Em uma sessão marcada por insultos e alta voltagem política, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) apresentou nesta sexta-feira (27) o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O documento, que soma 4,4 mil páginas, pede o indiciamento de cerca de 220 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e uma lista extensa de parlamentares, ex-ministros e dirigentes públicos.
A investigação mira um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, realizados sem autorização dos segurados em favor de associações e sindicatos. Segundo a auditoria, o prejuízo alcança cifras bilionárias.
Conexões e tráfico de influência
O pedido de indiciamento de Lulinha baseia-se em investigações da Polícia Federal que interceptaram mensagens entre a empresária Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador central do esquema. A PF identificou repasses de R$ 1,5 milhão da empresa de Careca para a consultoria de Roberta; os investigadores suspeitam que os valores mensais de R$ 300 mil seriam destinados ao filho do presidente.
Embora o foco da CPI sejam as fraudes previdenciárias, depoimentos indicam que a atuação de Lulinha estaria ligada ao tráfico de influência. Ele teria sido acionado para fazer lobby no Ministério da Saúde em benefício de empresas do grupo de Antunes.
Por outro lado, análises do GGN apontam que a inclusão de Lulinha no relatório sugere que a oposição utiliza o nome do filho do presidente como um “ímã de audiência” para desgastar o governo. Para críticos, os indícios de ligação direta com as fraudes no INSS são frágeis e a estratégia visa criar um fato político para as próximas eleições.
Alvos no governo e no mercado
O relatório não poupa a cúpula do setor previdenciário. Entre os pedidos de indiciamento estão o atual ministro da Previdência, Carlos Lupi — acusado de “omissão deliberada” e blindagem política —, e seu antecessor no governo Jair Bolsonaro (PL), José Carlos Oliveira.
No setor privado, o destaque é Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O texto também alcança parlamentares como o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE).
Tumulto e ofensas no plenário
A leitura do parecer começou sob clima de guerra. Alfredo Gaspar iniciou sua fala citando um antigo embate entre os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, o que serviu de estopim para o confronto físico e verbal. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), aos gritos, chamou o relator de “estuprador“.
Gaspar reagiu imediatamente: “Me chamou de estuprador, eu estuprei corruptos como vossa excelência. Ladrão, corrupto”. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que levaria o episódio ao Conselho de Ética.
Ainda nesta sexta, a base governista na CPMI do INSS apresentará um relatório alternativo, que propõe cerca de 170 indiciamentos e atribui a responsabilidade pelo avanço do esquema ao governo Bolsonaro.
Decisão do STF e desfecho
O encerramento dos trabalhos ocorre após uma derrota da oposição no Judiciário. Na quinta-feira (26), o plenário do Supremo derrubou uma tentativa de prorrogar a CPI por mais 120 dias.
Com a decisão da Corte, o colegiado tem até este sábado (28) para votar o texto. Caso o relatório seja aprovado, as sugestões de indiciamento serão enviadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia formal contra os citados.
Carlos
27 de março de 2026 5:18 pmPois é, é o “nobre” presidente da CPMI pediu a prisão de Lulinha que, segundo o nobre, teria se evadido enquanto investigado. Mas nobre, investigado oficialmente por quem? Por que não reviveram o passaporte dele?
Ah, ia esquecendo: uns dois dias antes desta brilhante conclusão, o nobre e imparcial político transferiu-se para a excrescência do PL por solicitação de Flávio da Silva, o mais novo nordestino cabra da peste arretado.
Carlos
27 de março de 2026 5:19 pmPois é, é o “nobre” presidente da CPMI pediu a prisão de Lulinha que, segundo o nobre, teria se evadido enquanto investigado. Mas nobre, investigado oficialmente por quem? Por que não retiveram o passaporte dele?
Ah, ia esquecendo: uns dois dias antes desta brilhante conclusão, o nobre e imparcial político transferiu-se para a excrescência do PL por solicitação de Flávio da Silva, o mais novo nordestino cabra da peste arretado.
ANDRE F G MILAN
28 de março de 2026 8:44 amSeria interessante a preocupação com os termos usados nas reportagens. O STF não “derrubou a prorrogação da CPMI”, a decisão colegiada afirmou ÓBVIO, não cabe a Corte decidir sobre atos privativos do Poder Legislativo (PL). CPIs e CPMIs são atos exclusivos do PL, a ele cabem as decisões executivas das mesmas. O cretino do Terrivelmente Evangélico, repetindo um erro já cometido pelo STF, quanto a CPMI das Fake News, se imiscuiu na seara exclusiva do Legislativo, o colegiado reafirmou a norma, ou seja, confirmou que não cabe ao Judiciário interferir nos atos privativos do Legislativo. É simples e lumiar assim. Mas estou apenas pensando alto, é claro!
Não comento a cretinice do Relatório, porque, em tendo acompanhado parcialmente a evolução da CPMI, já estava escandalosamente claro o uso político dela para atacar o governo, afinal a oposição não tem qualquer competência para a disputa de ideias.
O mote central dela sempre foi a criação de factóides, farsas, fake news e mentiras descaradas para proteger seus “chegados”, sempre tão presentes no fulcro da investigação.
Parabéns pelo reportagem.