Dados oficiais desmentem Bolsonaro sobre Nordeste ser mais inadimplente

Entidade da própria Secretaria do Tesouro Nacional mostra que não existe "diferenças regionais entre o Nordeste em comparação com a média nacional"

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Zeca Ribeiro / Agência Câmara dos Deputados

Jornal GGN – Na semana passada, em resposta a uma reportagem do jornal Estado de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro disse que a região Nordeste recebeu um número menor de empréstimos da Caixa porque reunia os municípios mais inadimplentes do país.

“Houve um equívoco nessa informação [do jornal]. As prefeituras do Nordeste são as mais inadimplentes e a Caixa precisa de garantias para poder emprestar”.

A partir de dados do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional, a reportagem mostrou que até julho deste ano, a Caixa autorizou novos empréstimos no valor de R$ 4 bilhões para governadores e prefeitos de todo o país. Desse montante, apenas R$ 89 milhões (2,2% do total) foram concedidos para estados ou municípios do Nordeste. O volume é o menor registrado em relação aos anos anteriores.

Em 2018, a Caixa emprestou R$ 1,3 bilhão ao Nordeste, valor equivalente a 21,6% dos R$ 6 bilhões distribuídos em operações para governos regionais. No ano anterior, em 2017, a Caixa contratou R$ 7 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão (18,6% do total) foram direcionados para governadores e prefeitos nordestinos.

Nesta sexta-feira (9), o portal UOL divulgou uma reportagem baseada em registros do Cauc (Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias), controlado pela Secretaria do Tesouro Nacional, para analisar a situação financeira dos 5.570 municípios do país. A descoberta foi que não existe “diferenças regionais entre o Nordeste em comparação com a média nacional”, escreve Carlos Madeiro que assina a reportagem.

“No caso específico de capitais e estados, também não há qualquer justificativa legal que impeça os repasses”, completa.

A matéria é reforçada com a observação do consultor da área de estudos técnicos da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), Eduardo Stranz: “Isso [do Nordeste liderar inadimplência] não existe. A lista é grande e universal, não há regiões com mais problemas. São problemas de gestão pelo país todo”.

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A consulta feita dia 7 de agosto ao Cauc aponta que do total de 5.570 municípios do país, 4.247 (76,2%) estavam com o “nome sujo”. A plataforma aponta ainda que, entre os cinco estados com mais municípios inadimplentes, apenas um é do Nordeste e os outros quatro são da região Norte.

Na lista dos oito estados com as contas regulares, dois são do Nordeste (Ceará e Pernambuco), uma do Norte (Pará), uma do Centro-Oeste (Mato Grosso) e o restante do Sudeste (Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo). Na lista das capitais em dia no Coaf, três são nordestinas: São Luís, Teresina e Aracaju.

A reportagem explica que, para ter acesso a recursos da Caixa, prefeituras e governos estaduais precisam estar com o nome limpo no Cauc, levando em conta 15 itens, entre o envio de prestação de contas, investimentos mínimos em saúde e educação e cumprimento de obrigações de convênios. O não cumprimento de um desses itens apenas já é o suficiente para não receber recursos.

“O Cauc funciona como se fosse um ‘SPC do governo’, que denuncia uma inadimplência. Estar adimplente é requisito para conseguir um financiamento ou recurso do governo federal de transferências voluntárias”, diz Stranz.

O Rio Grande do Sul é atualmente o único, entre todos os estados do país, com mais da metade dos municípios em situação regular (60,7% do total). Na outra ponta, dez estados têm mais de 90% dos municípios inadimplentes, um deles é o Rio de Janeiro.

Indícios

Segundo apuração da reportagem do Estadão, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, deu ordens para o banco não contratar operações para os estados e municípios do Nordeste.

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No dia 19 de julho, momentos antes de começar uma coletiva no “café da manhã” com jornalistas estrangeiros, no Palácio do Planalto, microfones da TV Brasil captaram um áudio de Bolsonaro orientando o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni a “não dar nada” para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

“Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada para esse cara”, afirmou o presidente, sem saber que estava sendo gravado.

*Clique aqui para ler a matéria do UOL na íntegra.

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4 comentários

  1. Meu assunto é outro.Sabe como interpretei a entrevista do Bem Amado de Barroso(DD),dada a revista Época,seguinte:”Escuta aqui Russo,se você pensa que eu vou “mifú” sozinho,você esta burramente enganado.Vou levar tu,Dona Rosângela e nossa turma toda comigo,contando tudo que nós fizemos nos verões passados”.Previsão de um bruxo sertanejo:Russo não passa esse Natal no Solo Consolidado Pátrio.

  2. Este presidente bronco deveria se envergonhar e nem tocar neste assunto, porque o estado mais inadimplente do país é o RJ pelo qual ele foi durante 27 anos deputado (na política carioca ele, família e os milicianos).

  3. Peço uma correção no corpo do texto: o Mato Grosso fica no Centro-Oeste do Brasil, e não no Norte, como publicado.

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  4. Credo!!!

    Me lembrou do caso de Roosevelt, que deixou um estado passar fome porque o governador o tinha chamado de “aleijado”!

    Ok, nordestinos, hora de confessar: qual dos governadorees seus disse que Bolsonaro gosta de troca-troca?????

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