A contagem paralela de votos anunciada pelas Forças Armadas através da Folha de S. Paulo, numa reportagem veiculada na segunda-feira (12), não terá “rigor científico” para servir de contestação aos resultados oficiais das eleições, que constitucionalmente são proclamados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Ouvindo em off especialistas em urnas eletrônicas que atuarão como fiscais das eleições 2022 no Brasil, a BBC publicou uma reportagem explicando a falta do rigor científico nos planos dos militares do governo Bolsonaro.
Os militares pretendem analisar um universo de 385 urnas numa contagem paralela de votos a partir dos boletins de urna, um extrato impresso por cada aparelho após o fim da votação. Mas essa amostra definida pelas Forças Armadas será incapaz de apontar a correção da apuração final do TSE.
Primeiro porque para comparar os votos de 385 urnas aleatórias com o resultado final a ser apurado pelo TSE, os militares precisariam fazer a coleta de dados em urnas selecionadas criteriosamente, considerando os dados sociodemográficos, geográficos e culturais da população. Sem isso, não é possível comparar o resultado da contagem paralela dos militares com o resultado do TSE. Este é o rigor científico que falta às Forças Armadas.
Com o extrato de 385 urnas escolhidas sem critérios científicos, os militares só poderão checar duas coisas: primeiro, a “zerésima” da urna, isto é, a prova de que não havia votos depositados previamente nas urnas analisadas; segundo, se a somatória final dos votos pelas Forças Armadas, a partir dos boletins das 385 urnas escolhidos pela instituição, coincidem com os dados que o TSE lançará no sistema a respeito daquelas urnas.
Resumindo e esclarecendo de uma vez por todas: “Não há como recontar votos com esse tipo de amostra”, disse uma das fontes ao site.
“A amostra de 385 boletins serve no máximo para verificar a transmissão correta dos resultados, mas naturalmente não serve para totalização paralela (ser somada e comparada com o resultado oficial). Para isso, entendo que a amostra teria que ser muito mais cuidadosa e estratificada por estados, já que a diferença entre candidatos muda muito de uma região para outra”, explicou por escrito à BBC News Brasil o professor Diego Aranha, que atualmente leciona no Departamento de Computação da Universidade de Aarhus (Dinamarca), referência no estudo da segurança das urnas eletrônicas.
Leia a reportagem completa na BBC aqui.
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