4 de junho de 2026

A questão dos ministros e do peso na governança

Por Motta Araujo

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Comentário ao post “O significado da indicação de Mercadante para a Casa Civil

Uma questão que se impõe: pode um grande país, de 200 milhões de habitantes, se impor no mundo e deslanchar sua economia com uma coleção de Ministros frágeis, com raras e boas exceções como Aldo Rebelo, político tarimbado e de longo carreira, Presidente da Câmara, no governo anterior havia Ministros mais consistentes como Luis Furlan, Roberto Rodrigues, Adib Jatene entre outros.
 
O Governo Vargas de 1950 se iniciou com uma constelação de estrelas ministeriais, nomes CONHECIDOS NACIONALMENTE, testados e comprovados em uma trajetória de vida e realizações de peso.
 
Na Fazenda Horácio Lafer, líder da indústria paulista, com grandes empreendimentos e conexões no exterior, nas Relações Exteriores João Neves da Fontoura, condestável gaúcho que veio com a Revolução de 30, suas memórias primorosamente escritas são um retrato da época de ouro da poítica brasileira, na Justiça Francisco Negrão de Lima, de tradicionalíssima família politica mineira, Negrão de Lima foi o costureiro do Estado Novo de 1937 ao visitar cada Interventor para preparar o autogolpe de 10 de Novembro, no Trabalho Danton Coelho, outro gaúcho histórico, famoso nos sindicatos e no Jockey Club Brasileiro, de onde despachava, no Banco do Brasil Ricardo Jafet, outro peso pesado da indústria paulista, na Agricultura João Cleofas, político famoso, na Casa Militar o General Ciro do Espirito Santo Cardoso de tradicional família militar (tio de FHC) e na crucial Casa Civil o célebre Lourival Fontes, inventor e chefe do DIP no Estado Novo, marido de Adalgisa Nery, da melhor intelectualidade da época, qualquer lavrador dos cafundós do Brasil sabia quem era Lourival Fontes, personagem de cantadores e historiadores. Depois, no mesmo Governo entraram Oswaldo Aranha na Fazenda e Tancredo Neves na Justiça, nomes que dispensam narrativas.

 
Nomes estelares, conhecidos em todo País, traquejados e experientes, as caras deles estavam nos jornais por décadas, circulavam na sociedade, nas letras, na vida intelectual.
 
Hoje temos o que? Nomes que são desconhecidos em seus próprios Estados, ninguém sabe quem são, de onde vieram e o que propõe fazer, representam o que?
 
A cara internacional do Brasil já teve um Joaquim Nabuco, um Afrânio de Melo Franco, um Roberto Campos, um Delfim Neto, um Walther Moreira Salles, agregavam ao governo o peso de seus currículos e conexões.
 
Através dos séculos nomes com grandes credenciais pessoais são necessários para dar estatura e ossatura à governança do País.. Talleyrand era tão fundamental que representou a França em oito diferentes regimes, da Revolução de 1789 à Restauração Monarquica de 1818, passando pelo Imperador Napoleão.. Na antiga URSS a cara internacional do regime era mundialmente reconhecida em Chicerin, Mayski, Molotov e Gromyko, todos celebridades por si proprios. Na China de Mao a cara externa era o aristocrático Chu En Lai, até a proxima Argentina teve um Ministro de Relações Exteriores, Carlos Saavedra Lamas,  o Prêmio Nobel da Paz, na França nas Relações Exteriores um Alexis Leger, que com o pseudonimo de St.John Perse ganhou o Premio Nobel de Literatura.
 
E o novo Ministro da Saúde?  Alguém no Estado de S.Paulo já ouviu falar dele? Administra a saúde de um municipio de 400 mil  habitantes e num piscar de olhos passa a gerir a saude de 200 milhões, não é estranho? Em São Bernardo poucas saberão quem é esse senhor, secretário da saúde da cidade. E na presidencia do Banco do Brasil , maior instituição bancária do Pais, um nome que se for perguntado no centro de São Paulo ninguém sabe quem é.
 
O problema dessa escassez de peso na governança é que o Brasil precisa urgentemente de bons projetos, amplas reformas, ideias criativas, não adianta fazer só programas sociais, o Brasil precisa muito mais que isso, está chegando a Copa e as carencias começam a ficar mais evidenes, embora conhecidas há muito tempo.
 
Quem vai resolvê-las?
 
Estão brincando com governança, a conta vem no baixo crescimento e exibição de um organismo desconjuntado.
 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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8 Comentários
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  1. gersonm

    22 de janeiro de 2014 10:16 am

    Credenciais

    Compare as credenciais de FHC x LULA, em 1994, e agora.

    Se não dessemos oportunidade a Lula, só teriamos FHCs no governo.

    Dê oportunidade aos novos ministros e cobre deles resultados.

