Brasil não assina declaração de cúpula de Paz na Suíça

Lula afirmou que Rússia e Ucrânia deveriam fazer parte da negociação: "Não é possível achar que se reunindo só com um resolve o problema”

Crédito: Reprodução/ Youtube Canal Gov

Brasil não assina declaração de cúpula de Paz na Suíça, neste domingo

Da Agência Brasil

Por Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O Brasil foi um dos países que não assinaram, neste domingo (16), o comunicado final da Cúpula para a Paz na Ucrânia, documento que pede o envolvimento de todas as partes nas negociações para alcançar a paz e “reafirma a integridade territorial” ucraniana.

Ontem (15), em entrevista coletiva na Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou que disse à presidente da Confederação Suíça, Viola Amherd, que tomou a decisão de não ir ao encontro internacional deste domingo porque o Brasil só participaria da discussão sobre a paz quando os dois lados em conflito, Ucrânia e Rússia, estiverem sentados à mesa. “Porque não é possível você ter uma briga entre dois e achar que se reunindo só com um, resolve o problema.”

Diante do impasse dos dois chefes de Estado, Lula afirmou que o Brasil já propôs, em parceria com a China, uma negociação efetiva para a solução do conflito. “Como ainda há muita resistência, tanto do Zelensky (Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia), quanto do Putin (Vladimir Putin, presidente da Rússia), de conversar sobre paz, cada um tem a paz na sua cabeça, do jeito que quer, e nós estamos, depois de um documento assinado com a China, pelo Celso Amorim [assessor-Chefe da Assessoria Especial do Presidente da República do Brasil] e pelo representante do Xi Jinping [presidente da República Popular da China] , estamos propondo que haja uma negociação efetiva.”

“Que a gente coloque, definitivamente, a Rússia na mesa, o Zelensky na mesa, e vamos ver se é possível convencê-los de que a paz vai trazer melhor resultado do que a guerra. Na paz, ninguém precisa morrer, não precisa destruir nada. Não precisa vitimar soldados inocentes, sobretudo jovens, e pode haver um acordo. Quando os dois tiverem disposição, estamos prontos para discutir”, acrescentou o presidente.

Ao encontro internacional deste domingo, o Brasil enviou a embaixadora do Brasil na Suíça, a diplomata Claudia Fonseca Buzzi. O presidente ucraniano também esteve na cúpula para obter apoio internacional para o seu plano de acabar com a guerra desencadeada pela invasão russa.

Sem unanimidade

Ao fim da Cúpula para a Paz na Ucrânia, na Suíça, não houve unanimidade entre as 101 delegações participantes. O documento, que pede que “todas as partes” do conflito armado estejam envolvidas para alcançar a paz, foi assinado por 84 países, incluindo lideranças da União Europeia, dos Estados Unido, do Japão, da Argentina e os africanos Somália e Quênia.

De acordo com o comunicado final, os países signatários assumem que os princípios de soberania, independência e integridade territorial de todos os Estados devem ser salvaguardados.

Quanto à segurança nuclear, os países que ratificaram a declaração final estabeleceram que o uso de energia e instalações nucleares deve ser seguro, protegido e ambientalmente correto. As instalações nucleares ucranianas, incluindo Zaporizhia, devem operar com segurança, sob total controle do país. O documento reforça que qualquer ameaça ou uso de armas nucleares no contexto da guerra em curso contra a Ucrânia é inadmissível.

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, entre os países que não assinaram o comunicado estão os membros do BRICS – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, sendo que Rússia e China sequer enviaram representantes. Também não assinaram o documento Arménia, Bahrein, Indonésia, Líbia, Arábia Saudita, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e México.

Cessar-fogo não aceito

Na sexta-feira (14), o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu estabelecer imediatamente um cessar-fogo na Ucrânia e iniciar negociações se o país começasse a retirar as tropas das quatro regiões anexadas por Moscou, em 2022: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia. Putin ainda exigiu que a Ucrânia renunciasse aos planos de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Desde fevereiro de 2022, a Ucrânia resiste à invasão russa com o objetivo de manter sua integridade territorial e exige a saída de todas as tropas russas do território. Kiev (capital da Ucrânia) mantém a pretensão de aderir à aliança militar do Atlântico Norte.

As condições impostas pelo mandatário russo para um possível acordo de paz foram rejeitadas de imediato pela Ucrânia, pelos Estados Unidos e pela Otan, após dois anos e quatro meses do início do conflito, com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

*Com informações da Agência Lusa.

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3 Comentários

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  1. A decisão de Lula é corretíssima. Roma cresceu e se tornou poderosa quando era uma republica governada por homens ousados e prudentes, corajosos e cuidadosos, capazes de fazer a guerra e celebrar a paz com vantagens para todos envolvidos. E Roma declinou quando virou um império governado pelos negócios como de costume tendo como chefe de estado um imperador alienado, louco megalomaníaco, imbecil ou senil. Os EUA certamente se parece com Roma em declinio vertiginoso agora.

  2. Ao boneco da City Londrina, gerenciado pelo boneco na Casa Branca, interessa a guerra; não a paz. Ele é o ator coadjuvante dessa ópera de horrores.
    Pobre Ucrânia: eterna mera colônia fornecedora de grãos, desde os tempos de Tróia.
    E assim continuará.

  3. A fumaceira, apelidade de cimeira pelo belicoso G7, não passou realmente de uma cortina de fumaça para encobrir o propósito dos EUA e seus lacaios da OTAN, de cercar e asfixiar a Russia. Para tal promoveram o golpe de 2014 e colocaram seu fantoche no comando da Ucrânia, e o memso promoveu a perseguição a população de origem russa do Donbass que reinvidicavam sua autonomia em relação ao governo central. Os EUA viram então a oportunidade de se utilizarem do governo Zerenski para provocarem uma guerra que redundaria na derrota e posterior subdivisão da Russia. Como o plano não deu certo e nau dos insensatos está afundando, eles inventaram a conferência de paz sem a participação da Russia. Seria cômico se não fosse trágico, uma conferência para promover a paz em que apenas um dos países conflitantes é convidado. Enquanto isso, o ex presidente Zerenski, entrega os ucranianos em holocausto para os deuse da guerra.

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