O cientista político Mathias Alencastro (Foto – Divulgação)

do RFI
Eleição francesa “é um alerta para o PT”, pensa Mathias Alencastro
por Adriana Brandão
Todas as pesquisas eleitorais apontam Emmanuel Macron, do movimento independente Em Marcha, como o grande favorito do segundo turno da eleição presidencial na França. O cientista político Mathias Alencastro dá crédito às sondagens e acredita ser “praticamente impossível que Marine Le Pen crie uma surpresa” neste domingo (7). Em entrevista à RFI, ele analisa essa reta final da campanha, as consequências do resultado para a política francesa e faz um paralelo com a situação brasileira. Alencastro pensa que a vergonhosa derrota do Partido Socialista francês nessa eleição “é um alerta para o PT”.
Mathias Alencastro é doutor pela Universidade de Oxford e especialista em política europeia e africana. Ele ressalta que as sondagens na França “estiveram corretas ao longo dos últimos seis meses” e que seria necessário “uma conjunção de fatores, com uma abstenção histórica e um movimento absolutamente inesperado por parte do eleitorado” para que Macron perca a eleição para Marine Le Pen.
A única variável no domingo é o tamanho da vantagem do candidato de Em Marcha sobre a extremista. Se a diferença for pequena, Macron teria pouca legitimidade. Lembrando que o sistema político na França é um misto de presidencialismo e parlamentarismo, a governabilidade também estaria ameaçada.
“A vitória dele (Macron) vai determinar seu potencial e o potencial de seu partido nas eleições legislativas. Se ele ganhar com mais de 70%, será fácil para o movimento (Em Marcha) capturar bastiões do Partido Socialista e de Os Republicanos durante as legislativas. Se ele não ganhar com uma vantagem forte, é provável que esses partidos tenham bom desempenho nas eleições de junho e Macron tenha que compor com eles no Congresso”, explica Alencastro.
Fragilidade sistema político francês
Essa eleição revela a fragilidade do sistema político francês. Caso a dispersão do eleitorado, verificada no primeiro turno, volte a acontecer nas eleições legislativas de 11 e 18 de junho, o presidente eleito não teria maioria no Parlamento, seria incapaz de criar uma base aliada e impor o seu ritmo de reformas.
Nesse cenário, o cientista político antecipa um congresso francês dividido entre uma esquerda liderada pelo radical Jean-Luc Mélenchon, que chegou em quarto lugar no primeiro turno, um centro liderado por Macron, e a direita por Marine Le Pen.
Sem conseguir criar uma espécie de “centrão” que garantiria sua presidência, o governo Macron pode resultar em “uma cohabitação permanente, ou seja, que ele tenha que nomear um primeiro-ministro da oposição durante os seus cinco anos de mandato, o que seria realmente muito problemático”, avalia.
Paralelo entre Macron e Doria
O cientista político brasileiro faz um paralelo entre o prefeito de São Paulo e o líder do movimento Em Marcha, “não para ver as semelhanças, mas as diferenças”. Os dois políticos se apresentaram como candidatos da renovação política.
Ao contrário de João Doria, “Emmanuel Macron rompeu com seu padrinho político, que era o socialista François Hollande, (…) e criou um partido, um movimento de raiz que desestabilizou todo o sistema partidário da França”, lembra. Resta saber se ele vai concretizar sua ambição de “implodir o sistema”.
Já o prefeito de São Paulo, do PSDB,, “relegitimou um sistema em crise, (…) continua numa relação de subjugação com seus padrinhos políticos e (…) é representante do segundo maior partido nacional”.
Ciro Gomes, o Mélenchon do Brasil
O significado dessa eleição presidencial ultrapassa a fronteira da França e sinaliza o fim do ciclo social-democrata na Europa, de acordo com Alencastro. Derrotas históricas de partidos da esquerda tradicional foram registradas na Inglaterra, Espanha, Itália e agora na França, com o péssimo resultado obtido pelo Partido Socialista do presidente François Hollande, que não era candidato a reeleição.
