21 de maio de 2026

Não cobre democracia de quem se formou na ditadura, por Luís Nassif

O problema das análises enviesadas, é que provêm de cabeças endurecidas como pão amanhecido, por anos de convivência e defesa da ditadura.
Freepik

Polícia Federal e ministro André Mendonça usaram RIFs indevidamente, violando direitos em casos envolvendo Fábio Luiz e Roberta Luchsinger.
Ministro Alexandre de Moraes determinou regras para uso dos RIFs, proibindo pedidos genéricos e exigindo investigação formal.
Decisão de Moraes tem efeito retroativo e visa coibir uso indevido dos dados para pressão, constrangimento ou extorsão.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

RIF, ou Relatório de Inteligência Financeira. É um documento produzido pelo COAF que reúne movimentações financeiras suspeitas de pessoas físicas ou jurídicas.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Nos últimos episódios, a Polícia Federal, do delegado Andrei Rodrigues, em cumplicidade com o Ministro André Mendonça, usou os RIFs de maneira imprópria, atropelando direitos individuais.

O primeiro caso foi a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fábio Luiz Lula da Silva. Além de uma quebra indevida, por não haver nenhuma evidência de ligação dele com os crimes do Master, vazou-se imediatamente uma informação manipulada: o valor da movimentação da conta por 4 anos. Movimentação mede depósitos, saques, mudança de contas, remuneração diária. Mas a PF do delegado Andrei preferiu divulgar a movimentação,  por ser um número mais tonitruante.

Depois, ocorreu o mesmo com o RIF de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e que a mídia insiste em tratar como herdeira de banqueiros do Credit Suisse.

Ou seja, atropelou-se de maneira indecente o devido processo legal. E, por ser contra o que consideram adversários políticos, os jornalões usaram as informações e não denunciaram os abusos.

Aí vem uma decisão do Ministro Alexandre de Moraes, totalmente em linha com direitos individuais.

– os RIFs do Coaf só podem ser solicitados e produzidos quando houver procedimento formalmente instaurado (inquérito, procedimento investigatório criminal, processo administrativo ou sancionatório);

– o pedido de RIF deve identificar claramente o investigado ou sujeito potencialmente sancionável e a pertinência temática estrita entre o relatório e o objeto da apuração;

– ficam vedados pedidos genéricos, “fishing expedition” ou devassas patrimoniais; o uso de RIFs com fins de “pressão, constrangimento ou extorsão” é considerado desvirtuamento grave e violação da intimidade financeira e da autodeterminação informacional;

– a decisão tem efeito geral e retroage, ou seja, exige que os mesmos critérios sejam observados em investigações já em curso, inclusive CPIs e processos em demais instâncias.

“Fishing expedition” é a busca genérica por provas, sem pertinência direta com o objeto da apuração.

É o carimbo exposto para todo tipo de chantagem ou jogada política.

Como a mídia trata essas medidas:

Estadão – a visão autoritária típica menosprezar à democracia, com Carlos Andreazza afirmando que “STF colocou em curso uma cruzada para limitar o direito do Parlamento a investigar

Globo: uma reportagem técnica e bem elaborada de PatrikCamporez:

“Moraes afirmou que o uso irregular dos relatórios compromete direitos fundamentais e pode levar à nulidade das provas obtidas, inclusive em casos já em andamento, caso não sejam observadas as exigências estabelecidas.

“A ausência da estrita observância dos requisitos previstos na presente decisão afasta a legitimidade constitucional do uso das informações e dos relatórios de inteligência financeira (RIFs), inclusive em relação àqueles já fornecidos e juntados às investigações e processos, e constitui ilicitude da prova produzida, bem como de todas dela diretamente derivadas, nos termos do artigo 5º, inciso LVI da Constituição Federal; sendo, portanto, inadmissível”, diz o ministro.

Ao justificar a medida, Moraes apontou a existência de “grave desvirtuamento” no uso dos RIFs, com relatos de utilização dos dados para investigações informais, sem controle adequado, e até para constrangimento de alvos”.

Vamos a uma questão atual.

Sicário, o responsável pelas operações de comprar jornalistas, morreu em instalações da Polícia Federal, em circunstâncias até agora não esclarecidas.

Suponha que um deputado ouve que o Poder 360 recebeu R$ 3 milhões do Master. Alguma prova? Nenhuma. Apenas rumores.

Pelo padrão Andreazza, bastaria para que ele solicitasse ao COAF a quebra do sigilo fiscal e bancário do jornal e seus controladores.

E se algum deputado quisesse saber o que ocorreu com o inquérito do Ministério Público Federal que escondeu a operação de suborno na compra de direitos esportivos pela Globo? O inquérito parou em um lugar qualquer do Rio de Janeiro. Mas, de acordo com Andreazza, nada impediria um parlamentar qualquer solicitar a quebra do sigilo fiscal e bancário da Globo.

Sem contar as pessoas físicas. O trabalho de colunistas de O Globo despertou críticas de vários setores de esquerda. Pela lógica de Andreazza, qualquer deputado poderia pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal e fazer a mesma manipulação que a PF fez com as contas de Fabio Luiz.

O problema dessas análises enviesadas, é que provêm de cabeças endurecidas como pão amanhecido, por anos de convivência e defesa da ditadura.

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. fabricio coyote

    28 de março de 2026 2:44 pm

    mas vamos analisar o mandado de segurança q visava forçar o presidente de um poder legiferante a acatar uma ordem de prorrogação de comissão via decreto jurisdicional rs rs rs
    impetrado por… parlamentares >>>>
    à prosopopeica (sic) invocada por gilmar mentes (na acepção de merval pereira) para refutar fucks (na mesma semântica de merval) no pleno, não temos como não dar razão ao vernáculo do decano, pois dez animais políticos nos demonstraram por votos que não nos dissociamos do reino animal. com ajuda de Aristóteles, o citado mandado de segurança tinha de ser indefirido de plano. uma teratologia para exercício do discurso vazio.

    p.s.: merval pereira recebeu o fardão da academia brasileira de letras por escrever sobre…. mensalão

    e viva mediocridade!

  2. MARCELO JOSÉ

    28 de março de 2026 4:46 pm

    SICARIO DA QUADRILHA DO BANCO MASTER ERA O CONTATO COM JORNALISTAS ,ESTA INFORMAÇÃO FICA MUITO ESCONDIDA NA MÍDIA E É RELEVANTISSIMA !!!NASSIF O GOVERNO NÃO SABE EXPLORAR FRAGILIDADES DA EXTREMA DIREITA,TALVEZ POR TER MIL FRENTES DE BATALHA COM POUCOS SOLDADOS Q SÓ SE DEFENDEM PREFIRO PENSAR ASSIM DO.Q NA INCOMPETÊNCIA?AS TAREFAS SÃO ENORMES !!!!

Recomendados para você

Recomendados