Do Terra Magazine
Economia e aprovação do governo nem sempre andam juntas
Rui Daher
Uma discussão perpassa as folhas e telas cotidianas nacionais. Contrapõe dois anos de maus resultados da economia, sobretudo quanto aos crescimento do PIB, taxa de inflação e nível de investimento, e o alto nível de aprovação do governo Dilma Rousseff.
Não é segredo que a oposição e seus porta-vozes na mídia tradicional, inquietos, continuam esperando queda, lentidão ou crises na economia que pudessem fazer cair a aprovação do governo.
Frustração que já dura dez anos. Quaisquer más notícias econômicas, escândalos, apagões, fabricados ou não, causam extremo frisson, que esfria à primeira divulgação das avaliações dos institutos de pesquisas.
Em relação aos três fatores negativos da economia, apontados no início do texto, tenho aqui me manifestado e afastado sua dramaticidade.
Não que existam somente esses três senões a considerar. Os demais, no entanto, como violência, desrespeito aos direitos dos cidadãos, falta de saneamento e aparelhos eficientes de saúde e educação, estão longe da esperança do brasileiro, seja lá quem estiver no governo.
Mas, para a maior parte da população, a temperatura da economia não se mede por um índice, mas pela disponibilidade de emprego e aumento da renda familiar.
Aí não importa serem eles através de aumentos salariais, pequenos empreendimentos ou programas sociais.
Esse grupo da população, arrisco dizer, nunca considerará a inflação mais baixa, a não ser quando em índices estratosféricos, como os que caracterizaram períodos de hiperinflação.
Seus perfis de consumo e momentos na relação crédito/endividamento determinam selecionar os itens e achar tudo sempre mais caro.
Apesar de bobas, as contumazes entrevistas das TVs em supermercados confirmam essa impressão.
Assim, altas ou quedas na inflação continuarão por conta de expectativas, fortemente influenciadas pelos alarmes de “volta da inflação”, usados pelo mercado financeiro para fazer o BC aumentar a taxa Selic.
No momento, não há excitação da demanda, como provam os recentes ‘pibinhos’.
Quanto ao terceiro ponto, a falta de investimento, esta é uma discussão parcial e específica, intestina aos 30% que desaprovam ou acreditam regular o atual governo.
Como dizem alguns analistas, o grosso do PIB nacional, representado na FIESP, mesmo quando ganhou muito dinheiro, nunca foi favorável a um governo do PT. Nem o será, não importa quais os candidatos da oposição.
Para entender a equação que resulta na aprovação do governo é necessário introduzir outros fatores da economia.
Além das desonerações na cesta básica e nas tarifas de energia que, claro, ajudam, em 2012, 95% dos acordos salariais foram realizados em índices acima da inflação do período.
Significa dinheiro no bolso. Não só para carros, eletrodomésticos e celulares. Também, para planos de saúde, educação mais elaborada, habitação e lazer.
Mais do que isso, só desenhando.
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