“Embora seja difícil fazer generalizações, o fato é que o modelo social-democrata que procurou uma via social liberal nos anos 90 e que parecia ter atingido quase uma hegemonia (…) fracassou e é muito improvável que tenhamos a oportunidade de ver um partido social-democrata reconquistar o poder”, prevê.
Ele salienta que, mais do que uma lição, a derrota do Partido Socialista francês deveria servir de alerta para o Partido dos Trabalhadores, no Brasil, que poderia ter o mesmo destino: “O PT chegou ao fim de um ciclo político de joelhos e agora se encontra frente a uma oposição forte, vinda da direita e também da esquerda, pelo Ciro Gomes”.
Alencastro acredita que se Lula não conseguir se firmar como candidato do PT, seu sucessor terá muitas dificuldades em ganhar o voto da esquerda frente a Ciro Gomes, “que pode ser para o PT o que o Mélenchon foi para o Partido Socialista francês, ou seja, uma pessoa que colocou o prego no caixão.”
Anarquista Lúcida
6 de maio de 2017 7:59 pmTanta gente se dando ao trabalho de “alertar o PT”…
E Ciro Gomes como correspondente a Melenchon? Só por ser outro candidato mais para a esquerda (muito menos que Melenchon, na verdade menos do que o PT, o que é uma diferença importante em relaçao à França). E o Partido Socialista francês tb nao é um correspondente para o PT, é um partido completamente digerido pela situaçao. Mas vale tudo para dar uma de Cassandra em relaçao ao PT.
Clever Mendes de Oliveira
6 de maio de 2017 9:55 pmTalvez não tenha sido bem isso que o Mathias disse
Anarquista Lúcida (sábado, 06/05/2017 às 16:59),
Eu gostei mais da entrevista que Mathias Alencastro concedeu a Paulo Henrique Amorim e que pode ser vista no seguinte endereço:
https://youtu.be/Nt1-PcHesX0
Se bem que no título “Eleição na França: o que pensa Macron” dado à entrevista o link que aparece é:
https://www.youtube.com/watch?v=Nt1-PcHesX0
Agora, não achei muito justa sua crítica ao Mathias Alencastro. Ele não faz Ciro Gomes semelhante ao Jean-Luc Mélenchon. Ele diz que Ciro Gome pode ter o mesmo papel de Jean-Luc Mélenchon que teria colocado o prego no caixão do Partido Socialista. E ele não chega dizer que Ciro Gomes é de esquerda. Ele diz que ele se põe como oposição de esquerda. Hoje até o Renan Calheiros é de oposição à esquerda.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/05/2017
Anarquista Lúcida
7 de maio de 2017 10:55 pmConcordo em parte.
Vc tem razao sobre o que ele realmente explicitou. Mas ainda assim comparaçoes entre coisas muito diferentes sao enganosas.
paulovi
6 de maio de 2017 8:40 pmO dr. Mathias esqueceu de nós
O dr. Mathias esqueceu de nós outros, nós outros anonimamente discordamos da sua tese quanto ao PT, já o Hollande e Macron me dão a impressão de jogar no mesmo time, apenas camisas com cores diferentes.
romulus
7 de maio de 2017 6:22 amPai e filho
Né?
Le Roi et le duphin de France!
GEORGE Vidipo
6 de maio de 2017 8:48 pmEm uma otima entrevista com
Em uma otima entrevista com PHA, Alencastro apresenta o eleitor frances, sua não opção ideológica e demonstra o conceito de “movimento”. O eleitor francês e inglês, agora, faz suas escolhas em direção opostas, não mais preso a ideologia de esquerda ou de direita. Interessante. No caso Brasileiro, a pesquisa do Institudo Perseu Abramo já demonstrou que para o eleitor paulistano não há diferença politica entre Dória e Lula. Semelhanças?
