Guimarães ameaçou funcionários por restrição da Caixa que o impediu de receber R$ 100 mil a mais

Além de ameaçar funcionários, Guimarães disse que mudança foi proposital de contrários a Bolsonaro: "Ou comigo ou Lula"

Pedro Guimarães recebia R$ 56 mil por mês como presidente da Caixa, mas tinha uma remuneração total de cerca de R$ 200 mil por integrar conselhos de subsidiárias do banco.

Uma mudança no regimento interno da Caixa, no ano passado, passou a restringir essa participação em conselhos a Guimarães e executivos. Ao tomar conhecimento da mudança, o ex-presidente do banco convocou seus subordinados, atacou e ameaçou-os por fazer perder “mais de R$ 100 mil”.

Remuneração extra

Na reunião, da qual o conteúdo dos áudios foram divulgados por Rodrigo Rangel, do Metrópoles, Guimarães gritava e dizia que a mudança do regimento havia sido feita de maneira proposital para expor a sua remuneração acima do permitido e também ameaçava os participantes do encontro que se aquele tema vazasse, eles seriam demitidos.

“Isso vai vazar, para me desgastar. Isso é para me desgastar. P*t* que pariu, eu vou devolver o dinheiro. Faz a conta, entendeu, Celso? Tem que fazer a conta, e tem que fazer a conta que doa mais no meu bolso. Ou seja: assumir os CAs [conselhos de administração] que eu ganho menos. P*t* que pariu, isso é tão ridículo, cara. Me mato de trabalhar que nem um filho da p*t* do c* elevado à décima quinta para nego só me f*d**.”

Acusado de assédio sexual, presidente da Caixa é próximo de Bolsonaro

A um amigo pessoal e seu assessor especial na Caixa, Guimarães continuou afirmando que a mudança era para o atacar em período pré-eleições. Como o GGN mostrou, o ex-presidente do banco foi uma indicação do governo Bolsonaro e participou de agenda de campanha do mandatário em diversas ocasiões.

Ainda no final do ano passado, sindicatos de bancários protocolaram pedidos de investigação contra Guimarães por usar eventos institucionais do banco para autopromoção, com vistas a um cargo político nas eleições de 2022.

“Ou comigo ou Lula”

Ao se dirigir aos seus funcionários, Guimarães disse que “ou vocês estão comigo ou vão buscar Haddad e o Lula, não tem essa de querer ficar comigo e com o Lula”.

“Estão querendo me f*d**. Eu não acredito que isso daí é incompetência. Eu acredito no que eu já falei para vocês dois: está chegando a eleição e nego está querendo fazer hedge [se proteger], e eu vou tirar todo mundo que eu achar que está fazendo hedge. Porque deixa eu falar para todos vocês: ou vocês estão comigo ou vão buscar Haddad e o Lula. Não tem essa de querer ficar comigo e com o Lula. Bem claro isso. Porque isso eu não acho que é um erro. Nego não pode ser tão ruim assim, a ponto de querer me expor dessa maneira. E ninguém viu?”.

“Roubando a Caixa”

O então presidente da Caixa comentou que devolveria o dinheiro de cerca de R$ 100 mil por mês a mais para não parecer que ele estava “roubando a Caixa”.

“Eu vou devolver o dinheiro, não tem condição. Como é que eu não vou devolver o dinheiro? Vai estourar essa merda daqui a seis meses, dizer que estou roubando a Caixa. Eu não estou, eu não sei, eu era contra, nunca ninguém falou isso para mim. (…) Então, isso é traição, porque isso passou [a mudança do regimento] sem nunca ninguém passar para mim. (…) Como é que eu vou saber? Como é que eu vou ter tempo, eu não posso confiar nas pessoas de dentro do banco? Porque isso para mim é falta de lealdade. É querer, p*t*, fazer hedge para se o presidente [Jair Bolsonaro] não ganhar [a eleição]. Só que eu vou tirar [demitir funcionários ligados a mudança e que não o informaram].”

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1 Comentário

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Marcio

- 2022-07-06 11:27:36

Seria isso um Pixuleco ???

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