21 de maio de 2026

Bannon é ensaio do que ocorrerá com militares de Bolsonaro, por Luis Nassif

Agora, além da conspiração de 6 de janeiro, Bannon está sendo acusado de desrespeitar o Congresso.

Uma boa discussão, que esquentará nas próximas semanas, é sobre qual será o destino dos militares da reserva envolvidos na conspiração de Jair Bolsonaro.

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Os próceres do Centrão já tiraram o corpo em relação ao vexame da reunião de Bolsonaro com o corpo diplomático. Atribuíram o desastre aos militares de Bolsonaro: generais Braga Neto, Augusto Heleno, Hamilton Mourão, Paulo Sérgio, Luiz Eduardo Ramos.

Com Bolsonaro derrotado, todos eles se tornarão cidadãos comuns. A condição de aposentados os tira da rede de proteção da Justiça Militar. Estarão sujeitos à justiça comum, a procuradores e juízes de primeira instância. E sendo acusados de crimes explícitos.

Os problemas enfrentados por Steve Bannon – o conselheiro-mor de Donald Trump – são um bom ensaio do que espera esses senhores. Ele está sendo julgado por um júri e acusado, pelo promotor, de “torcer o nariz” para o Congresso, devido à sua posição arrogante, de quem não conseguiu entender os novos tempos e a força das instituições,

Como declarou a procuradora adjunta Amanda Vaughn, “o réu decidiu que estava acima da lei e não precisava seguir as ordens do governo como seus concidadãos. Então todo esse caso é sobre um cara que simplesmente se recusou a aparecer? Sim, é assim tão simples.”

Nos próximos dias, o julgamento chegará a Trump, analisando sua atuação no episódio de invasão do Capitólio. Hoje, depois do seu depoimento, Bannon explodiu do lado de fora do tribunal. Ficou esbravejando que Trump foi o verdadeiro vencedor das eleições de 2020, como provavelmente farão os militares aposentados de Bolsonaro. “Eles estão me acusando de um crime?” esbravejava Bannon . “Tenha coragem e coragem de aparecer aqui e dizer exatamente por que é um crime.”

De sua parte, Vaughn fez acusações diretas. “Não foi um pedido e não foi um convite. Era obrigatório que ele desse as informações relevantes para atender o que aconteceu em 6 de janeiro e garantir que nunca mais acontecesse”.

Antes, Bannon já havia sido condenado por um esquema fraudulento de arrecadação de fundos, embolsando recursos que teoricamente seriam aplicados na construção de um muro para impedir a entrada de mexicanos. Assim como Bolsonaro com Daniel Silveira, Trump usou seu poder de indulto para livrá-lo da enrascada.

Agora, além da conspiração de 6 de janeiro, Bannon está sendo acusado de desrespeitar o Congresso.

Segundo o comitê de investigação, Bannon desempenhou “múltiplos papéis”, em relação a 6 de janeiro. Um deles foi estimular a opinião pública a acreditar que as eleições tinham sido fraudadas – o mesmo papel dos generais de Bolsonaro. Na véspera da invasão, bradou que “todo o inferno irá acontecer”, mostrando que tinha informações antecipadas da invasão. As duas acusações de desacato sujeitam Bannon a condenações de 30 dias a um ano de prisão.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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4 Comentários
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  1. Itarare

    20 de julho de 2022 9:27 am

    As crianças
    *Os velhos*
    Os idiotas
    Eles dizem dizem dizem

  2. Pindorama

    20 de julho de 2022 10:42 am

    Adoraria confiar na sua previsão. Mas, tenho dúvidas de condenação efetiva no caso Bannon e mais sérias ainda em se tratando dos militares de pijama brasileiros. O Brasil pode não ser mais um exemplo da crise circunstancial das democracia contemporâneas, e sim a confirmação da nova espiral de ditaduras no “mundo ocidental”. Os tais militares podem conseguir (infelizmente) nos colocar na vanguarda (do atraso), mas sempre vanguarda.

  3. Mateus

    20 de julho de 2022 10:43 am

    Apesar de Trump e Bolsonaro serem aliados, partilharem versões comuns da mesma ideologia e de terem se aproveitado do universo das fakenews, há uma distinção entre os dois casos. Trump nunca foi o nome do establishment americano. A demagogia de Trump não seduziu os donos da grana e do poder. A candidata deles foi Clinton em 2016 e o representante deles foi Biden em 2020. Evidentemente, se Sanders tivesse sido o candidato democrata, o establishment americano teria se tornado trumpista; no entanto, não foi esse o caso. Sanders teria sido o Lula dos EUA, e Sanders não foi candidato. No caso brasileiro, o establishment foi todo pró-Bolsonaro e avesso a Lula. Se Lula conseguir tomar posse, não haverá espaço para justiça (o sistema de justiça brasileiro é todo avesso a Lula). Bannon é apenas um ideólogo (o mais importante ideólogo da extrema-direita mundial, mas somente um ideólogo); já os militares brasileiros representam algo mais profundo: os interesses do establishment brasileiro, o qual é todo anti-Lula e anti-PT.

  4. Moacir R. de Pontes

    20 de julho de 2022 6:34 pm

    Costumam dizer nossos juízes que o Direito não existe para garantir a Justiça mas para fazer cumprir a Lei. Mas, claro, nunca contra os poderosos.

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