10 de junho de 2026

Gestor acusa BC de Campos Neto e CVM de ignorarem alertas sobre o Banco Master

Em depoimento à CPI, Vladimir Timerman afirma que órgãos reguladores foram coniventes com irregularidades
Campos Neto por Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil

▸ Advogado Timerman acusa BC e CVM de negligência em fraudes bilionárias no Banco Master, em depoimento à CPI.

▸ Denúncias formais sobre manipulação de ativos e precatórios foram ignoradas antes do escândalo estourar.

▸ CVM teria atrasado inquéritos e omitido informações; BC editou norma só após denúncias, segundo depoente.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O sistema de fiscalização do mercado financeiro brasileiro entrou na mira do Congresso nesta quarta-feira (18). Em depoimento à CPI do Crime Organizado, o advogado e fundador da gestora Esh Capital, Vladimir Timerman, afirmou que o Banco Central (BC), durante a gestão de Roberto Campos Neto, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foram negligentes diante de alertas que poderiam ter interrompido fraudes bilionárias orquestradas pelo Banco Master.

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Segundo o ICL Notícias, o depoimento sustenta que as autoridades receberam denúncias formais muito antes da eclosão do escândalo do Master, mas optaram pela inércia. “Se tivessem prestado atenção no que eu falei, teriam evitado”, declarou Timerman aos parlamentares.

A mira sobre Campos Neto

O depoente focou na responsabilidade direta do Banco Central ao ignorar o crescimento do Banco Master e de operações envolvendo o empresário Nelson Tanure. Timerman relatou ter formalizado denúncias em 2023 sobre o uso de precatórios para inflar artificialmente o balanço da instituição.

A tese apresentada é de que o Master adquiria ativos por valores baixos e, em poucos dias, os reavaliava por cifras astronômicas para simular solidez patrimonial. Em um exemplo citado, um ativo de R$ 136 milhões teria sido revendido por R$ 320 milhões em apenas cinco dias. “O dinheiro era desviado antes de entrar no banco”, afirmou.

Timerman destacou que, apenas 29 dias após sua denúncia sobre precatórios, o BC editou uma norma restringindo tais operações. Para o gestor, a mudança regulatória não foi proativa, mas uma confissão tardia de que o problema já era conhecido e estava fora de controle.

Conflitos e “escaninho” na CVM

Se a crítica ao BC foi de lentidão, a acusação contra a CVM foi de obstrução. Timerman relatou que, em 2023, ao apresentar provas ao então presidente da autarquia, teria ouvido uma frase em tom de ameaça: “Você reclama muito da CVM. Então a gente vai colocar os processos no fundo do escaninho”.

O gestor afirmou que um parecer técnico de 2022 já recomendava a abertura de inquérito administrativo sobre o grupo, mas a CVM teria levado 473 dias para agir. Ele acusou a autarquia de ser “mais culpada” por, supostamente, omitir informações da Polícia Federal.

Do “laboratório” Gafisa ao Master

Para o depoente, as irregularidades na construtora Gafisa serviram como um laboratório para o modelo aplicado posteriormente no Banco Master. O esquema envolveria estruturas opacas e fundos de investimento com múltiplas camadas para ocultar os reais beneficiários e a origem do capital.

O depoimento altera o eixo da CPI: o foco deixa de ser apenas os operadores privados e passa a questionar o silêncio das instituições que deveriam zelar pela higidez do mercado. Até o fechamento desta edição, o Banco Central e a CVM não haviam se manifestado detalhadamente sobre as acusações feitas na comissão.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    19 de março de 2026 5:28 pm

    O $enador Viana garantiu que vai explicar com tranquilidade a destinação de recursos dos contribuintes à Ingreja Ladroinha. Os contribuintes precisam que ele justifique, não que explique

  2. Rui Ribeiro

    20 de março de 2026 5:04 am

    No que diz respeito à Cpmi do INSS, tá difícil saber qual é a decisão ilegitima: se a do Mem Bafo de Onça ou a do Viana que descumpre deliberadamente decisão judicial e ainda defende a legitimidade do seu ato

  3. Rui Ribeiro

    20 de março de 2026 5:14 am

    “A PF não é superior à CPI em nada. A CPI tem, constitucionalmente, a liberdade de pedir documentos e guardar documentos em sigilo. Os dados foram retomados em uma decisão legítima da minha parte, em requisição ao provedor do telefone”. –
    Senador Carlos Viana (Podemos-MG)

    Decisão do STF havia suspendido acesso ao material. Mendonça determinou a retirada dos dados da chamada sala-cofre no Congresso após vazamento de mensagens privadas do banqueiro, para que a PF separasse conteúdos de interesse da investigação de informações pessoais.

    Quer dizer: tem uma decisão ilegítima. Segundo o Viana, é a do Mendonção. E aí, Mendonça, vossa incelença vai continuar pegando leve com os seus correligionários?

    Essa separação de arquivos não seria para apagar nomes de santos do pau oco bostonaristas e blindá-los?

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