O presidente Lula (PT) aproveitou a abertura da Cúpula de Líderes do G20, em Joanesburgo, África do Sul, neste sábado (22), para lançar uma série de críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não compareceu ao evento. O foco de seu discurso, porém, foi o alerta sobre a escalada da desigualdade global e a defesa da urgência de reformar o sistema financeiro internacional.
Enquanto a Polícia Federal (PF) prendia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Brasília, Lula focava a atenção internacional ao criticar as ameaças de intervenção de Washington na Venezuela. Sem mencionar nominalmente o governo americano, o petista foi incisivo: “Os históricos problemas sociais e econômicos da América Latina e do Caribe não serão solucionados mediante a ameaça do uso de força”.
Críticas ao unilateralismo e protecionismo
Ainda direcionando mensagens a Trump, que tem atuado contra a divulgação de uma declaração final dos líderes do G20, Lula criticou o ressurgimento do protecionismo e unilateralismo.
Para o presidente, “o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas fáceis e falaciosas para a complexidade da realidade atual. Seus efeitos exacerbam os problemas que enfrentamos. O próprio funcionamento do G20 como instância de diálogo e coordenação está ameaçado. É preciso preservar a capacidade deste fórum de tratar os grandes temas da atualidade. Se não formos capazes de encontrar caminhos dentro do G20, não será possível fazê-lo em um mundo conflagrado”, afirmou.
Lula defendeu que o diálogo entre as nações é a única solução e ressaltou que “nenhum país tem condições de prosperar em isolamento”.
Vale ressaltar que o presidente americano justificou sua ausência e a atuação contra o consenso sob o argumento de discordar das prioridades da África do Sul, que preside o bloco desde dezembro de 2024.
Taxação de ricos
O presidente brasileiro defendeu publicamente que é hora de declarar a desigualdade como uma “emergência global“. Lula propôs a adoção de mecanismos financeiros inovadores e o debate sobre a taxação dos super-ricos no âmbito internacional, como parte de uma reforma para reverter a assimetria global.
“O G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívida por desenvolvimento e por ação climática. O debate sobre tributação internacional e taxação dos super-ricos é inadiável”, defendeu.
Emergência climática
Em sua segunda intervenção na Cúpula, focada em um “Mundo Resiliente”, Lula destacou a mudança do clima como um desafio de planejamento econômico, e não apenas ambiental. O presidente cobrou o G20, que responde por 77% das emissões globais, a liderar a elaboração de um roteiro para afastar o mundo dos combustíveis fósseis, em linha com os debates da COP30 no Brasil.
O presidente criticou a inversão de prioridades que destina mais recursos para armamentos do que para o enfrentamento da crise climática. Ele pontuou que, no ano anterior, enquanto os gastos militares aumentaram 9,4%, a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 7%.
“É inconcebível que não sejamos capazes de mobilizar 1 trilhão e 300 bilhões de dólares em financiamento climático, enquanto o dobro desse montante é consumido por despesas militares”, disse Lula, que também reforçou a necessidade de fortalecer a proteção social e apoiar pequenos produtores, garantindo que as vítimas da crise climática não sejam aquelas que menos contribuíram para causá-la.
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