação dos juros nos EUA, exigirá ‘uma quase inevitável’ e ‘dolorosa correção em países como Brasil, Turquia e África do Sul’.

Por ‘dolorosa’, entenda-se: choque de juros, arrocho fiscal, redução do poder de compra das famílias assalariadas, privatizações (‘flexibilizar o pré-sal’) etc

Sim, a agenda da frente única do conservadorismo que assessores de Marina e Aécio tem vocalizado às platéias extasiadas de banqueiros e com a qual se pretende depenar o PT num eventual segundo turno em outubro.

A receita vendida pelo conservadorismo talvez fosse inevitável, de fato, se o desabafo de Dilma e de Lula nestas eleições significasse apenas um ponto fora da curva.

Um rompante, e não a trajetória final da ficha que acelerou sua aterrisagem no discernimento do partido nos últimos anos.

O acelerador dessa curva tem um motor turbinado.

Seu combustível é o ponto de exaustão atingido pelas relações entre o partido, seus dirigentes e a mídia conservadora.

Marmorizada de ódio político e desrespeito pedestre, a guerra fria cabocla contra o PT ensejou uma experiência de acuamento até certo ponto nova na existência do partido – ainda que virulenta para saturar um ciclo.

Círculos dirigentes e militantes mais antigos não experimentaram nada parecido antes. Nem mesmo na sua origem, nos anos 70/80, quando operários do ABC se colocaram frontalmente contra o regime militar, em desafio aberto ao poder armado e empresarial.

Sedimentou-se ali, ao contrário, com base em uma cumplicidade que parecia ampla e sólida, a suposição de que haveria da parte da imprensa se não apoio, ao menos respeito com o avanço da luta dos trabalhadores.

Mais que isso: tolerância com a criação de um partido próprio, de recorte socialista ecumênico.

Ancorada na intensidade histórica de uma fase alegre dos consensos democráticos, criou-se assim uma jurisprudência petista.

A mediação com o conjunto da sociedade, embora marcada pela má vontade de chefias e donos de jornais, estava sendo feita a contento pelos meios de comunicação.

Até o 2º governo Lula, o PT nunca incluíra entre as suas prioridades efetivas a d regularizar o sistema de comunicação existente para torná-lo mais plural.

Do mesmo modo, nenhum dirigente histórico deu ao projeto de construção de uma mídia própria, a prioridade política, financeira e mobilizadora devotada, por exemplo, a uma campanha eleitoral.

A proximidade com os jornalistas – muitos dos quais renunciariam a cargos e carreiras para se engajar na construção do partido e nas campanhas eleitorais dos tempos pioneiros- cevou ilusões.

O trânsito fácil com a imprensa sugeria haver espaço a ocupar na caixa de ressonância da grande indústria de notícias.

Um consenso algo ingênuo, algo acomodato exergava uma margem de manobra nas redações; a cota de tolerância não se esgotara.

A derrota para Collor em 1989, quando a Globo manipulou a edição do debate decisivo da campanha, e deu quase dois minutos adicionais ao ‘caçador de marajá’ no Jornal Nacional, abalou essa inércia.

Mas não construiu uma novo diagnóstico político, forte o suficiente para renovar a agenda em relação ao poder midiático.

A liderança de massa de Lula atingiu seu auge e reverberou no país durante os oito anos que esteve à frente de um governo exitoso no plano social e econômico.

O prestígio esmagador dentro e fora do Brasil empalideceu o cerco midiático diante da obrigatoriedade de se conceder espaço e voz ao Presidente.

O conjunto coagulou o debate petista sobre o papel da comunicação na construção de uma democracia social em um dos países mais desiguais do planeta.

Parecia desnecessário diante dos êxitos econômicos sucessivos que calavam uns e aciavam outros.

Nesse idílio escaparia a Lula e aos dirigentes petistas a brutal transformação em marcha no interior da mídia e na própria composição das redações.

Ao longo de duas década de polarização entre a agenda afuniladora do neoliberalismo e a da implantação de um Estado social tardio no país, o jornalismo brasileiro sofreria uma mudança qualitativa de pauta e estrutura.

