4 de junho de 2026

Ciro cita “fraquejada” de Bolsonaro, leva invertida e devolve com rachadinhas

"Você corrompeu todas as suas esposas, corrompeu seus filhos", disse Ciro após Bolsonaro lembrar da polêmica com Patrícia Pillar
Ciro Gomes no debate da Band nas eleições 2022
Ciro Gomes durante debate da Band, nas eleições 2022

O candidato Ciro Gomes (PDT) foi o único a levar o escândalo conhecido como as rachadinhas do clã Bolsonaro – ou “caso Queiroz” – ao debate entre presidenciáveis da Band, Folha, Uol e TV Cultura. O tema só veio à tona porque Jair Bolsonaro irritou Ciro com uma mancha no passado do candidato pedetista: um comentário machista sobre a ex-esposa Patrícia Pillar.

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O embate começou quando, na segunda rodada de confronto direto entre os candidatos, Bolsonaro escolheu Ciro para debater sobre políticas que beneficiaram as mulheres.

Ciro respondeu que a truculência do presidente – vide o ataque ao vivo à jornalista Vera Magalhães e outras declarações polêmicas, como, por exemplo, que ele teria “fraquejado” ao ter uma filha com Michelle Bolsonaro – fazem com que a ala feminina da população “desconsidere” qualquer política direcionada a elas pelo atual governo.

Bolsonaro então devolveu desmoralizando Ciro. “Já falei da fraqueja, peço desculpa, peço novamente, mas você falou que a função mais importante da sua esposa era dormir contigo. Pelo amor de Deus, Ciro, peça desculpas aí também”, disparou Bolsonaro.

Irritado, Ciro devolveu à altura e citou, pela primeira e única vez durante todo o debate, o caso das rachadinhas da família Bolsonaro.

“Vinte anos atrás eu cometi a absoluta infelicidade de fazer gracinha com uma mulher extraordinária, que foi minha mulher por 18 anos. (…) Não é disso que estou falando, Bolsonaro. Estou falando da sua falta de escrúpulo. Você corrompeu todas suas ex-esposas, todas envolvidas em escândalos. Você corrompeu seus filhos.”

Ciro fez alusão ao esquema conhecido como caso Queiroz, que envolve o ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, suspeito de ser o operador do caixa abastecido com dinheiro desviado do gabinete do filho de Jair Bolsonaro na ALERJ.

Segundo apuração da jornalista Juliana Dal Piva, Flávio herdou o esquema do pai, Jair, e a antecessora de Queiroz era justamente a segunda esposa de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle.

Investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro apontaram que Queiroz depositou 89 mil reais nas contas de Michelle Bolsonaro. O presidente da República disse que se tratava de pagamento por um empréstimo feito ao ex-assessor.

Antes da intervenção de Ciro, Dal Piva demonstrou incômodo pelo fato de que nenhum candidato à Presidência havia questionado Bolsonaro sobre as rachadinhas. No Twitter, ela publicou:

Bolsonaro teve um direito de resposta atendido pela produção da Band, mas não usou para defender a família dos ataques.

No primeiro confronto direito entre os candidatos, Bolsonaro escolheu polarizar com Lula sobre o tema corrupção. Ele acusou o ex-presidente petista de desviar dinheiro público, prejudicando a vida das famílias mais pobres.

Leia mais:

Bolsonaro ataca Lula com corrupção em primeiro confronto no debate na Band

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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