[video:https://youtu.be/Nt1-PcHesX0%5D
Visitante - Nickname - Humberto
6 de maio de 2017 10:46 pmOntem e tá na Perseu Abramo
tá no facebook e no youtube (eles às vezes têm probleminhas técnicos) uma excelente entrevista com um estudioso de Berlin que dá no que pensar. Democracia e democratização. Capitalismo e Mercado, e é impressionante que nesse braço acadêmico do PT haja tal Debate (de verdade, não o que a gente gostaria de ouvir). Sugiro. fpabramo.ogr.br
Marcos Antônio
6 de maio de 2017 10:47 pmO estado de bem estar do
O estado de bem estar do francês, é um pouquinho maior que o nosso…
O antecessor não é um socialista frances, mas aqui é o temer junto com a ganância dos golpistas!
Se o eleitor brasileiro acompanhar essa teoria e se esquecer das “reformas” que estão na ordem do dia, então só teria uma situação: o povo não merece o país que tem…
Seria muita mediocridade e uma falta de ver como nação!
sergior
6 de maio de 2017 11:38 pmanálise juvenil
Graduação, mestrado e doutorado na França. Isso é Mathias Alencastro. Pouco conviveu no Brasil. Para nós, que aqui vivemos, já é difícil entender o que está ocorrendo, ainda mais para ele. É uma análise juvenil, usando um termo da moda. PS e PT pouco têm em comum. PS de Hollande tem, sim, muito em comum com PSDB nq atualidade. Quem propôs uma reforma trabalhista que, para os moldes franceses, destrói a relação de trabalho, foi o PS. Quem está associado ao rentismo, liderando o FMI, é o PS. A última vez que PS e PT tiveram alguma relação foi na eleição de 2002, lá e cá. Lá com Jospin, aqui com Lula. A maior distância entre os dois é mostrada pela relação com os EUA, de completa subserviência no caso do PS; de dificuldades crescentes e distância, no caso do PT. Hollande governa com estado de emergência, vai ganhar as eleições, é fato, pois apoia desde sempre Macron, mas seu governo é uma mistura de FHC e Temer, só isso.
aderbal alves
7 de maio de 2017 11:33 amdoutorado em Oxford
doutorado em Oxford
Jofran Oliva
7 de maio de 2017 12:29 amMuito bem Alencastro, e . . .
Muito bem Alecanstro, e quem a “Centro Direita” brasileira apresentaria como candidato capaz de vencer o Lula, ainda mais depois do estrago na vida do trabalhador brasileiro que o Temer vem fazendo? Geraldo Alkcmin, o “Santo”, João Dória o “jestor”, ou o Luciano Huck “o engana trouxas”. Rapaz, deixe suas conjecturas para a eleição americana que é mais fácil para você.
Hildermes José Medeiros
7 de maio de 2017 1:09 amOra, faça-me o favor!
Ora, faça-me o favor! Perdoe-me, mas não dá para perceber nenhuma parecença entre o que acontece na França na eleição de 07/05/17 (amanhã), e o que poderá acontecer no Brasil, em 2018. Na França, nenhum líder popular está na disputa final do segundo turno, que não seria o caso do Brasil. Mesmo se os golpistas forem capazes de impedir Lula de participar do pleito, como estão tentando; mesmo neste caso de não participação de Lula no embate eleitoral, com os oponentes que se apresentam, as pesquisas mesmo distantes já mostram, que nenhum poderá ter fôlego para enfrentar e ganhar o pleito de um nome indicado por Lula. E dessa vez não seria um poste. A oponente de direita do candidato, Emmanuel Macron, este que provavelmente ganhará a eleição, Marine Le Pen, é uma velha militante da política francesa. No Brasil, dos possíveis nomes à esquerda, com alguma densidade eleitoral, que já foram governadores de seus estados, e já desempenharam outros cargos na administração pública, como Roberto Requião e Ciro Gomes, este último até agora tem dito que não concorrerá, se Lula for candidato; quanto aos direitistas, Bolsonaro, o juiz (?) Sérgio Moro (nega que deseje ser candidato, mas a mídia, que apoia sua ação deletéria na justiça, procura deixar seu nome viável), o famoso Batman, juiz (?) Joaquim Barbosa e o trapalhão de São Paulo, João Dória, que é neófito na política partidária-eleitoral e está fazendo um trabalho confuso na capital paulista, todos não são nomes nacionais, e não têm densidade eleitoral para vencer o pleito de 2018. Há também a Mariana Silva, mas a verde também está enrolada e em baixa, desde a morte de Euardo Campos, seu aliado cuja biografia se deteriora a medida que o tempo passa. Também, não vejo nenhuma, mas nenhuma mesmo similitude entre os problemas do Partido Socialista Francês e do PT no Brasil. Aquele, está deixando o poder, aniquilado eleitoralmente dada a crise econômica e o insucesso de seus representantes, principalmente o Presidente François Hollande, no enfrentamento da crise; ao que consta, o PT apesar dos problemas que criou, como suas alianças com a direita (teve o usurpador como Vice-Presidente em dois pleitos, e foi incapaz de identificar suas ações conspiratórias), experimenta, depois que a Lava a Jato viu-se obrigada a incluir nomes de outros partidos, principalmente do PSDB, no caso seus principais quadros eleitorais para disputar a presidência, Aécio Neves, José Serra e Alckmin, todos enrolados até o pescoço com acusações, e o PMDB (este sem nome de peso, que não seja Roberto Requião que está à esquerda do partido), e, o mais grave, o desgoverno antissocial e entreguista do Temer, que afasta o povão por estar tentando tirar direitos trabalhistas e previdenciários, por mais que a mídia se esforce para apoiá-lo, colocando em destaque, por mais críticas se faça os avanços sociais alcançados nas administrações do PT, Lula e Dilma. Essa de o PT estar aniquilado não procede, pesquisas mostram, ainda mais agora com o seu principal quadro depois de Lula, José Dirceu, em liberdade, mesmo vigiada.
Severino Isidoro Fernandes Guedes
7 de maio de 2017 3:03 amPara um cientista político
Para um cientista político com formação no exterior a análise é superficial, equivocada e muito pouco crível. O sistema politico e partidário francês não guarda semelhanças com o brasileiro, tampouco o PT ou Lula estão acabados (o que ocorre com o PS francês e François Hollande) como mostram as pesquisas…
Ciro Gomes (PDT-CE) poderá ser o Melanchón sim, mas não numa linha anti-PT, mas sim anti-sistema. Que poderá até contar com a presença do PT…
Enfim, nada a ver com a realidade brasileira. Penso que ele não tem andado pelas ruas ou suas fontes de informação estão defasadas…
Vilson João Batista
7 de maio de 2017 3:42 amEleição francesa “é um alerta para o PT”, pensa Mathias Alencast
Pelas suas falas deste cidadão deve estar recebendo um BOM TROCADO dos yankes-banqueiros, os famosos RENTISTAS, visto as suas CONVICÇÕES & PROGNOSTICOS – com este sutaquezinho manhoso parece mais um destes economistazinho formado na escola de chicago, então … com se diz aqui no Rio Grande do Sul … “não vamos gastar polvora com quem não vale a pena … “, que va vender seus perfumes franceses em outra freguesia, ora bolas … !!!
Bom
7 de maio de 2017 6:31 amcomparar Brasil com a França
comparar Brasil com a França nas proximas eleicoes fica complicado. Principalmente que acabamos ter um golpe palarmentar, uma ruptura do processo democrático. Essa analise parece que vem dos “jornalões”.
alexis
7 de maio de 2017 9:06 amParalelos trocados
Num país desenvolvido como a França o neoliberalismo se apresenta com cara de esquerda. Já o nacionalismo, é mais uma bandeira da direita,. Lembrando que na França, o “rico” francês provavelmente tenha o seu dinheiro por lá mesmo.
Em países como Brasil, o rico deixa o seu dinheiro fora, e é a direita quem dialoga com o mundo neoliberal. Já a esquerda confere como único caminho a sua independência real dos seus colonizadores, caminhando para a recuperação da nação para os brasileiros.