A tentativa de impeachment de Lula em 2005, já no ciclo da chamada crise do ‘mensalão’ – que culminaria em 12 de novembro de 2013 com a condenação dos doirigentes José Dirceu e Genoíno à prisão – sacudiu a inércia petista com força pela primeira vez.

O espaço de tolerância acalentado ainda por emissários autonomeados, que traziam recados dos donos de jornais e revistas sobre o preço a pagar por uma trégua na escalada golpista, perdeu eco na cúpula do governo.

Lula, a contrapelo dos punhos de renda do petismo, recorreu então ao movimento sindical.

A palavra ‘golpe ‘ foi entronizada no discurso da resistência – para horror dos que teimavam em buscar um acordo com o dispositivo midiático conservador.

Numa quadra de clamorosa falência do projeto neoliberal, o tridente udenista da corrupção e a demonização da esquerda como sujeito histórico degenerado, pôs-se a campo ainda como mais força, a partir de então.

Tornou-se a pauta-jogral de um dispositivo midiático reestruturado para esse fim.

Qual?

Fazer do segundo mandato de Lula a evidência de que essa dissonância histórica não seria mais tolerada na democracia tutelada pelo poder do dinheiro.

Instalou-se um termidor antipetista nas redações.

A ilusão na mídia como ambiente democrático permissivo à formação da consciência crítica e progressista da sociedade deixou de existir.

A percepção dessa ruptura e os desdobramentos políticos que ela acarreta cristalizaram-se no linchamento midiático que orientou as togas inebriadas pelos holofotes, na Ação Penal 470.

O que Dilma está dizendo agora, portanto, não é um acidentre de percurso.

Está sedimentado nas estocadas de uma espiral virulenta que , como ela mesma diz, ‘me levaram para um outro caminho, que não era o que eu queria’

A ficha da crispação conservadora caiu definitivamente nesta campanha de 2014.

O PT e sua propaganda redescobriram que não se faz política sem definir o adversário, dizer o que ele representa, por que precisa ser derrotado, as perdas e danos de se entregar o país de volta ao poder conservador.

Por enquanto isso é feito na janela que o horário eleitoral abriu ao partido em meio ao monólogo conservador que dá aos dois minutos de Marina uma extensão de horas.

Mas e depois que ela se fechar outra vez?

‘Vou fazer a regulação econômica da mídia’, sacramentou Dilma na entrevista da 6ª feira aos blogs ‘sujos e ideológicos.

Isso não é pouco.

Não apenas pelo efeito esclarecedor que exerce na opinião pública, hipnotizada pelo jogral do Brasil aos cacos.

O que Dilma está vocalizando é uma agenda, não uma medida solteira.

Se socialismo é levar a democracia às suas últimas consequências, a pluralidade da informação que isso requer não pode ser confundida com a disseminação de tabletas e celulares de última geração entre os brasileiros.

A disjuntiva que se coloca é entre a livre formação do discernimento político da sociedade ou a sua subordinação a um aparato claustrofóbico de difusão, que se avoca o direito de enclausurar a formação da opinião pública brasileira em pleno século XXI.

Não se trata de uma queda de braço ideológica, tangencial à gestão progressista do Estado.

É um problema do desenvolvimento brasileiro.

A presidenta Dilma incorporou a chave da eficiência às prioridades do seu governo.

Com razão: é obrigação progressista zelar pela cuidadosa aplicação dos fundos públicos, erigir um Estado transparente, capacitá-lo a mobilizar recursos e coordenar as ações da dura luta pelo desenvolvimento soberanoe e justo.

Durante muito tempo, porém, errou-se ao não afrontar as demais intercorrencias da agenda do Estado mínimo.

Entre elas a gororoba ideológica construída em torno da lingérie mais reluzente do conservadorismo: o fetiche da autossuficiência da gestão.

Confunde-se a opinião pública ao endossar falsas convergências redentoras, a exemplo do ‘fazer mais com menos’, que omite a verdadeira luta de sabre para dividir a fatura da crise e instaurar o passo seguinte do desenvolvimento. Ao não distinguir uma coisa de outra, corre-se o risco de endossar a tese que pretende equacionar a desordem atual com poções adicionais do veneno que a originou.

