General deixa a presidência da Funai e diz que secretário de Bolsonaro ‘saliva ódio aos indígenas’

Franklimberg de Freitas deixa o cargo após pressão de ruralistas e diz que 'presidente está muito mal assessorado a respeito da política indigenista'

O general da reserva do Exército Franklimberg Ribeiro de Freitas. Foto: Alberto César Araújo/Aleam

Jornal GGN – “Quem assessora o senhor presidente não tem conhecimento de como funciona o arcabouço jurídico que envolve a Fundação Nacional do Índio. O presidente está muito mal assessorado a respeito da condução da política indigenista no país. E quem assessora o senhor presidente da República é o senhor Nabhan. Que, quando fala sobre indígena, saliva ódio aos indígenas”, a frase é do agora ex-presidente da Funai Franklimberg Ribeiro de Freitas, general do Exército da reserva.

A declaração aconteceu nesta terça-feira (11) em um auditório da Funai diante de servidores, quando Franklimberg anunciou sua decisão de se afastar da presidência do órgão.

O “senhor Nabhan” mencionado por Franklimberg é o secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura. O general disse ainda que Nabhan Garcia, a quem chamou de “esse cidadão”, queria acabar com o departamento de Proteção Territorial (DPT) da Funai, entidade responsável pela proteção, identificação e demarcação de terras indígenas.

Quando assumiu o Planalto, Bolsonaro retirou a Funai do Ministério da Justiça e colocou a pasta sob o comando do Ministério da Agricultura. Após uma queda de braços entre o governo e indigenistas no Congresso, o órgão voltou para o Ministério da Justiça, entretanto, o responsável pela pasta, Sérgio Moro, já fez declarações que não têm interesse em cuidar da Funai.

Franklimberg destacou também que a Fundação Nacional do Índio é vista “como óbice ao desenvolvimento nacional” por integrantes do governo, especialmente, nas questões sobre licenciamento ambiental em grande empreendimentos. Para corrigir essa imagem, o general defende uma revisão do arcabouço jurídico eliminando as “contradições” entre essa questão e a política indigenista, não penalizando a Funai “por esse passivo”.

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Franklimberg destacou que o orçamento da Funai “é muito pequeno para o atendimento das demandas dos indígenas” e que a pasta sofre com déficit de pessoal.

“A coisa [atendimento] não chega até o indígena. O que mais o presidente da Funai passa tempo aqui é defendendo a instituição de ataque de B, de interesse de B e de interesse de C […] Ataques que diuturnamente estamos recebendo”, desabafou.

Essa é a segunda vez que o general se exonera da presidência da Funai. Franklimberg ocupou o cargo pela primeira vez no governo Michel Temer, entre 2017 e 2018. Na ocasião ele também pediu o afastamento por conta da pressão de ruralistas parlamentares que queriam alterar os processos de demarcação de terras indígenas.

Desde o golpe parlamentar que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, em maio de 2016, a Funai teve seis presidentes – na média, um a cada seis meses.

*Com informações da Folha de S.Paulo

 

 

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8 comentários

  1. GENERAL FRANKLIMBERG
    O problema não se resume a esse ruralista infame chamado Nabhan. Esse sujeito é o representante de ruralistas com valores escravocratas e que estão apenas interessados em seus mesquinhos interesses. O Brasil é apenas um espaço geográfico que eles dominam para aumentarem suas riquezas pessoais.
    Pergunto ao senhor, general: onde estão os militares NACIONALISTAS ? São todos entreguistas, como parece ser ? Agora mesmo, seu líder, o general Villas Boas, está publicamente defendendo um criminoso que corrompeu a essência do Estado. Por que não se pronunciam os militares nacionalistas em defesa do Estado Democrático Brasileiro ?

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    • certíssimo…
      este negócio de apenas ficar pedindo demissão, sem interesse algum em encarar os abusos, os mandos e desmandos de frente, não vai resolver nada

      a covardia e a indiferença faz parte de tudo que fortalece este governo destruidor

  2. Faz parte da extrema-direita a ideologia da supremacia branca. E é isso que tem mostrado os diversoes setores do governo do Bolsonaro. Falar que o governo Bolsonaro é de direita é mais uma desonestidade da imprensa e das instituições brasileiras.

    • E não é de direita? Bolsonaro representa a direita mais asquerosa deste país. Basta acompanhar os depoimentos de Damares e de Weintraub, e da prole do “presidente”, para verificarmos claramente em que situação vivemos. Uma direita fascista, reacionária ao extremo, racista, defensora da tortura, da pena de morte, contrária ao livre pensamento das Universidades públicas, às pesquisas nas Universidades, que promove o sucateamento da Educação e da Saúde. Em suma, uma direita nociva e criminosa.

  3. Eu não entendo
    Se o Brasil é um só
    Se todos nós somos brasileiros
    Porquê tem que dar tratamento diferenciado para os índios.?
    Porquê existe um órgão (Funai)?
    Qual o seu papel,? Visto que os índios do Brasil,tem que ser igual aos demais habitantes. isso para mim , só divide o país.os índios tem que ser respeitado, isso eu concordo.mas criar um órgão,que de exclusividade a um grupo, isso não.
    Pois todos nós somos brasileiros,temos direitos e deveres,.
    Índio para mim,é um cidadão brasileiro igual ao branco e ao negro.
    Pois eu aprendi na escola que, o povo brasileiro é a união dessas três belas raças.
    Chega de exclusivismo
    Viva o povo (Índios, negros, brancos).brasileiro

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