10 de junho de 2026

Flávio Bolsonaro defende que futuro presidente bolsonarista garanta indulto a Jair Bolsonaro, mesmo contra decisão do STF

Senador admite possibilidade de “uso da força” e “interferência entre os Poderes” caso Supremo considere inconstitucional eventual perdão
Lula Marques - Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o candidato à Presidência apoiado por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), deverá assumir o compromisso de conceder e garantir o cumprimento de um indulto ao ex-presidente, caso ele venha a ser condenado e preso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

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Em entrevista publicada neste domingo (15) pela Folha de S.Paulo, Flávio foi além: disse que, mesmo que o STF considere inconstitucional o eventual perdão presidencial, o futuro chefe do Executivo deverá assegurar que o benefício seja mantido.

[Bolsonaro] Não só vai querer apoiar alguém que banque a anistia ou o indulto, mas que seja cumprido”, declarou o senador aos jornalistas Thaísa Oliveira, Marianna Holanda e Gabriela Biló.

Flávio ainda avaliou que o Partido dos Trabalhadores (PT) certamente recorrerá ao Supremo para tentar barrar o perdão, mas sustenta que caberá ao presidente bolsonarista garantir o cumprimento da medida: “Vai ter que ser alguém na Presidência que tenha o comprometimento, não sei de que forma, de que isso seja cumprido”.

Ao detalhar o cenário, Flávio Bolsonaro ainda reconheceu os riscos de crise institucional. “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre os Poderes. Tudo que ninguém quer”, disse osenador.

Apesar de dizer que não fala “em tom de ameaça”, Flávio reforçou que esse será um compromisso essencial para qualquer candidato que queira o apoio de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026: “Certamente o candidato que o presidente Bolsonaro vai apoiar vai ter que ter esse compromisso, sim”.

Anistia como solução “mais tranquila”

Para o filho 01 do ex-presidente, a melhor saída seria uma anistia aprovada ainda este ano, pelo Congresso Nacional, em acordo com o STF. Flávio vê essa possibilidade como a solução menos conflitiva, capaz de evitar um embate institucional mais grave.

Justamente por isso, a anistia será o tema central da manifestação convocada por Jair Bolsonaro para o próximo dia 29 de junho, na Avenida Paulista. O ex-presidente busca reunir apoiadores para pressionar o Congresso e o Judiciário.

O clima da convocação, no entanto, contrasta com a postura mais contida que Bolsonaro adotou ao depor no Supremo, quando foi interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes no processo sobre a tentativa de golpe.

Em vídeo divulgado nas redes sociais para convocar o ato, Bolsonaro aparece exaltado e com tom de desafio: “Eu tenho paixão pelo meu Brasil. Se algo na covardia acontecer comigo, continuem lutando. Eu vou ser um problema para eles, preso ou morto!”, declarou.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. GalileoGalilei

    16 de junho de 2025 8:36 pm

    Incrível como muita gente ainda não se deu conta de que na entrevista, cuja íntegra pode ser acessada no site da Folha, há a seguinte pergunta, cuja resposta aparece na sequência:
    Mas qual seria a alternativa? Vamos supor que isso aconteça. Aí não tem mais remédio que exista para você fazer uma pessoa insana como o Alexandre Moraes voltar à normalidade, não achar que é o dono do Brasil, que tem a própria Constituição.

    Ao contrário do que acusa Flávio Bolsonaro, quem acha que é dono do Brasil e tem a sua própria Constituição é o seu pai e não o Ministro Alexandre de Moraes.

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