5 de junho de 2026

A televisão na eleição paulista, por Marcos Coimbra

Do Correio Braziliense

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A Televisão na Eleição Paulista

Por Marcos Coimbra

Enquanto o meio político concentra sua atenção na CPI do Cachoeira e no julgamento do mensalão, as eleições municipais avançam. Em alguns lugares mais, outros menos, já estão em pleno andamento. Tudo acontece, por enquanto, longe dos olhos da opinião pública.

O momento é de estruturação das campanhas e de negociações entre os partidos. Nas cidades médias e grandes, as pessoas demoram a se interessar pela eleição de prefeitos e vereadores. Ela motiva menos que a escolha de presidente e governador.

Nas menores, o inverso tende a ser verdadeiro. Os eleitores se envolvem e participam, conhecem os candidatos e sabem de que lado estão, quem são suas famílias, o que fazem na vida. As campanhas são parte do cotidiano, começam cedo e feitas olho no olho. Nas capitais, o engajamento costuma ser pequeno e tardio, o que leva a que, até perto do dia da votação, a indecisão permaneça elevada.

A informação a respeito dos candidatos só aumenta no final, depois que começa a propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Isso se reflete nas pesquisas. Como as que estão sendo feitas para as eleições deste ano. De norte a sul, quem lidera são, tipicamente, políticos conhecidos: ex-governadores, ex-prefeitos (e alguns dos atuais que buscam a reeleição), radialistas, comunicadores.

Desses, há os que são apenas “bons de largada” – candidatos que despontam nas primeiras pesquisas, mas que não conseguem se consolidar à medida que o processo eleitoral avança. Falta-lhes condição “de chegada”. Estar na frente, agora, nem sempre significa favoritismo efetivo.

Em São Paulo, o palco onde será travado o confronto que mais atenção suscita, os comitês de campanha dos principais candidatos estão a mil. Oficialmente, negociam com outros partidos em busca de apoio.

Na prática, no entanto, o que está em jogo é – quase unicamente – o tempo de televisão de cada um. A quem interessa, por exemplo, o “apoio” do PR – partido que poucas pessoas sequer sabem que existe? Será que alguém deseja exibir na propaganda o rosto do senador Alfredo Nascimento, eleito pelo Amazonas e presidente da legenda? Será que seu endosso traz qualquer benefício? E o do campeão de votos do PR, o deputado Tiririca?

Mas Serra estava, outro dia, comemorando o “apoio” do PR – sem se importar com o fato de Alfredo Nascimento ter sido demitido por Dilma em meio a denúncias de irregularidades no ministério dos Transportes.

O que queria era o minuto e pouco do PR. Nem tanto para aumentar a duração de seu “programa eleitoral” – o que será veiculado, a partir de 21 de agosto, em horário certo, de manhã e à noite, às segundas, quartas e sextas – e que pouca gente vê.

Mas para ter mais tempo de inserções – a mídia que realmente conta, pois atinge o universo do eleitorado. Fernando Haddad e Gabriel Chalita também procuram “apoios”. Na verdade, eles é que mais têm a ganhar se seu tempo de televisão aumentar: ambos podem crescer, pois ainda são pouco conhecidos – ou desconhecidos – por parcela importante do eleitorado da cidade.

Não é o caso de Serra, com seus quase 100% de conhecimento e mínimo espaço de crescimento. O que o tucano busca com os “apoios” que conquista não é, portanto, mais tempo para si mesmo. Sua meta é evitar que os adversários o obtenham.

Como se vê, tudo gira em torno da televisão – e do que se dá em troca de mais tempo. Propostas, projetos, ideologias, lealdades, trajetórias, coerência, coisas assim, nem entram nessas negociações. São detalhes.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados