11 de junho de 2026

Ex-assessora revela esquema de rachadinha de Joice Hasselmann

A ex-assessora também relatou que era tratada de maneira hostil pela ex-deputada e que recebia ordens para limpar o apartamento de Joice
Foto: Reprodução

A ex-assessora Juliana Christine Pereira Bejes apresentou ao Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) acusações de esquema de rachadinha e assédio moral contra a ex-deputada federal Joice Hasselmann (sem partido-SP).

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A ex-funcionária foi assessora de Joice durante um ano e oito meses. Segundo, ela a ex-deputada usava seu salário e benefícios mensais de aproximadamente R$ 13,5 mil para pagar despesas pessoais, da filha e do ex-marido. 

À reportagem do Uol, Juliana apresentou notas fiscais, documentos bancários, cópias de mensagens de WhatsApp e informações do sistema de reembolso da cota parlamentar da Câmara dos Deputados como evidências de sua denúncia. 

Ao comparar as informações fornecidas por Juliana nos diferentes documentos, valores, datas e local dos gastos coincidem.

O acordo

A ex-assessora foi nomeada em abril de 2021. O seu marido também se tornou funcionário do gabinete da ex-deputada em junho do mesmo ano. 

A partir daquele mês, a ex-assessora teria feito um acordo com Joice e diz que devolveu todos os salários recebidos. Com isso, o casal e o filho de colo sobreviviam somente com o salário do marido de Juliana, de R$ 12,6 mil.

À época, o salário bruto de um deputado federal era de R$ 33,7 mil. A ex-deputada chegou a admitir que entregava dinheiro ao marido de Juliana para pagar suas contas por estar com parte do salário bloqueado por causa de um processo judicial envolvendo a revista Veja.

Joice justificou que o uso de dinheiro em espécie para pagar as despesas era porque mantinha uma quantia guardada em um cofre no apartamento em que morava em São Paulo, cerca de R$ 25 mil a R$ 30 mil, para emergências.

Ao Uol, Juliana diz que aceitou fazer a rachadinha porque tinha mudado de cidade, feito contrato de aluguel de longo prazo e tinha um bebê de colo para criar. Ela alega que fez a denúncia porque “não aguentava mais viver nesta situação”. 

Assédio e serviços domésticos

A ex-assessora também relatou que era tratada de maneira hostil pela ex-deputada e encaminhou à reportagem um áudio que mostra a maneira como era tratada. 

Em uma mensagem de WhatsApp enviada ao marido de Juliana, a ex-assessora é chamada de “fdp” porque não depositara o dinheiro aguardado por Joice.

Além disso, outros registros de mensagens mostram que a ex-assessora recebia ordens para limpar o apartamento e lavar as roupas de Joice. 

Ainda, Juliana conta que era obrigada a buscar o marido de Joice no aeroporto, a fazer supermercado para o casal, a levar o carro na oficina e até a emprestar o carro dela enquanto ficava a pé. 

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn”      

Tentativa de extorsão?

Também ouvida pela reportagem do Uol, Joice negou qualquer envolvimento em atividades ilegais e afirmou que sendo acusada devido à sua recusa em ceder a uma tentativa de extorsão por parte de Juliana. 

Ela argumentou que a ex-funcionária e seu marido falsificaram as provas documentais e exigiram um pagamento de R$ 300 mil, valor que ela se recusou a pagar. 

Joice descreveu o casal como “canalhas, vagabundos e sem-vergonhas” e disse que irá registrar acionar a justiça contra Juliana e seu marido.

Toc toc toc… é a Polícia Federal

No início do mês, Joice publicou um vídeo nas suas redes sociais reproduzindo o meme “toc,toc,toc…é a Polícia Federal”, ao comentar o caso de fraude em cartões de vacinação contra a covid-19 envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Crítica aos casos ilegais que assombram a família Bolsonaro – da qual já foi aliada, a deputada ainda disse : “Eu bem que avisei“, ao se referir à operação da PF contra Bolsonaro. 

Agora, a assessoria de comunicação do MPF afirmou que já recebeu a denúncia de rachadinha e assédio contra a ex-deputada e que os procuradores avaliam o conteúdo para decidir quais medidas judiciais devem ser adotadas sobre o caso de Joice.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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