A comparação de esquerdas e direitas entre ambos os hemisférios é totalmente atravessada e temos que ter muito cuidado neste tipo de avaliações.
aderbal alves
7 de maio de 2017 11:28 amNeoliberalismo
o neoliberalismo francês e igual ao daqui…não sendo opção de esquerda, no máximo cento. As opções de esquerda na França foram massacradas, como bem diz o autor.
bonobo de oliveira, severino
7 de maio de 2017 11:39 amTanta gente alertando o PT.
Com a devida venia para pegar o gancho da Anarquista Lúcida, enquanto tanta gente se ocupa de indicar caminhos e exemplos, enquanto outros não escondem o quanto festejam o abalo infligido ao partido “amigo”, sob fogo cerrado do consórcio abjeto formado pelas bandas mais podres, dominantes nas instituições PÚBLICAS do judiciário, e seus penduricalhos, com as organizações criminosas constituídas por empresários PRIVADOS, controladores de empresas detentoras de concessões PÚBLICAS de meios de comunicação e seus milhares de tentáculos, o fustigado inimigo vai realinhando fileiras.
E para aqueles que tanto desejam ouvir a tão propalada “autocrítica” do PT, o Senador Lindbergh Farias ouviu o clamor e fez, no 6º Congresso Estadual do PT em São Paulo (diferentemente do dissidente Humberto Costa que falou na Veja).
Disse, entre outras coisas importantes, que “…nós fomos frouxos no mensalão!”
http://www.pt.org.br/lula-nao-vou-permitir-que-a-rede-globo-continue-mentindo/
Eh verdade!
Foi no teatral e fraudulento julgamento (?) da AP 470, encenado em 2012, nos estúdios da Globo/Mossack-Fonseca, que o judiciário atravessou o Rubicão, na sua escalada final rumo a ilegalidade, invadindo atribuições do Legislativo e Executivo, abraçando ações políticas das mais rasteiras, a serviço de interesses PRIVADOS do Mercado. Já que eles haviam descido para o PLAY GROUND da política, o PT deveria ter chamado os togados para dançar nas tribunas da Camara e do Senado Federal, que é o local apropriado para o debate político. Desde Sun Tzu, sabe-se que é boa estratégia trazer o inimigo para o campo de batalha que o desfavoreça. Inda mais quando fora o próprio inimigo que invadira o campo de batalha que lhe é adverso.
Danilo Jorge Vieira
7 de maio de 2017 12:28 pmUm detalhe
Alguns aspectos meramente factuais que deveriam ser levadas em conta nesta análise comparativa feita pelo cientista político Mathias Alencastro:
1) O Partido Socialista francês, diferentemente do PT, não comandou um ciclo de importantes reformas sociais quando esteve no governo. Ao contrário, incorporou integralmente a agenda conservadora neoliberal.
2) Assim, o PSF perdeu seu potencial eleitoral por conta da rendição à agenda conservadora.
3) O PT, por sua vez, perdeu seu potencial eleitoral em razão, principalmente, de uma caudalosa e gigantesca campanha midiática e política, encaminhada por grupos poderosos (capital estrangeiro, EUA) e caudatários (grupos de mídia familiar, Globo à frente; PSDB; capital nacional; sistema de justiça brasileiro – Judiciário-MPF-PF).
4) Ciro aparece com 6% nas pesquisas; Lula com 30% e crescendo, de modo que é difícil aceitar a avaliação de que Ciro emerge liderando a esquerda, como Melénchon.
5) Dória não tem potencial eleitoral: teve menos votos que os brancos e nulos. Voto anti-PT, que está, ainda que lentamente, perdendo densidade.
Luís Henrique Donadio
7 de maio de 2017 12:35 pmComo que o Ciro Gomes está “à
Como que o Ciro Gomes está “à esquerda” do PT? Como que faz um paralelo entre ele e o Mélenchon? Que viagem.
