A Polícia Federal instaurou, na última sexta-feira (30), um novo inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). A apuração, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foca em operações nebulosas realizadas entre o banco público e o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após a descoberta de um esquema de ativos fictícios.
O novo desdobramento surge após uma auditoria forense contratada pela própria atual diretoria do BRB identificar “achados relevantes“. Segundo os investigadores, o banco teria adquirido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master que não possuíam garantias reais ou documentação idônea.
Embora o BRB tenha conseguido recuperar cerca de R$ 10 bilhões por meio de transferências de ativos antes da quebra do Master, o rombo remanescente exigirá um provisionamento bilionário.
O esquema das carteiras fictícias
As investigações da Operação Compliance Zero apontam que o Banco Master, sob o comando do empresário Daniel Vorcaro, preso em novembro passado, emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) sem comprovação de liquidez. Para sustentar a fachada de solvência, o Master teria adquirido créditos inexistentes da consultoria Tirreno e, imediatamente, os revendido ao BRB.
O banco público do Distrito Federal efetuou o pagamento bilionário sem o devido rigor técnico, no mesmo período em que tentava formalizar a compra do próprio Banco Master. Essa aquisição, que contava com o apoio político do governo do Distrito Federal, acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025 por falta de transparência e riscos excessivos.
Em nota, o BRB afirmou que entregou o relatório da auditoria à PF e ao Banco Central para “resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero“.
Crise de governança e impacto financeiro
O escândalo já provocou mudanças profundas na cúpula da instituição. Em novembro, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e posteriormente demitido após operações de busca e apreensão. Agora, o banco corre contra o tempo para apresentar seu balanço financeiro, que deverá detalhar a real extensão dos danos ao patrimônio público.
O Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas imediatas com as carteiras fraudulentas. Apesar do cenário crítico, o governo do Distrito Federal, acionista controlador, já sinalizou que poderá realizar um aporte direto de recursos para manter a estabilidade da instituição.
O governador Ibaneis Rocha admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro em quatro ocasiões entre 2024 e 2025, mas negou que os encontros tivessem como pauta a polêmica tentativa de compra do banco privado pelo BRB. O caso segue sob sigilo na Procuradoria-Geral da República (PGR).
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