O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou a máquina pública para tentar se reeleger e o maior indicador da falcatrua foi o uso do Auxílio Brasil para fins eleitorais. Apenas durante o segundo turno, a Caixa Econômica Federal destinou R$ 7,6 bilhões a 2,9 milhões de beneficiários do programa Auxílio Brasil em crédito consignado.
De acordo com os dados obtidos pelo UOL, este montante equivale a 99% do total de empréstimos feitos em 2022. Após a vitória de Lula, apenas R$ 67 milhões foram liberados para 53 mil pessoas.
Ao UOL, Renato Ribeiro de Almeida, advogado especialista em direito eleitoral, coordenador acadêmico da Academia Brasileira Eleitoral afirmou que os dados indicam o uso máquina para galgar a reeleição.
“Não faz nenhum sentido uma política de crédito cuja concessão se dá durante o período das eleições e depois para. É algo circunstancial, que mostra uma tentativa de fazer de tudo para conseguir a reeleição de Bolsonaro. A penalidade mais provável é que o ex-presidente seja condenado na Justiça Eleitoral à inelegibilidade por oito anos”, afirmou Almeida.
A Caixa nega que o volume de empréstimos tinha como objetivo favorecer o candidato à reeleição e informou que atuou conforme as autorizaões emitidas pelo Ministério da Cidadania. “Nesse sentido, o banco, assim como as demais instituições habilitadas para ofertar o produto no mercado, atuou para disponibilizar o Consignado Auxílio aos seus clientes.”
Equipes de transição
A notícia, no entanto, não é nova. Desde a transição, realizada em novembro e dezembro, a equipe do governo Lula já tinha indícios do uso indevido do Auxílio Brasil na compra de votos.
Além da inclusão de mais de 2,5 milhões que não atendem aos critérios para receber mensalmente R$ 600, havia também a suspeita em relação aos empréstimos consignados, que podem ser entendidos até como má-fé do governo, uma vez que muitos dos assistidos pelo programa recebem o dinheiro sem saber que teriam de pagar por ele depois, com juros e desconto do total do auxílio.
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