5 de junho de 2026

Do ser, das lutas, de uma das glórias da vida, por Eduardo Ramos

Como ficam os milhares que foram tripudiados, perseguidos, enfrentaram o nojo, o fanatismo e os preconceitos de suas classes sociais?

Do ser, das lutas, de uma das glórias da vida

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Eduardo Ramos

Já escrevi sobre esse tema, inclusive usando o mesmo exemplo que uso hoje, diversas vezes, sempre com a mesma paixão, a mesma intensidade na alma: é daqueles tópicos que me fazem vibrar, que me confortam pelas derrotas e fracassos das “causas abraçadas”, que me trazem, e não vou pedir desculpas por exagero algum, “sentido de vida”, literalmente…

Aliás, um dos brasileiros que mais admirei e admiro em toda a minha existência, certamente ajudou a formar essa “pequena ideologia” em mim.

O exemplo que cito logo acima?

Pensemos nos brasileiros do século XVII, idealistas, minoria, “de esquerda”, talvez sem o saberem, que lutavam quixotesca e corajosamente contra a escravidão.

Quantos deles eram famosos, escreviam para algum jornal, tinham adeptos ou discípulos, deixaram seu nome na História não como anônimos, mas reconhecidos até hoje porque marcantes suas histórias…? Não chegam a mais que algumas dezenas!

Como ficam os milhares que foram tripudiados, perseguidos, enfrentaram o nojo, o fanatismo e os preconceitos de suas classes sociais, porque afrontavam essa injustiça, o status quo de seu tempo de viver, as manipulações da mídia da época, os costumes e valores que impregnavam as mentes e corações de classes médias e elites que aceitavam como natural a sordidez desumana da escravidão…?

Detalhe: NENHUM deles viu com os próprios olhos o fruto de sua luta, nenhum deles viu a abolição dos escravos. Muitos sabiam dessa verdade, e certamente sabiam do seu “tamanho social”, que não eram expoentes, como são hoje um Boulos, um Haddad, um Lula, eram o que chamamos hoje de “militantes”… guerreiros de seu tempo, gente querida, digna, que sabia que a vida não pode, jamais, ser apenas uma busca pessoal de felicidade, indiferente aos sofrimentos, injustiças, degradações e misérias que roubam a vida de centenas e centenas de milhões de pessoas mundo afora.

Jornal GGN produzirá documentário sobre esquemas da ultradireita mundial e ameaça eleitoral. Saiba aqui como apoiar

Portanto, não cabe sensações de “fracasso”, “pequenez”, “fazer pouco”, “inutilidade”, “utopia tola”, que às vezes nos acometem, a nós que damos o que podemos de nosso tempo, nossas reflexões, nossos votos, nossa energia, nossos sentimentos, nossas conversas com as pessoas que nos cercam, nossas manifestações de luta e clamores por justiça, enfim, pequenas frações de nossa vida, que nesse país, já consome um tantão de todos nós pela simples tarefa de viver com dignidade, num país onde as crises criadas pelo próprio sistema são cíclicas, propositais, provocadas à força para destruir os sonhos de democracia, soberania nacional, justiça social, etc. etc. etc… – para quem não nasceu “no berço certo”, ser brasileiro requer muita coragem para viver.

O brasileiro que cito acima, admirar tanto? Ora, os mais íntimos sabem de quem eu falo: Darci Ribeiro, e uma das frases que se tornou basilar em minha vida:

“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

Obrigado, Darci, pessoa amada!

Se você, “gênio da raça”, com tudo o que a vida te concedeu de força, genialidade, energia, é capaz de reconhecer de modo tão digno e sábio suas derrotas nas lutas que travou, se brasileiros de séculos passados também me passam a preciosa lição,

então, na verdade,

vocês me passam o bastão nessa corrida,

para que eu,

militante das causas sociais, da verdade,

da dignidade de vida para todos,

anônimo

e muitas vezes

exausto, exausto!,

não desista!

Porque também eu,

detestaria estar no lugar destes,

que às vezes me pisam os sonhos…

(eduardo ramos)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Leia também:

A esquerda ingênua e equivocada, por Eduardo Ramos

Do homem-deus pastor do rebanho, por Eduardo Ramos

Da dimensão trágica do fanatismo na concepção do ser, por Eduardo Ramos

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados