5 de junho de 2026

Damares faz discurso na ONU contra aborto e chama Bolsonaro de “promotor da paz”

Intervenção da brasileira na abertura do Conselho de Direitos Humanos foi uma das únicas se omitiu sobre o conflito Rússia-Ucrânia
Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Foto: José Cruz/Agência Brasil (via fotospublicas.com)

A participação da ministra Damares Alves (Família, Mulher e Direitos Humanos) na cerimônia de abertura da Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta segunda-feira (28/2), terminou sendo polêmica, já que foi uma das poucas durante o evento que não mencionou sequer uma vez o conflito armado no qual a Rússia e a Ucrânia estão envolvidas há cerca de uma semana.

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Segundo reporte do colunista Jamil Chade, do UOL, Damares Alves fez apenas algumas alusões a “situações de conflito”, sem mencionar claramente nenhum, e dedicou a maior parte do seu tempo detalhar os programas do governo de Jair Bolsonaro e promover a imagem do presidente brasileiro como alguém que “sempre promove a paz”, segundo suas palavras.

O discurso de Damares lembrou de uma lista de programas e políticas realizadas pelo governo brasileiros contra o racismo e minorias étnicas, incluindo os povos indígenas – algumas delas existentes desde antes do início do atual governo.

A ministra chegou a defender políticas como a transposição do Rio São Francisco e projetos de iluminação pública como se fossem iniciativas de Bolsonaro – ignorando que suas obras começaram durante mandatos anteriores.

Outro tema destacável no discurso de Damares foi sua forte defesa de políticas contra o direito ao aborto, chegando inclusive a defender uma aliança internacional liderada pelo Brasil, junto com outros 30 países, que defende que “há no direito internacional qualquer respaldo para se valer do aborto para planejamento familiar”.

No entanto, o discurso da ministra brasileira chega em um momento em que o Brasil tem sido alvo de muitas críticas da ONU, entre outras coisas, pelo desmonte de políticas de combate contra a tortura e pelo aumento preocupante das cifras de violência policial.

A coluna de Jamil Chade lembra que um informe de especialistas em Direitos Humanos da ONU aponta o Brasil como o país com a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 750 mil pessoas presas, e que também existe preocupação com o sucateamento do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão que visa combater a tortura no país e que tem sido abandonado pelo atual governo.

No caso da violência policial, os especialistas da ONU chegaram a enviar uma carta ao governo brasileiro – mais precisamente em 13 de dezembro de 2021 – na qual afirmam que “durante a pandemia, o número de operações policiais, assim como sua letalidade e violência, aumentou exponencialmente (…) Desde 2019, as operações policiais se tornaram mais intensas, com o aumento da brutalidade e da violência utilizadas pelas forças policiais, e 75,5% das vítimas desses encontros violentos foram afro-descendentes”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. AMBAR

    28 de fevereiro de 2022 3:03 pm

    As vacas sagradas da Índia podem mugir em qualquer parte do território indiano sem oferecer qualquer perigo, já as nossas, além de leiteiras e de corte ainda fazem discursos anti-humanos na ONU.

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