Operação Venire: Entenda a ação da PF contra Jair Bolsonaro por falsificação de dados de vacinação

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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Polícia Federal deflagrou nesta manhã uma operação que levou o celular de Bolsonaro e prendeu assessores do ex-presidente

Bolsonaro em lançamento de plano de vacinação, em dezembro de 2020, do Ministério da Saúde – Foto: Reprodução Transmissão EBC

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de uma Operação da Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira (03), acusado de envolvimento em esquema de adulteração de dados do Ministério da Saúde sobre as vacinas de Covid-19. O celular de Bolsonaro foi apreendido e o então assessor do ex-presidente, Mauro Cid, foi levado preso.

Entenda o que é a Operação Venire:

– A investigação da PF apura uma possível “associação criminosa constituída para a prática dos crimes de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde”.

– Os investigados, entre eles o próprio ex-presidente, teriam realizado adulteração em dados de vacinação de Covid-19, entre novembro de 2021 e dezembro do ano passado, com o objetivo de permitir o certificado sanitário internacional para viajar aos Estados Unidos.

– Jair Bolsonaro sempre admitiu que não tomou as vacinas de Covid-19. Mas ele viajou aos Estados Unidos, em dezembro do ano passado.

– Na Operação deflagrada nesta manhã, a PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e 6 mandados de prisão preventiva em Brasília e no Rio de Janeiro.

– A casa de Jair Bolsonaro foi alvo de um dos mandados de buscas. Em sua residência, o celular do ex-mandatário foi apreendido e ele teria se recusado a informar as senhas dos aparelhos.

– Bolsonaro também foi intimado a depor na Polícia Federal sobre esta investigação. Ele negou prestar depoimento.

– O ex-assessor Mauro Cid foi um dos presos nesta manhã. O tenente-coronel era ajudante de ordens de Bolsonaro, controlava o cadastro do então presidente no ConecteSUS e teria incluído os dados falsos de Bolsonaro e de sua filha de 12 anos, Laura, nos sistemas do Ministério da Saúde.

– Também foram presos o ex-policial militar e fiel assessor de Bolsonaro, Max Guilherme Machado de Moura, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara e o capitão da reserva Sérgio Rocha Cordeiro. Os três foram aos Estados Unidos com o ex-mandatário.

– O último preso é o secretário municipal de Saúde de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha. Ele teria colaborado na suposta falsificação dos cartões de vacina de Covid-19. De acordo com os investigadores, ele teria registrado que Bolsonaro tomou duas doses do imunizante em Duque de Caxias.

– A Operação da PF ocorre dentro do inquérito das milícias digitais, no Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores identificaram conexão das supostas falsificações com o discurso contra a vacina de Covid-19 sustentado pelo grupo, até então amplamente disseminado na redes. A atuação da PF foi autorizada pelo relator Alexandre de Moraes.

– Os crimes investigados são de associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação, infração de medida sanitária preventiva e corrupção de menores.

Em atualização

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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