    Alias quais foram os resultados (como ministros) obitidos por esses magnificos acima mencionados.

    1. Motta Araujo

      22 de janeiro de 2014 12:08 pm

      De fato, Oswaldo Aranha não

      De fato, Oswaldo Aranha não fez nada, só a Revolução de 30, a consolidação da divida externa brasileira, as Conferencias de Havana e Rio de Janeiro de 1942 que tornou o Brasil um dos 8 Aliados na Segunda Guerra, depois do Secretario de Estado dos EUA Aranha foi o maior articulador da fundação da ONU e o primeiro presidente da Assembleia Geral, já o Governo Vargas de 1950 tambem bão fez nada, só a Petrobras, a Eletrobras, o BNDES e mais umas coisinhas.

      Nada disso tem importancia pois o Brasil foi criado por Lula em 2003, não é mesmo?

      1. Daytona

        22 de janeiro de 2014 3:25 pm

        Petrobrás, Eletrobrás e

        Petrobrás, Eletrobrás e BNDE(o BNDES só seria criado décadas mais tarde), todas organizações que sofreram forte oposição do grupo político de Neves da Fontoura.

  2. W K

    22 de janeiro de 2014 11:15 am

    Se nome já faz de alguém um ministeriável,

    porque não se põe a Gisele Bündchen, por exemplo, no Ministério das Relações Exteriores ? Afinal, ela sabe (ou deveria saber) inglês. Uma frase célebre dela, que “prova” seus vastíssimos conhecimentos internacionais:

    “As mulheres estão dying de câncer.” 

    O ministério em questão necessita principalmente de cuidar da imagem do Brasil, e a dita cuja sabe cuidar da imagem muito melhor do que muito marmanjo diplomata por aí, não é?

    (Claro, é só a imagem dela, mas isto é um detalhezinho tão irrelevante, como o apoio ecológico da francesa Alstome e da alemoa Siemens às aves emplumadas paulistas.) 

    Outras sugestões para outros ministérios? 

    1. Motta Araujo

      22 de janeiro de 2014 12:04 pm

      O tema do post é POLITICA e

      O tema do post é POLITICA e não industria da moda.

  3. Alexandre Weber - Santos -SP

    22 de janeiro de 2014 2:06 pm

    Ciro Gomes

    O que preocupa mais, na minha humilde opinião, são os Notáveis como o Ciro Gomes, que não aceitam a indicação de ministro da Dilma.

    Têm gato na tuba.

  4. Filipe Rodrigues

    22 de janeiro de 2014 2:27 pm

    O presidencialismo de

    O presidencialismo de coalizão impõe a nomeação de gente sem capacidade técnica para o cargo.

    Por ser uma “técnica” de carreira na administração pública, se esperava mais da Dilma, aconteceu o contrário, pela falta de capacidade política acabou se submetendo ao jogo burocrático.

    Certamente Alexandre Padilha foi quem mais se destacou, Mercadante deveria ter ficado na C&T do que ir para a Educação, Rebelo e Celso Amorim emprestaram suas experiências administrativas para o Esporte e Defesa.

    Já no governo Lula, o número de ministros competentes foi maior:

    O próprio Celso Amorim, Luis Fernando Furlan, Roberto Rodrigues, Roberto Amaral, Patrus Ananias, Tarso Genro, Fernando Haddad, Juca Ferreira (enquanto Gilberto Gil era o artista, Juca conhecia a máquina pública), a própria Dilma, etc.

    Um político profissional tem mais autonomia para formar uma equipe de governo, mesmo quando são muitos ministérios.

  5. Daytona

    22 de janeiro de 2014 3:23 pm

    Mais um texto abusado nos

    Mais um texto abusado nos adjetivos enquanto pobre no conteúdo.

    Neves da Fontoura foi um dos piores chanceleres da história do Brasil, fazia oposição à Vargas dentro de seu próprio governo, defendia a submissão aos EUA(daí os adjetivos infundados do Araújo, defensor ferrenho da sumissão aos interesses norte-americanos)era pivô do entreguismo na questão do Petróleo e dos minerais estratégicos.

    Tallerand, outro louvado por Araújo, era chamado por Napoleão de “merda em meia de seda”(“la merde dans un bas de soie”), inegavelmente um diplomata astuto e ardiloso, negociou com maestria a reintordução da Frnça no Concerto Europeu, explorando as rivalidades entre as demais potências, mas era um representante perfeito do Ancien Regime, um reacionário convcto.

    Araújo reclama grandes nomes, e Celso Amorim, o maior diplomata brasileiro desde o barão do Rio Branco?

    Concordo que houve retrocesso na política externa brasileira no governo Dilma(se comparado ao governo Lula, FHC não deixou saudades, só nos americanos, saudosos de quando seus presidentes tiravam fotos sorridentes, trepados nas costas do presidente brasileiro).

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