Alvarez & Marsal faturou R$ 42 milhões com empresas pilhadas por Moro na Lava Jato

A Alvarez & Marsal se recusou a informar quanto repassou a Sergio Moro a título de "consultoria" ao longo de 2020 e 2021

Sergio Moro em uma tribuna, com a bandeira dos Estados Unidos ao fundo.
Sergio Moro durante evento do Brazil Institute. Foto: divulgação

É destaque na revista Veja deste final de semana: a consultora americana Alvarez & Marsal faturou mais de R$ 42 milhões apenas trabalhando na recuperação judicial de empresas que foram pilhadas pela operação Lava Jato sob a batuta de Sergio Moro.

A Alvarez & Marsal se recusou a informar quanto repassou a Sergio Moro a título de “consultoria” ao longo de 2020 e 2021.

Investigada pelo Tribunal de Contas da União, a empresa informou que o valor faturado sobre as empreiteiras destruídas pela Lava Jato corresponde a 75% de todos os honorários que recebeu no Brasil nos últimos anos.

De acordo com Veja, foram R$ 1 milhão, por mês, da Odebrecht e da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial); R$ 150 mil da Galvão Engenharia; R$ 115 mil do Estaleiro Enseada (que tem como sócias Odebrecht, OAS e UTC); e R$ 97 mil da OAS.

No Twitter, o advogado Rodrigo Tacla Duran, que já foi alvo da Lava Jato, especulou que o salário de Moro na Alvarez & Marsal passaria dos 8 dígitos.

Após abandonar o governo Bolsonaro, Moro assumiu um cargo na Alvarez & Marsal no final de 2020 e passou a ser alvo de críticas e da investigação do TCU, que apura se houve conflito de interesse, já que foi o próprio Moro quem instruiu vários processos contra as empresas que agora precisam os serviços da consultoria americana.

A consultoria afirma que Moro não atuou em recuperação da Odebrecht, afastando o conflito de interesse. Mas quando questionado sobre o assunto, Moro costuma desconversar.

Nesta semana, o TCU levantou o sigilo das ações da Lava Jato contra a Odebrecht e ofertou acesso ao subprocurador Lucas Furtado. O senador Alessandro Vieira (Cidadania) saiu em defesa de Moro e representou na Procuradoria-Geral da República por abuso de autoridade contra o ministro Bruno Dantas, do TCU.

Furtado foi quem pediu a investigação sobre os ganhos de Moro e o ato de “revolving door” praticado de maneira ilegítima pelo ex-juiz, quando ele abandonou a magistratura para, primeiro, entrar na política e, depois, entrar na iniciativa privada.

Esse movimento de “revolving door”, ou porta-giratória, é bastante comum nos Estados Unidos e já aconteceu em outras situações no Brasil. O GGN explicou isso em uma série de cinco episódios que destrincha a relação da Lava Jato com agentes norte-americano (assista aqui).

Nesta Web Stories exclusiva do GGN, listamos as 10 maiores violações de Sergio Moro enquanto juiz da Lava Jato.
Redação

2 Comentários

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  1. O recebimento de propina, disfarçado em salário para cargo ao qual não se qualifica, pode não ter conflito de interesse. Ele diz que não trabalhou para o Odebrecht e eu acredito. Tenho quase certeza de que não fez trabalho nenhum, só entrou numa rachadona com a A&M para resgatar seus honorários pelo trabalho em favor dos americanos quando juiz deslumbrado.
    Nas que ele colocou a A&M num tremendo conflito de interesses, eu tenho certeza. Se Moro já fosse contratado à época em que as construtoras foram obrigadas a contratar tais serviços, a A&M seria desqualificada da concorrência.

  2. Durante a Lava Jato, aqui mesmo no GGN, disse que Sujo Moro aplicava os três princípios do Direito Achado na Boca de Fumo, quais sejam:

    Tá tudo do minado, mano.
    É nóis na fita, maluco.
    Essa boca é nossa porra!

    Todos os abusos que ele cometeu podem ser enquadrados num ou mais desses princípios. Mas agora sou obrigado a fazer uma correção.

    Ao faturar alto advogando para o que restou de empresas que ele mesmo destruiu como juiz, Sujo Moro acrescentou um quarto princípio ao Direito Achado na Boca de Fumo:

    Malandro é malandro, mané é mané.

    Ele é um malandro, por certo.

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