4 de junho de 2026

Em meio a ofensas e acusações, João Stédile dá aula sobre o MST e agronegócio na CPI

Economista calcula que, se os lucros da produção de soja no MT fossem igualmente distribuídos, cada brasileiro teria renda de R$ 54 mil.
Depoimento do dirigente do MST, João Pedro Stédile, na CPI da Câmara que investiga a atuação do MST. Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil

O economista, fundador e dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, participou de uma sessão de mais de seis horas de interrogatório, ofensas, acusações e preconceitos durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (15).

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Stédile, no entanto, deu uma verdadeira aula sobre autonomia e integridade do movimento social e também sobre elegância, pois foi comum a falta de postura dos parlamentares durante a CPI.

Em resposta aos questionamentos, o economista explicou as contradições do atual modelo do agronegócio e quais impactos temos na sociedade.

“O modelo do agronegócio: são grandes propriedades, usam as técnicas mais avançadas de semente transgênica, mecanização e agrotóxico. E produzem o quê? Produzem muita riqueza, mas produzem commodities para exportação. Portanto, repete o modelo agroexportador colonial, que não necessariamente representa distribuição de riqueza para a nossa sociedade”.

João Stédile

Desigualdade social

O presidente do movimento reiterou que o “agronegócio é um sistema que produz riqueza, mas não desenvolve o País”, a exemplo da produção de soja. O economista comentou que, se a riqueza resultante da produção de soja fosse distribuída equitativamente para toda a população, cada brasileiro teria uma renda de R$ 54 mil. “Seria o país mais desenvolvido do mundo, o Mato Grosso”.

No entanto, de acordo com os cálculos do economista, a riqueza da soja produzida vai para bancos e multinacionacionais. Aos fazendeiros, resta apenas o equivalente a 8% da produção.

“Os grandes fazendeiros não pensam no Brasil, mas na taxa de lucro, e é isso que vai inviabilizar o modelo de negócio em longo prazo. Qual é o benefício deste modelo de latifúndio para a sociedade? Nenhum. E qual é a contradição? É que não tem futuro”.

Acusações

Ao longo da sessão, Stédile recebeu uma série de ofensas e acusações. Foi acusado, por exemplo, de não conhecer afundo as finanças e instituições que usam o nome do MST para receber recursos.

Um deputado chegou a insinuar que o movimento social se comporta como milícia, por determinar uma contribuição aos assentados de acampamentos para a resolução de questões da comunidade.

Também afirmou que o MST acredita ser “polícia” ao impor uma regras de convivência nos acampamentos, regras estas que são construídas coletivamente, em assembleia, em cada comunidade.

O comentário do parlamentar divertiu a audiência da TVGGN, que acompanhava a transmissão pelo YouTube. “Eu sou obrigado a pagar condomínio. Não é a mesma coisa que este ‘farizeu’ está falando?“, comentou o MaxBorges no YouTube do GGN.

Mas em resposta ao deputado, Stédile ressaltou que um dos maiores princípios do MST é a autonomia e que os assentados são as melhores pessoas para criar regras de convivência locais. Já a contribuição com a ‘caixinha’ de cada comunidade para soluções em comum é espontânea.

É ocupação, não invasão

Stédile teve de explicar, mais de dez vezes, que as ações do movimento ocupam as terras improdutivas para cobrar soluções do governo, tendo em vista que o direito à moradia é constitucional, assim como a desapropriação de terrenos improdutivos.

No entanto, os deputados insistiram na tese de que invasão de terras é crime e tentaram, de diversas formas, incriminar o dirigente, chegando até a pedir quebra de sigilo de Stédile.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. josé Oliveira de Araújo

    16 de agosto de 2023 8:04 am

    Os parlamentares que que patrocinaram a farsa da CPI do MST e que se julgam campeões da defesa da propriedade privada da terra, esquecem que a origem da propçriedade privada da terra, teve origem no roubo de terra coletiva e para não irmos longe, basta lembrarmos que os colonizadores portugueses roubaram as terras dos povos originários do que podemos chamar hoje de Brasil. Ressalte-se que ainda hoje se pratica o roubo de terras no famoso sistema de grilagem. É sempre bom lembrar, que que a terra usurpada de uma dada comunidade, deu origem a propriedade privada e a corrupção, sendo esta irmã gémea da outra. Assim, para aqueles que acreditam ser possível extirpar a corrupção e manter a propriedade privada, saibam que este é um sonho impossível.

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