Acusado de assédio sexual, presidente da Caixa é próximo de Bolsonaro

Além do assédio, presidente da Caixa já foi alvo de ação por usar recursos e eventos da Caixa para autopromoção, ao lado de Bolsonaro

Acusado por funcionárias de assédio sexual, o presidente da Caixa é pessoa próxima do presidente Jair Bolsonaro e foi escolhido para o cargo por Paulo Guedes, ministro da Economia.

Pedro Duarte Guimarães é especialista em privatizações e, como tal, foi a escolha da política neoliberal de desestatizações do ministro Guedes para o comando da Caixa Econômica Federal, ainda em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro.

A aproximação com o próprio mandatário aumentou desde que Guimarães assumiu o cargo, chegando a aparecer de forma recorrente em fotos com Jair Bolsonaro em sua agenda política.

Leia: “Você gosta de sauna?”: Presidente da Caixa é acusado de assédio sexual

Linha liberal x Caixa

Como presidente da Caixa, as políticas adotadas estavam alinhadas às decisões de Bolsonaro, como a criação do programa Auxílio Emergencial, pago pela Caixa Econômica como auxílio financeiro durante a pandemia.

O executivo é formado em Economia pela PUC do Rio de Janeiro, em 1992, com três mestrados, um deles na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e já assumiu cargos no banco Brasil Plural e BTG Pactual, ambos voltados aos investimentos, distante do caráter de políticas públicas que detém a Caixa.

Investigação

As incisivas entrevistas e aparições públicas dadas por Guimarães a partir do auxílio emergencial e as fotos e presenças em eventos públicos ao lado de Bolsonaro provocaram uma ação para investigá-lo de promoção política pessoal.

A ação foi apresentada por entidades do movimento sindical bancário, inicialmente ao TCU (Tribunal de Contas da União), chegando ao Ministério Público Eleitoral (MPE), devido aos indícios de possível intenção de Guimarães de concorrer a cargo público este ano e usar a imagem como campanha política antecipada.

“São graves indícios de tráfico de influência, uso indevido dos canais de comunicação da empresa para benefício próprio, autopromoção e obtenção de vantagens”, disse o presidente da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), Sergio Takemoto, à época.

Na ação, os ministros do TCU reconheceram que havia evidências de uso pessoal por parte de Guimarães para possível campanha eleitoral antecipada. As entidades sindicais levantaram atos do presidente da Caixa como centenas de viagens com recursos do banco, acompanhado de Bolsonaro, e a disseminação de parte dessas fotos pelo banco.

Fotos

Confira algumas das fotos que Pedro Guimarães aparece com Jair Bolsonaro:

Em junho de 2019, Guimarães dividiu o palanque com Bolsonaro para assinar o acordo entre a Caixa e o Comitê Paralímpico Brasileiro.

Foto: Daniel Zappe/CPB

O episódio ficou marcado após Bolsonaro decidir fazer flexão com João Dória, militares e atletas. Apesar de Guimarães não entrar na roda, em dezembro de 2021, o executivo fez os funcionários “pagarem” flexão, em evento institucional do banco, realizado em um resort de luxo em Atibaia, interior de São Paulo.

Empregados da Caixa fazendo flexões em evento do presidente do banco Pedro Guimarães, imitando gesto de Bolsonaro – Foto: Reprodução Bancários do Rio

Durante o ano de 2021, Guimarães foi convidado de Jair Bolsonaro a suas tradicionais lives de quinta-feira, para tratar de temas desde o auxílio emergencial até as intenções de privatizar a Caixa:

Fotos: Reprodução Redes Sociais

Também em dezembro do ano passado, Pedro Guimarães passeou de lancha com Bolsonaro, durante recesso do próprio presidente, em Guarujá, no litoral de São Paulo.

Foto: Redes Sociais

A cena e o ato se repetiram, naquele mesmo período, na Baixada Santista. Na ocasião, o executivo da Caixa disse que estava “indo pescar em excelente companhia”, em suas redes sociais:

Foto: Redes Sociais

Quando protocolou a ação junto ao TCU, no ano passado, o presidente da Fenae criticou as posturas de Pedro Guimarães. “A Caixa Econômica Federal é um banco público centenário e não pode ser transformada em balcão de negócios para beneficiar um grupo de políticos ou um governo”, disse Takemoto.

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