De Época
Ironia no financiamento de campanha
O TSE revelou recentemente que o PT recolheu 90% das contribuições eleitorais de cidadãos e empresas privadas do país.
É uma ironia, já que o PT é o partido mais empenhado na criação de um sistema de financiamento público de campanhas eleitorais.
Acho este dado tão impressionante que deveria ser divulgado com destaque muito maior daqui para frente.
Talvez seja a melhor forma de convencer os adversários do PT sobre a utilidade de modificar as atuais regras de financiamento de campanha.
Pelo regime atual, temos um sistema que procura legalizar o aluguel dos poderes públicos pelo poder privado – situação indecorosa que explica as principais mazelas de nossa vida pública, sejam as distorções nas prioridades do Estado, sejam práticas corruptas que estão todos os dias nos jornais.
Um dos aspectos curiosos é que, pelas regras atuais, uma empresa pode dar sua contribuição para os partidos políticos. Mas sindicatos e outras entidades estão proibidas.
É a legalização da preferência dos poderes privados no espaço público, concorda?
A preferência pelo PT mostra que os grandes financiadores de campanha são pragmáticos. Procuram influenciar quem tem votos. Vão fazer isso enquanto o PT tiver candidatos favoritos em pleitos majoritários. Poderia ser de outra forma?
Sim. Num país com financiamento público de campanha, os recursos são distribuídos de forma mais equilibrada, de acordo com o peso eleitoral de cada legenda. Há distorções? Sem dúvida. Mas nada que se aproxime da situação atual.
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