O colapso neoliberal trouxe para o colo do governo uma crise da qual a Nação é vítima e não sócia; as forças progressistas são adversárias, não co-autoras.

O nome da crise não é PT, não é gastança, não é Petrobrás, não é desrespeito ao tripé, como quer a constrangedora declamação de Marina Silva.

O nome da crise é capitalismo desregulado, é supremacia financeira, é a desenfreada ferocidade com que os capitais fictícios exigem um mundo plano de fronteiras livres e desimpedidos , por onde possam transitar à caça de fatias reais de uma riqueza, para a qual não se dispõem a contribuir, apenas se apropriar em espirais de bolhas recorrentes.

A dissonância de um Brasil que se propõe a construir um Estado de Bem-estar social tardio, regulado e soberano, precisa ser sufocada para que o fluxo incorpore esse promissor naco da riqueza mundial ao seu circuito.

‘Não há alternativa’, dizia Margareth Tatcher nos anos 70.

Quarenta anos depois e uma colapso da ordem neoliberal que se ombreia à crise de 1929, é o que continuam a dizer Aécio, a doce Marina e a mídia que os ancora.

É o que continua a pontificar o editorial do Financial Times, a vaticinar ‘um arrocho doloroso’ para o Brasil, ganhe quem ganhar as eleições do próximo domingo.

Os desequilíbrios de fato existem. Não se incorpora 60 milhões de ex-miseráveis e pobres ao mercado sem mexer nas placas tectônicas de uma ‘estabilidade capitalista’ alicerçada em uma das mais desiguais estruturas de renda do planeta.

Há duas opções: avançar dar coerência estrutural e política à emergencia desse novo ator, ou recuar e devolvê-lo àmargem de origem. Custe o que custar.

Será ‘doloroso’ , avisa o Financial Times,sobre aquilo que Aécio, Marina e o colunismo isento vendem como virtude.

Para fazer diferente não basta buscar atalhos na gestão da macroeconomia.

A macroeconomia não é de esquerda, nem de direita.

Quem adiciona coerencia à macroeconomia do desenvolvimento é correlação de forças da sociedade em cada época.

Para fazer diferente do que a frente única do conservadorismo apregoa será necessário coordenar as linhas de passagem de um novo ciclo histórico repactuando metas, concessões, prazos, avanços e salvaguardas com o conjunto das forças sociais.

Isso requer uma mídia pluralista para que possa acontecer. Foi essa sucessão de contingências que fez cair, definitivamente, a ficha histórica do PT em plena eleição de 2014.

A consciência desse aggiornamento estratégico talvez seja uma vitória tão importante quanto vencer no próximo domingo. Porque só assim será possível honrar os compromissos com a sociedade nos próximos quatro anos.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

29 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Henrique Chaguri

    30 de setembro de 2014 5:06 pm

    Parabéns. Espetacular. É
    Parabéns. Espetacular. É chegada a hora. Vamos pra cima e para a esquerda.

    1. Motta Araujo

      30 de setembro de 2014 5:24 pm

      Para a esquerda e para a

      Para a esquerda e para a ruina total, se precisa de exemplos basta a Venezuela e a Argentina.

      1. Heart

        30 de setembro de 2014 9:03 pm

        Quem deixou o rombo nas
        Quem deixou o rombo nas contas do país foram os neoliberais, precedidos pelos militares.

      2. jossimar

        30 de setembro de 2014 9:33 pm

        A vida está dura. Para a

        A vida está dura. Para a direita também. Vide aqueles países da UE.

        E os EUA? se a máquina que tem no quintal para imprimir moeda quebrar. será que ficam de pé?

      3. sergio m pinto

        30 de setembro de 2014 9:41 pm

        E para a direita, Grécia,

        E para a direita, Grécia, Espanha, Portugual, Itália. Quer mais?

  2. Jorge Leite Pinto

    30 de setembro de 2014 5:14 pm

    Apesar do conteúdo ser

    Apesar do conteúdo ser verdadeiro, o texto é muito longo e prolixo, pra não dizer chato!

