A teoria do “Ciro-Putin” do artigo do Nassif no GGN
Por Eduardo Ramos
(sobre o artigo do Nassif no GGN: “Xadrez de Ciro Gomes, o projeto de Puttin brasileiro”)
Normalmente, eu custaria a crer que Ciro Gomes perdesse totalmente seus pendores pela democracia – me lembrando, por exemplo, que poucos brasileiros lutaram tanto e tão corajosamente contra a tentativa do impeachment de Lula, sejamos justos… – e chegasse a esse extremo tão insano quanto perverso, o de, enxergando a si mesmo como uma espécie de “salvador da pátria”, se aliasse justamente ao setor que mais trabalhou ao longo dos séculos – podemos dizer assim! – CONTRA a nossa democracia: os militares!
Mas não estamos mais em tempos normais, ou vivendo situações normais, por isso o “normalmente” com que abro esse comentário fica prejudicado, por assim dizer. O ser humano é complexo, traz neuroses e paradoxos terríveis em si mesmo, se alguém me dissesse, por exemplo, que um dia o frustrado-invejoso raso e incompetente, Fernando Henrique Cardoso, chamaria de “justa” a prisão de Lula, escarneceria feliz desse evento torpe e covarde, a se aliaria, cúmplice, ele mesmo covarde e incoerente, ao golpe de Estado dado na presidente Dilma, eu diria a essa pessoa que ela estava louca de pedra – imagina, FHC descendo a esse nível? – E foi assim que as coisas ocorreram.
Ora, o que causou tal “mudança” no sociólogo que admirávamos nos anos 80? O fracasso! A incompetência escancarada em dois governos pífios, a admiração ZERO de todos os estadistas de seu tempo depois que o viram “nu”, ao mesmo tempo em que amargava a celebração de Lula, “o estadista do século”, laureado por ministros, reis, presidentes, reitores de universidades, citado como exemplo pela ONU… – O binômio frustração + inveja, vindas da sensação de incompetência e fracasso pode destruir eticamente o melhor dos homens!
Citei esse exemplo e uma síntese de seus fatores psíquicos, porque creio que, em parte é o que ocorre com Ciro Gomes. Eu mesmo o defendi ferrenhamente no antigo blog do Nassif, antes do GGN, num artigo em que chamo Lula, simplificando a coisa, de “burro” e “fraco”, ao apoiar Dilma Roussef e não Ciro Gomes para presidente na eleição de 2010. Fui massacrado por amigos petistas, e defendido como “não traidor” (sic…) por uns três ou quatro que me conheciam melhor.
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Um dos meus argumentos à época era o fato de Dilma ser uma “gerentona de obras”, digna, respeitável, séria, competente, NESSA ÁREA, mas jamais como POLÍTICA, justamente a essência do cargo que ela postulava. Deixei uma pergunta no ar, naquela reflexão: “como será um enfrentamento entre Dilma, inexperiente, sem jogo de cintura, e as raposas, as serpentes venenosas do nosso Congresso?”.
Ora, se eu, articulista amador, desconhecedor profundo dos bastidores da política nacional podia enxergar essas coisas, quanto não as veria um Ciro Gomes, “criado” nesse meio e dotado de inteligência brilhante?
Muito provavelmente, foi “picado” pelo mesmo veneno de FHC e outros: uma amargura contra o PT que o consome, além dessa questão de saber-se um homem raro em detectar os problemas nacionais e ter as soluções para esses problemas. Num “Brasil normal”, onde nada desse horror tivesse acontecido, talvez tivesse tido a oportunidade de, ALIADO AO PT E OUTROS PARTIDOS, ser um grande presidente do nosso país.
Qual o tamanho da FRUSTRAÇÃO de Ciro Gomes, qual o tamanho de seu rancor, por não ter sido o escolhido em 2010, e ver que toda a sua capacidade retórica não comove as “massas”, evidente que não, ele estando a anos luz da ignorância imensa do homem médio brasileiro?
Teria dois caminhos: reconhecer seus erros imensos nos últimos anos e tentar um recomeço para lá de complexo e quase inviável, tornar-se um erudito escrevendo livros com projetos para o Brasil, uma espécie de “consultor informal de presidentes” ou tentar, no futuro, uma aliança – igualmente improvável – em que seu nome fosse reconhecido e apontado como “merecedor” de comandar o Brasil.
Ah, o terceiro caminho, não nos esqueçamos: esse, apontado pelo Nassif – a tragédia de, dominado por rancores, mágoas e uma espécie de “certeza messiânica” de que o Brasil não pode dele prescindir, atirar-se numa aventura golpista, ou uma eleição futura, ajudado pela mídia, pelo Judiciário e os militares, para ser uma espécie de “Bolsonaro-moderado-civilizado” que “tem-tudo-pra-dar-certo”.
Normalmente, eu diria que não, não é possível que Ciro esteja acalentando tais planos. Votei nesse sujeito duas ou três vezes…
Mas… Mas… Quem disse que vivemos tempos normais?
(eduardo ramos)
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Paulo Dantas
11 de setembro de 2022 3:05 pmCom o artigo do Nassif o Ciro vai ficar Putin ? 🙂
Na boa , por mais bobagem que o Ciro fale achar que ele teria vocação para ditador não tem cabimento.
Um sempre brigou na democracia o outro veio do serviço secreto e se alçou ao poder num país que não se democratizou.
Votei no Ciro na eleição passada e agora não mais. Ele esgotou minha paciência com bobagens.
Salbar
12 de setembro de 2022 2:04 amPois bem! Ciro é este ser repugnante sim, além de arrogante, ele flerta com o autoritarismo, pois sabe que sua incompetência não o manteria no poder se, livrai-nos Deus!, fosse eleito.
AMBAR
12 de setembro de 2022 10:18 pmÉ muito curiosa essa desilusão entusiasmada do articulista. Se tem como gênio o candidato “imprescindível ao país”, que vote nele e não se penitencie apontando seus erros. Vejamos que existe a possibilidade(imponderável) de o Lula não concorrer com o bozo e o segundo turno vir a ser disputado entre o bozo e o Ciro (ele acredita nisso piamente)
O problema do Ciro é a síndrome da ” última bolacha do pacote” : se acha o máximo, mas está sempre quebrada