16 de julho de 2026

Na Fazenda, não há ninguém mais capacitado que Haddad, por Luis Nassif

A vantagem de Haddad é pensar de forma compartilhada, criativa, sempre buscando soluções para problemas concretos
Ricardo Stuckert

Na minha cabeça, poucas certezas são tão sólidas quanto a necessidade de Lula indicar Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda.

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Há muitas razões para isso.

A mais relevante é que a quadra atual da economia exigirá simultaneamente:

  • Inovação.
  • Capacidade de juntar diversas peças para montar o jogo.
  • Racionalidade para explicar esses movimentos para mercado, empresas e trabalhadores.

A vantagem de Haddad é pensar de forma compartilhada, criativa, sempre buscando soluções para problemas concretos. A formação em direito, economia e filosofia dotou-o de um pensamento multi-setorial, da capacidade de juntar peças distintas para buscar a solução final.

Por exemplo, a retomada do crescimento exigirá políticas de crédito inovadoras, seja para investimento, para inovação, para infraestrutura ou startups.

O crédito público não dará conta do recado. Daí a necessidade de que opere como indutor do crédito privado. Há várias maneiras de se avançar nessa frente, o crédito garantidor (o Estado repartindo parte do risco do setor privado), a capacidade de compra do Estado, o aproveitamento da capilaridade dos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), tudo isso exigirá, do lado da Fazenda, soluções inovadoras. E do lado dos Ministérios operacionais – Indústria e Comércio e Planejamento -, Ministros criativos, que atuem junto e sob a batuta da Fazenda.

No âmbito da política monetária, as operações compromissadas, o controle da liquidez com títulos do Tesouro e outras extravagâncias, exigirão soluções criativas que tirem esse peso da rolagem da dívida pública.

Da mesma maneira, o comércio regional terá que avançar com soluções tipo moeda única, da forma desenhada por Haddad e Gabriel Galípolo.

Todos esses passos e soluções exigirão rigor analítico, capacidade de construção de soluções sólidas, argumentos para defendê-las perante a opinião pública.

Há alguns sinais no ar de que Lula não se limitará a ser apenas o presidente da República. Será cada vez mais requisitado para liderar a grande frente civilizatória internacional contra a barbárie da ultra-direita. Daí a importância fundamental da escolha dos Ministros e da sincronização destes com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Nessa estrutura, haverá, mais do que nunca, a necessidade dos ministros articuladores que atuem não apenas no âmbito de suas atribuições, mas que sejam faróis nas reuniões ministeriais.

Haddad é a pessoa.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. Luiz Carlos Homem da Costa

    8 de novembro de 2022 1:24 pm

    Excelente, Nassif !
    Que Deus lhe abençoe
    e abençoe o Magnífico Trabalho que Você, ao longo de seu percurso, Realiza !

  2. Antonio Uchoa Neto

    8 de novembro de 2022 4:37 pm

    Não quero ser pessimista, mas…será possível sonhar com algum líder progressista – e, portanto, necessariamente – humanista, que não carregue em si a aura de mártir, ou, simplesmente, perseguido?
    São inúmeros os casos desse tipo, mesmo de líderes não unanimemente reconhecidos como progressistas/humanistas, pelo menos na totalidade de suas carreiras públicas.
    Assim, o Vargas progressista e popular dos anos 50 convive com a imagem de ditador sanguinário do Estado Novo; Gandhi paga por seu passado inevitavelmente manchado pelas singularidades sociais de sua casta em um país de extrema desigualdade; e inúmeros líderes, geralmente enquadrados como populistas, tem sobre si esse estigma de ambiguidade, de Médico e Monstro.
    Deixemos de lado líderes que, apesar de desfrutarem das mais altas honrarias e méritos, eram assumidamente conservadores, fascistas, racistas, xenófobos, enfim, tudo de ruim e desabonador que pode ser atribuído a uma figura pública, mas que se mantém nos panteões da humanidade, por terem vencido guerras e derrotado seus inimigos, e proporcionado prosperidade aos mesmos privilegiados de sempre. Churchill, por exemplo, e paro por aqui.
    Lula 3 é uma incógnita. Está, pelo menos até agora, seguindo o roteiro de seus dois primeiros mandatos, bem-sucedidos os dois, feitas as contas e pesados os prós e contras. Muita coisa mudou, de lá para cá, e apostar na mesma receita, em ambiente bem diferente, pode ser um risco; mas não há muitas opções, não para um político conciliador.
    Quanto ao Haddad, merece, de fato, todos os elogios do Nassif. Mas me lembra, dolorosamente, de Darcy Ribeiro, perdendo a eleição para o governo do RJ para uma ameba política e mental, mas bem conhecido pela população, Moreira Franco, exemplo acabado de político tradicional brasileiro, que só fala o que as pessoas querem ouvir. Parafraseando um dito popular, ambos – Darcy e Haddad – são bons demais para fazerem parte da verdade política brasileira. O preconceito contra Lula – o apedeuta – trabalha contra e a favor dele; se, por um lado, atrai para si o ódio das classes média e média alta, por outro atrai a simpatia do povo com quem compartilha a origem e a luta.
    Darcy e Haddad, instruídos, acadêmicos, passam desapercebidos às massas, e atraem apenas um ódio peculiar de seus pares sociais: aquele que é despertado por um sentimento de traição à própria classe. E, ao contrário da indiferença das massas, que fica restrita a elas mesmas e não se expressa de nenhuma forma, o ódio das classes média e média alta contra aqueles que julgam traidores se exprime fartamente, pela imprensa, pela cultura de massa, e pelas redes sociais que se preparam para monopolizar a comunicação e interação humanas, nos próximos anos, de forma sedutora e não coercitiva.
    Para qualquer pessoa sensata e desapaixonada, e independente dos resultados que seu terceiro mandato possa produzir, Lula, que graças a Deus não se transformou em mártir, tem seu lugar na História ao lado de humanistas e progressistas que, de alguma forma, contribuíram para melhorar a vidas das pessoas. Mas, para os insensatos e fanáticos, não passa de um bandido de 5ª categoria. Com sua pele curtida de nordestino e oprimido, pôde sobreviver a tudo e retornar triunfalmente, pois suas armas não são as de fogo, mas aquelas que todo pobre e despossuído possuem, a verdade e as ideias.
    E Haddad? Será jogado na máquina de moer carne da política, no reino da baixaria e da traição, e as enfrentará com que armas?
    Seu intelecto? Quantos políticos do baixo clero, dos esgotos que geraram bolsonaros e cunhas, se impressionarão com essas armas? As da palavra, da crítica, da sensatez, que só fazem sentido se acompanhadas da generosidade, da solidariedade, do desinteresse?
    Alguém aí aposta nisso?

