“É Central o fator Angra dos Reis para entender o projeto Bolsonaro. O fato de ele ter uma casa lá apenas completa um cenário que a gente vem traçando já há alguns anos”, resumiu Luis Nassif, em comentário na TVGGN.
A Operação da Polícia Federal nesta segunda (29) mirou filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro, em uma série de buscas e apreensões, uma das principais em uma casa da família em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, aonde Jair, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro se encontravam até a manhã de hoje.
Reportagens do GGN desde 2019 vem mostrando como a cidade se tornou alvo da entrada do crime organizado e milícias, sob o controle dos Bolsonaro. Relembre:
Angra dos Reis tornando-se o bunker do crime
Reportagem de fevereiro de 2020 de Luis Nassif, no GGN, revelava o interesse do então governo de Jair Bolsonaro de legalizar os cassinos junto a resorts, em uma das séries de tentativas de desregulamentações do então mandatário para a entrada no país de financiadores da ultradireita junto a mercados do crime, como é o caso dos cassinos.
A principal região de interesse dos Bolsonaro para a criação desse modelo de resorts com cassinos era Angra dos Reis. Ainda em 2019, o ex-mandatário já indicava seus planos de transformar Angra em uma “Cancun brasileira”, com negociações posteriores do clã com os Emirados Árabes, chegando a angariar recursos do país para o projeto.
Também em 2019, matérias mostravam como, paralelamente, a região começou a ser o foco da expansão das milícias do Rio de Janeiro. Em julho daquele ano, Flávio Bolsonaro pedia diretamente a Sérgio Moro, então ministro da Justiça, um efetivo de policiais federais “para combater o tráfico de drogas e ‘milícias'”, “especialmente em Angra dos Reis”. O objetivo seria obter apoio policial para a atuação das milícias ligadas ao grupo.

O interesse se materializou um ano depois, conforme mostrou Luis Nassif no “Xadrez de Bolsonaro e da expansão das milícias do Rio de Janeiro”.
Após a expulsão de algumas favelas do Rio, com a atuação de forças de segurança e das próprias milícias, parte do tráfico refugiou-se em Angra dos Reis. Da zona Oeste do Rio para Angra, concentrou-se o grupo mais ligado ao clã Bolsonaro, principalmente Flávio Bolsonaro, a milícia do Rio das Pedras.
Já sob o governo Bolsonaro, foi instalado na região um batalhão do BOPE e, na metade de 2020, uma delegacia da Polícia Rodoviária Federal.
A unidade da PRF criada na região ficou sob o comando de Silvinei Vasques, que mais tarde se tornou diretor-geral da PRF do governo Bolsonaro, fiel escudeiro do governo e atualmente mantido preso pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de interferir nas eleições de 2022.
No artigo de 2020, Nassif apontava que “com a inauguração da Delegacia da PRF de Angra, os Bolsonaro mataram dois coelhos com uma só cajadada”: “Primeiro, enfraquecem a Delegacia de Itaguaí, que era uma pedra no sapato do contrabando de armas, depois, colocam em Angra um amigo íntimo da família.”
O Porto de Itaguaí é estratégico para a entrada ilegal de armas. O posto na região atuava contra o contrabando, que atrai e municia as milícias.
“A nomeação de Vasques para a delegacia da PRF de Angra dos Reis mostra que a Polícia Federal do Rio de Janeiro deixou de ser um empecilho para os planos dos Bolsonaro”, concluía, há 4 anos.
Nassif hoje relembra que quem inaugurou a delegacia da PRF em Angra foi Flávio Bolsonaro, descendo de helicóptero, saudando Vasques e os policiais como “companheiros” do senador.
Outras reportagens mostravam a disputa de Flávio Bolsonaro por uma mansão em Angra, em 2021, com o interesse da família de presença na cidade.
A mansão “paradisíaca”, revelada pelo site Metrópoles, que antes pertencia ao jogador Richarlison, foi alvo de manobras, persuasão e polêmicas para obtenção da família Bolsonaro, sem sucesso. Relembre:
“Ou seja, Bolsonaro começou a montar o bunker dele em Angra dos Reis”, afirma Nassif. Com o cenário exposto, a investigação deflagrada nesta segunda “bate no centro das organizações criminosas dos Bolsonaro”.
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