Por Eduardo Ramos
Poucas pessoas compreendem o pensamento – que soa meio estranho, concordo! – de que sobre os homens públicos relevantes pairam duas grandezas nem sempre iguais na dimensão: a histórica e a política, e digo isso em relação ao “vigor” com que são/serão lembradas algumas figuras daqui a algumas décadas ou mesmo séculos.
Um exemplo? Ulisses Guimarães! Por meio século um personagem marcante e absolutamente importante na política nacional, e tudo leva a crer que não será estudado, comentado, celebrado historicamente de um modo justo – no quesito “tamanho da dimensão” – com essa sua importância política.
Lula, ao contrário, não padece desse efeito, não sofre a ação desse paradoxo: sendo um gigante na política, um homem prestes a se tornar presidente do Brasil pela terceira vez em 20 anos, na verdade, JÁ EXPERIMENTA AINDA EM VIDA, o sabor, a certeza de estar marcado na História UNIVERSAL, como um dos maiores estadistas e líderes populares de todos os tempos no mundo ocidental.
A declaração de Caetano Veloso tem muito do que comprova a premissa desse texto, e tomo minha própria reação como exemplo. Caetano afirmou, de modo corajoso, que “racionalmente falando”, Ciro Gomes seria o seu candidato. Eu o compreendo totalmente, se me aparto do “Ciro-doido-que-perdeu-o-juízo-faz-tempo” e lembro do homem mais brilhante entre todos os da sua geração no campo político. Mas… mas… – diz Caetano, continuando sua fala: “Chorei ao ver Lula na Globo, fiquei arrebatado ao ouvi-lo falar…” – e declarou seu voto em Lula ainda no primeiro turno.
Também eu, que mal consegui ver/ouvir Lula por mais do que alguns minutos – minha ojeriza à Globo é maior do que tudo, confesso! – senti o famoso “nó na garganta”, as lágrimas seguradas a custo, uma emoção forte ao ver o senhor de 76 anos altaneiro, mas sem arrogância alguma, diante de seus algozes, as falas, a expressão corporal, o olhar, do estadista nato, que aprendeu a ser em seus dois governos, que aprendeu a ser ao se ver reconhecido por reis, presidentes, primeiros-ministros, intelectuais de todo o mundo, os maiores de seu tempo… Ter isso, sendo presidente de um país historicamente visto com desconfiança, tantas vezes mesmo com desprezo – por suas mazelas seculares e “incuráveis” – pelas nações de fato civilizadas, não é pouca coisa.
O mundo, literalmente, anseia por um Brasil saído do pântano fétido em que se encontra, sem um quesito sequer que possamos dizer: “essa área não foi vandalizada, essa parte do país, do que somos enquanto nação, não foi vilipendiada, esmagada, destruída…” – nada sobrou de pé, somos uma trágica essência de vergonhas, vexames, opróbrios.
Então, entre tantas outras coisas que eu ou outros articulistas podemos destacar da entrevista de Lula, mesmo os que como eu a assistiram por cinco, seis minutos, fico com essa: estamos diante de um homem, um político, um estadista, cuja dimensão HISTÓRICA acompanha de modo justo e inequívoco a dimensão POLÍTICA do estadista Lula!
Não é pouco!
E para centenas e centenas de milhões de pessoas mundo afora, provavelmente com uma visão muito mais apurada e menos cega e preconceituosa do que a daqui, de nossas classes médias e elites tão rasas, incivilizadas e deseducadas, esse fato nada mais é do que algo natural e justo, algo que Lula conquistou porque mereceu.
A entrevista da Globo apenas revelou – mais uma vez! – a realidade do “tamanho” do estadista Lula.
(eduardo ramos)
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