     

  3. Fabio.

    30 de setembro de 2014 5:24 pm

    Ultima chance para o PT

    Ultima chance para o PT acertar o passo.

  4. rundfunk hörer

    30 de setembro de 2014 5:38 pm

    Tomara que não seja fogo de palha da D. Dilma

    Análise magistral.

    No entanto eu me preocupo se, passada a aflição destes tempos de elição, quando a mídia fica bem mais assanhada, as coisas não voltem a se acomodar e aquele bando de fisiológicos do PT, tipo Vaccari, P.Bernardo, Gleisi, J.E.Cardoso, etc, voltem com seus panos quentes.

    Essa turma é mais daninha que todo o PMDB junto, incluindo o Sarney. Dilma tem que se livrar deles o quanto antes para poder concretizar os avanços que diz querer promover.

    Ou vocês acreditam que esses petistas aí em cima topam arriscar seus carguinhos e tetas copiosas numa luta por reforma política e por um avanço civilizacional da nação?

    1. Franbeze

      30 de setembro de 2014 5:53 pm

      Assino em baixo

      É muito estranho que a Dilma, o Lula e o PTnão enxerguem isso. No PT está cheio de tuCANALHAS enrustidos e é muito fácil de enxergar um tipinbho desse  

    2. NICKNAME

      30 de setembro de 2014 9:48 pm

      foste piedoso

      Ok! Mas foste piedoso. Não há só fisiologistas, nem apenas tucanalhas enrustidos. Há alguns dos ditos combativos (esse parece um termo em desuso), petistas desde criancinhas, arrivistas, alguns tão hábeis que se tornam acima de qualquer suspeita (menos mal que, embora tardiamente, algumas antenas da Direção Nacional já detectaram). Mas o que acho ainda mais danoso é a nossa falta de educação, de formação, que certamente há, porém muito restrita a pequenos grupos ou correntes internas. Quaisquer vacilos e erros (errar é de todos nós), lá se vão bases, militantes atrás. Posso ser um tipo de sonhático ao me perguntar por que o PT não tem uma revista nacional (uma Tendência&Debates não vale), um jornal nacional (que seja encontrado pelo menos nalgumas bancas). E/ou um site (eu ainda acho mais eficiente uma publicação em papel, por motivos que acho tão óbvios que não listo). Não acho que seja querer demais. Não estou sugerindo,nem sonhando com uma New Left Review que não tem medo de publicar autores da direita inteligente. Entendo que o melhor debate é (também) entre os diferentes, de modo civilizado.

  5. lu

    30 de setembro de 2014 5:42 pm

    Artigo fantástico! Ponto de

    Artigo fantástico! Ponto de partida de muita reflexão daqui para a frente. Parabéns pela lucidez!

  6. Schell

    30 de setembro de 2014 5:48 pm

    Pelo menos, esse porta-voz

    Pelo menos, esse porta-voz dos de sempre, indica o reconhecimento de que perderam as eleições e que o PT terá, sim, o 4º mandato; pela pressa com que foram ao pote do “arrocho”, pode significar, inclusive, que a Dilma ganhará no 1º turno. Portanto, vencidos em suas candidaturas, e como não podem perder – também – a “envergadura dos abutres”, partem para o segundo tempo do mesmo jogo: que a nova Dilma seja coerente com os seus (deles) ensinamentos e que os brasileiros, desde já, entendam que o “jogo” se repetirá, por que eles é que (co)mandam a economia mundial. Será?

  7. Joao Pereira

    30 de setembro de 2014 6:39 pm

    Importante reflexao.

    Vamos esperar que a ficha tenha realmente caido.

  8. veras

    30 de setembro de 2014 7:03 pm

    Caramba! Que análise!

    Caramba! Que análise!

  9. altamiro souza

    30 de setembro de 2014 7:39 pm

    gosto das análises do

    gosto das análises do leblon.

    muito legal.

     

  10. Ricardo Pereira

    30 de setembro de 2014 8:00 pm

    Saul o bom

    Como escreve bem este jornalista! Seus artigos sao longos mas suas analises tem se revelado bem acuradas e de acordo com todos os prognosticos que nós, frequentadores deste blog, temos plena consciencia.  Que o monopolio global seja desfeito e que finalmente tenhanos nuestra ley de los medios. Confesso que o exemplo argentino aguça meus desejos de um pais mais pluralista. É preciso que nós, enquanto povo, cobremos da presidenta este compromisso e façamos nossa parte tambem para diminuir a influencia nefasta deste partido de oposiçao ao país.