Esses paralelos são furados se tentam estabelecer relações entre indivíduos. A Marine Le Pen não é o Trump francês, nem o Bolsonaro é o Trump ou a Le Pen brasileiros. São todos de direita, todos se aproveitam de um momento de crise institucional generalizada e de desmoralização “da política”, mas suas situações dentro do sistema político de seus países é muito diferente. Le Pen lidera um partido estruturado, coerente, com uma longa história na política francesa. Trump sequestrou, com muita habilidade e inteligência, aliás, um dos partidos de Estado americanos (e agora está sendo sequestrado de volta para uma agenda bastante tradicional, sem muito a ver com as promessas de romper com “o sistema”). Bolsonaro não tem nem uma coisa nem outra. Talvez ele venha a construir uma “Frente Nacional” da extrema direita brasileira. Vai ter de trabalhar uns vinte anos pra isso, até enraizar sua organização na sociedade brasileira da forma e com a força que a FN da Le Pen na sociedade francesa. Talvez ele venha a tomar de assalto o PSDB e tentar subordiná-lo à sua política, como o Trump fez com os republicanos. Não vejo isso acontecendo antes das eleições de 2018 – e, na verdade, sequer parece ser o que ele está tentando fazer.
Macron usa o discurso da anti-política, mas ele era ministro do Hollande. E o discurso anti-político dele é de um centrismo amorfo e insosso, muito diferente do direitismo raivoso do Dória. Ele está ganhando por que a base do PS se dividiu, uma parte indo para ele, e outra para o Mélenchon. Se algum paralelo cabe aqui, não é Dória-Macron, e sim Ciro Gomes-Macron (o Ciro é quem poderia cumprir esse papel de estabelecer um centro capaz de rachar o PT). Ou talvez Marina-Macron, mas isso já não deu certo duas vezes, não vejo muito bem como vai funcionar na terceira. Aí, entretanto, entra outra diferença importante, que é entre o Lula e o Hollande. O PSF não tem mais lideranças nacionais de peso, pelo menos nada remotamente comparável ao Lula.
E, sem minimizar o fiasco e a derrota do PT, o fiasco do PSF é de outra natureza. O PSF caiu para a direita, no desgaste natural de implementar a política da direita globalista. O PT caiu de outra forma, empurrado para fora pela direita; embora tenha tentado, canhestramente, fazer o mesmo que o PSF, a gula da direita brasileira não pôde esperar pelo desgaste do governo petista junto à sua base popular. Como o pessoal gosta de dizer por aqui, o governo brasileiro não caiu por causa dos seus erros, e sim por causa dos seus acertos. Duvido que algum francês diga algo parecido a respeito do governo do PSF.
Enfim, laranjas são laranjas, maçãs são maçãs. É tudo fruta, e ambas dão em árvore. Mas daí a procurar gomos (gomes?) na maçã vai um bocado de falta de compreensão de cada uma dessas frutas…
Mário Mendonça
7 de maio de 2017 1:03 pmNassif
Bom dia
Nossa, o
Nassif
Bom dia
Nossa, o Alencastro misturou alhos com bugalhos!
Por quantos golpes passou a França desde a implantação da República?
Por nossas bandas temos um a cada 20 anos !!!
romulus
7 de maio de 2017 1:39 pm(1)
http://www.romulusbr.com/2017/04/macron-e-franca-presidente-de-uma.html
romulus
7 de maio de 2017 1:39 pm(2)
http://www.romulusbr.com/2017/04/eleicao-na-franca-midia-ainda-no-sec-xx.html
romulus
7 de maio de 2017 1:40 pm(3)
Link:
http://www.romulusbr.com/2017/04/eleicao-na-franca-o-jogo-do-segundo.html
romulus
7 de maio de 2017 1:40 pm(4)
http://www.romulusbr.com/2017/05/aula-de-frances-quem-e-o-macron.html
romulus
7 de maio de 2017 1:40 pm(5)
Link:
http://www.romulusbr.com/2017/05/franca-como-no-brexit-velhos-sacrificam_5.html
romulus
7 de maio de 2017 8:33 pmMacron eleito: com “65%” (entre aspas!) – análise do resultado
http://www.romulusbr.com/2017/05/macron-eleito-com-65-entre-aspas.html
Eduardo Londero
7 de maio de 2017 9:42 pmO golpe contra o PT parece
O golpe contra o PT parece que não serviu de alerta para o PSF