  3. Naldo

    8 de novembro de 2022 4:50 pm

    A favor dele está a contrariedade dos abutres carniceiros sugadores do sangue do povo que insistem em chamar de “mercado”, eufemismo atroz, se eles são contra, sou a favor…..

  4. Arthur Arruda

    8 de novembro de 2022 7:36 pm

    Niilista e agudo, excelente comentário do @Antonio Ucho Neto. Como sociedade somos a vanguarda do atraso, o país que naturalizou ad eternum a mais funesta tradição escravagista conhecida na História dos homens. Tal qual o velho poeta defronte à Tabacaria, estou hoje vencido.

  5. Antonio Uchoa Neto

    8 de novembro de 2022 7:57 pm

    Obrigado, Arthur Arruda, pelo elogio e pela lembrança de Fernando Pessoa. Na verdade, venho ao GGN todos os dias pela informação e para pegar emprestado um pouco de otimismo ao Nassif. Mas tá difícil, mesmo. Um grande abraço.

  6. Rubem

    9 de novembro de 2022 11:56 am

    Fernando Haddad poderá ser ministro em qualquer área da esplanada, incluindo o Ministério da Fazenda, mas considerando as varias faces das escolhas, acho que o Ministério do Planejamento seria o melhor e menos desgaste para preservar sua Candidatura a sucessão do Lula.
    Também acho que essa face de possível candidato pode contaminar suas ações num área tão sensível que tem outros grandes talentos – Pérsio Arida, Lara Rezende e até Meirelles.

  7. EUGENIA VITORIA LOUREIRO

    12 de novembro de 2022 1:14 am

    Achei excelente sua defesa do Haddad. Me convenceu.

  8. Paulo Dantas

    12 de novembro de 2022 2:01 am

    Nomear alguém para a Fazenda pensando em tê-lo para candidato em 26 é grande a chance de “dar ruim”, a encrenca da Fazenda já é grande demais.
    Como ainda vale o art 84 a bola está com seu Luis.

  9. Antonio Carlos gomes

    12 de novembro de 2022 12:15 pm

    Concordo plenamente com este seu raciocínio.

  10. João Siqueira

    13 de novembro de 2022 1:32 pm

    Haddad é de longe a pessoa mais talhada para está imensa tarefa. Só resta torcer a favor do Brasil.

  11. Jairo Moraes Junior

    13 de novembro de 2022 6:00 pm

    É, Haadad é o “kara” !

  12. Anônimo

    16 de novembro de 2022 2:21 pm

    Não podemos observar os governos do Ceará e Bahia do PT que tiveram resultados eleitorais muito bons por terem feito boa gestão pública com muita criatividade, o que demonstrou nas eleições.

  13. Anônimo

    16 de novembro de 2022 2:22 pm

    Não podemos deixar de observar os governos do Ceará e Bahia do PT que tiveram resultados eleitorais muito bons por terem feito boa gestão pública com muita criatividade.

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