  11. Giusepe

    30 de setembro de 2014 8:57 pm

    Texto irretocável! Como é bom

    Texto irretocável! Como é bom ler análises desse calibre.

    Assim como todo o poder deve emanar do povo, as grandes transformações sociais emanam da vontade de homens generosos e capazes, os estadistas.

  12. Conde de Rochester

    30 de setembro de 2014 9:15 pm

     Em volume financeiro o

     Em volume financeiro o Brasil situa-se entre as oito economias mundial.

    Os desequilíbrios de fato existem. Não se incorpora 60 milhões de ex-miseráveis e pobres ao mercado sem mexer nas placas tectônicas de uma ‘estabilidade capitalista’ alicerçada em uma das mais desiguais estruturas de renda do planeta.

    Quem adiciona coerencia à macroeconomia do desenvolvimento é correlação de forças da sociedade em cada época.

    A industria mal ou bem já esta estalada e mantém a sua fatia na sociedade brasileira. De acordo com o estudo, a desindustrialização no Brasil começou na década de 1980, após a participação do setor no PIB atingir um pico de 27,2%, hoje esta por volta de 23%.

    O agronegócio é um setor sadio da economia que não se contamina com nada, nem com o pessimismo de outros setores.O balanço do ano aponta que em 2013 o crescimento do PIB do setor foi de 3,6% em relação ao valor do ano passado. O crescimento se deu mesmo com uma queda de 10% na média dos preços internacionais das commodities agrícolas e fará com que a participação do agronegócio do PIB no país chegue a 22,8% contra 22,5% em 2012.

    O desenvolvimento econômico do Brasil tem sido impulsionado nos últimos tempos não mais pela atividade industrial, mas principalmente pelo setor de serviços. Com diversos tipos de negócios e necessidade de investimentos mais baixos, comparado às empresas que trabalham com produtos, o setor de serviços representa atualmente quase 70% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e é considerado o maior empregador do país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Então lembrando o texto acima. Para fazer diferente do que a frente única do conservadorismo apregoa será necessário coordenar as linhas de passagem de um novo ciclo histórico repactuando metas, concessões, prazos, avanços e salvaguardas com o conjunto das forças sociais.

    O Brasil esta maduro, já possui um mecado interno forte e pujante, cabe aos governantes olharem para dentro, da mesma forma que patrocinam e turbinam os setores financeiro, bancário, como apoiou o agronegocio e a industria, chegou a hora de turbinar literalmente com a atividade deste mercado domestico. Apoiar, dispor de credito substancial da mesma forma que o credito foi disponivel para o consumo, exagerado e responsável da inflação atual, não precisa exagerar,não tem este negocio de medidas duras de neoliberalismo de teorias econômicas, isto tudo é fumaça para não se fazer o que tem que ser feito.

    A nova ordem é o fortalecimento da atividade do setor de serviço, desde o camelo das esquinas, aos resorts do turismo.

    O tal do espírito animal tem que ser despertado no pequeno negocio, é ai que esta a ultima sustentação que tornara o Brasil o Pais prospero que queremos.

     

  13. Gringo

    30 de setembro de 2014 9:52 pm

    Nada a acrescentar. O texto é

    Nada a acrescentar. O texto é definitivo, brilhante. Um diagnóstico perfeito.

    Gringo

  14. Osvaldo Ferreira

    30 de setembro de 2014 10:26 pm

    Belíssima análise!!!

    Belíssima análise!!!

  15. Otaviani

    30 de setembro de 2014 11:17 pm

    Instinto de sobrevivencia

    A agua bateu no queixo,a chamada de Lula para a luta politica vem do feeling dele sobre o momento,o PT e suas lideranças estavam na berlinda,se podia “sentir” claramente na redes,nas conversas com simpatizantes.O cansaço,a raiva,a decepção de so, tomar porrada,12 anos ,”um chefe de estado tem obrigação de esgotar as linhas de menor resistencias na consecução de seus compromissos “,é muita indulgencia.Por muito menos,e por muitissimo menor tempo lideranças sul americanas fizeram valer a democracia,fortalecer as intituições,enfrentaram monopólios e interesses econômicos.O PT e seus dirigentes ja passaram em muito o ponto fora da curva,Sentiram que se perdersem a eleição,e falo apenas restritamente ao partido,este racharia,seria mergulhado em uma crise,haveria uma caça as bruxas,Cardoso,Bernado,Mercadante teriam suas cabeças pedidas.Dilma sofreria um desgaste muito maior,por não ter feito o que diz que fará agora.Não há mais como o PT ,Dilma,Lula postegarem mais este embate.Ou vai agora,ou o partido não tera mais a credibilidade,a fiança necessária para avançar.

    1. Otaviani

      30 de setembro de 2014 11:24 pm

      um ps

      Em Minas,ja é certo a vitória de Pimentel no primeiro turno.Mas uma vitória com gosto de chop aguado.Como outras figuras ja citadas,Pimentel é outro bem a direita do PT.Temos convivido com a péssima e truculenta administração da capita mineira na mãos do Lacerda,figura eleita com aval conjunto de Pimentel e Aecio,o famoso “Pimentécio”.

    2. lenita

      2 de outubro de 2014 3:09 am

      Eu concordo plenamente com a

      Eu concordo plenamente com a sua fala. Podes crer! Abraços

  16. lenita

    1 de outubro de 2014 12:49 am

    Excelente artigo ! Tem alguns

    Excelente artigo ! Tem alguns que não gostam, mas fazer o que , né?

    1. Otaviani

      1 de outubro de 2014 3:14 pm

      democracia

      Este é um espaço para discussões,não para obrigatóriamente ser obrigado a gostar seguindo como rebanho.O respeito a divergencia é primordial para um melhor aprofundamento da análise,aprimoramento dos temas e informações.Ja dizia o poeta que toda a unanimidade é burra.Porfavor seja cidadã e deixe eu exercer meu direito a opinião.Se discorda critique o conteúdo,e não o autor,que considero,desrespeitoso.

      1. lenita

        2 de outubro de 2014 3:07 am

        Virgem Maria ! A tensão pré

        Virgem Maria ! A tensão pré eleição está deixando todos com nervos à flor da pele. Não foi a vc que me referi, mas sim ao Motta Araújo. “Mas tem gente que não gosta” o que terá de ofensivo nesta frase que te deixou irritado assim ? Onde é que nós estamos? Eu gosto do blog justamente por ele ser muito democrático e colocar matérias  variadas. Calma meu rapaz !

  17. Tapuia PI

    1 de outubro de 2014 1:21 am

    Análise perfeita. Só

    Análise perfeita. Só esperemos que realmente ocorra esta mudança.   

  18. Noir

    1 de outubro de 2014 3:19 am

    Nada a acrescentar. Apenas

    Nada a acrescentar. Apenas aguardar que tudo se realize.

    Vamos lá.

     

  19. JB Costa

    1 de outubro de 2014 4:56 pm

    “Ajuste doloroso”. Para quem,

    “Ajuste doloroso”. Para quem, cara-pálida? Ora, para os de sempre. Essa é uma das frases mais cínicas e sinistras que ao longo do tempo o capitalismo sem peias, principalmente na sua versão “financista-mercadista”, impinge à humanidade. Comem o filé, deixando-nos os ossos. Quando deles extraímos um “caldo” substancioso é preciso também desapropriá-lo  para o  bem da “macro economia”.

    Claro que esses últimos doze anos e suas inflexões(não satisfatórias, mas as possíveis) nas áreas econômica, social, geopolítica, política, instituccional, não poderiam ficar impunes. Basta de tanta bonança para “os de sempre”.

    Bela reflexão, a desse jornalista. Efetivamente, essa trégua tem que ser rompida. Quatro mandatos sucessivos(se, claro, houver vitória neste último pleito) dão o suporte necessário para isso. 

     

Recomendados para você

Recomendados