5 de junho de 2026

No Chile, trabalhadores protestam contra sistema privado de pensões

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Jornal GGN – Protestos que chegaram a mobilizar mais de um milhão de pessoas no Chile, em 50 cidades do país, pedem que o governo acabe com o sistema privado de pensões, que foi estabelecido durante a ditadura de Augusto Pinochet. O sistema obriga o depósito das contribuições dos trabalhadores em contas que são geridas por entidades privadas e designadas como Administradoras de Fundos de Pensão (AFP).

Os trabalhadores que pedem o fim do sistema privado dizem que ele perpetua as desigualdades, além de não garantir que os aposentados tenham dignidade em sua velhice. A presidente Michelle Bachelet apresentou ao Congresso, nas últimas semanas, propostas para rever o sistema, mas o movimento “No+AFP” considerou as medidas insuficientes.

Leia mais abaixo:  

Do Público.pt

 
Governo de Michelle Bachelet sob pressão para rever modelo estabelecido durante a ditadura militar de Pinochet. Trabalhadores contribuem com 10% dos seus salários, mas em vez do retorno de 70% prometido só estão a receber em média 35% – e em 90% dos casos, as reformas são metade do salário mínimo.
 
Uma jornada nacional de protesto contra o sistema privado de pensões, estabelecido durante a ditadura militar de Augusto Pinochet, mobilizou mais de um milhão de pessoas em 50 cidades do Chile, metade das quais na capital Santiago.
 
Os manifestantes exigem que o Governo acabe com este sistema, que obriga ao depósito das contribuições dos trabalhadores em contas individuais semelhantes a poupanças reforma, geridas por entidades privadas designadas como Administradoras de Fundos de Pensão (AFP). Segundo denunciaram, este é um modelo que “perpetua as desigualdades” e que não garante a dignidade na velhice aos trabalhadores reformados.
 
“Não descansaremos enquanto não conseguirmos que as nossas contribuições para o pagamento de reformas deixem de estar ao serviço dos grupos económicos e passem a estar ao serviço dos seus verdadeiros proprietários: os trabalhadores”, declarou o coordenador do movimento cidadão “No+AFP”, Luis Mesina, citado pela BBC Mundo.
 
O sistema de pensões privado foi criado em 1981 pelo Governo de Pinochet – abrangendo toda a sociedade excepto as Forças Armadas, a polícia e outras agências de segurança, que mantiveram o seu esquema mais generoso. O sistema é constituído por seis fundos de pensões, que em conjunto gerem activos de 143,5 mil milhões de euros.
 
Quando introduziu o sistema privado, o Presidente Augusto Pinochet garantiu que os pagamentos das pensões equivaleriam a um mínimo de 70% do último salário antes da reforma. Os trabalhadores passaram a contribuir com 10% dos seus vencimentos para os fundos, mas quando alcançaram a reforma não receberam a pensão prometida – estão a receber em média 35% dos salários.
 
Segundo a Fundación Sol, 90% dos reformados chilenos cujos descontos foram depositados em contas geridas pelas AFP recebem pensões mensais inferiores a 154 mil pesos (ou 205 euros), que são cerca de metade do salário mínimo estabelecido no Chile.
 
Sob pressão, a Presidente Michelle Bachelet já tinha apresentado há duas semanas várias propostas de revisão do sistema ao Congresso: a introdução de pagamentos das empresas para o sistema, através da cobrança de uma contribuição de 5% por cada trabalhador; o corte nas comissões dos gestores do sistema e o estabelecimento de uma pensão mínima universal. No entanto, estas mexidas foram consideradas insuficientes pelo movimento “No+AFP”, que não desarma da luta: sem alterações mais significativas, os manifestantes prometem convocar uma greve geral em Novembro.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

11 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. João Sabóia Jr.

    23 de agosto de 2016 10:09 pm

    Aposto

    Aposto com quem quiser que essa notícia não será vinculada em nenhum portal da grande imprensa e, se noticiada, nas grandes redes será rapidíssimo.

    1. Cesar Cardoso

      23 de agosto de 2016 11:45 pm

      É uma aposta ganha

      A grande imprensa brasileira só olha pra América Latina quando tem alguma desgraça ou quando tem que fazer campanha contra algum governo. Fora isso, não interessa.

  2. jose antonio santosjj

    23 de agosto de 2016 10:20 pm

    para os nossos liberais

    Para os nossos liberais o modelo chileno é a oitava maravilha do mundo.

    Se tiverem oportunidade farão o mesmo por aqui.

    Para os trabalhadores: as migalhas!!!

    Para as empresas administradores: bons lucros e desde já garantidos!!!!

    Para o Estado e empresas empregadoras: nenhum compromisso!!!!

    Que beleza!!!!! o mundo prefeito da meritocracia liberal!!!!

    1. cleber

      24 de agosto de 2016 4:29 am

      E na Argentina o sistema

      E na Argentina o sistema implodiu também no início dos anos 2000 com o calote da dívida argentina..

  3. Marcos Antônio

    23 de agosto de 2016 11:20 pm

    Até chegar neste ponto,

    Até chegar neste ponto, muitos lá JÁ FICARAM RICOS!

    O Trabalhador é sempre o último a acordar…

  4. Ataíde Coutinho

    23 de agosto de 2016 11:37 pm

    Terremoto

    Segundo pode constatar na epoca que cobriu o terremoto . o jornalista Luis Carlos azenha, ja havia constatado que esse sistema estava implodido e seus gestores estavam bilionarios . 

  5. alexis

    24 de agosto de 2016 9:22 am

    Duas coisas

    O lado bom está na individualização dos depósitos relacionados a aposentadoria. cada um com o seu dinheiro.

    O lado ruim esteve em que esses fundos foram colocados em instituições privadas, que levaram a maior parte do dinheiro. Se fosse de administração estatal seria muito bom, com o Governo por trás, como garantia, mas com a individualidade de cada conta.

    1. rdmaestri

      24 de agosto de 2016 12:03 pm

      Meu caro amigo, cada um com seu dinheiro uma pinoia!

      O sistema de capitalização é uma verdadeira loteria, quando alguém se aposenta numa época que a economia vai bem e os lucros obtidos nos investimentos (supondo que as aplicações sejam bem feitas) as pensões atingem valores razoáveis, porém quando a economia entra em recessão o rendimento desta capitalização vai aos infernos e quem contribuiu religiosamente e corretamente durante 35 ou 40 anos termina recebendo somente uma pequena parcela.

      Sistemas de capitalização não levam em conta as crises cíclicas do capitalismo nem a evolução da economia, por exemplo, o fundo que investiu em 1980 numa forte e rentável indústria de máquinas de escrever, fica com o mico na mão.

      1. alexis

        24 de agosto de 2016 12:18 pm

        Não concordo

        Ao sabor da economia são afetados todos, sejam individualmente ou um saco com todos os aposentados dentro. O que hoje acontece, com o saco geral, é uma distribuição injusta para privilegiados, prejudicando a maior parte da população. A fulanização da aposentadoria permitiria acompanhar cada um a sua situação. O Governo deverá estudar um “plus”, garantindo rentabilidade mínima anual aos fundos e algum mínimo.

        A individualização das contas não é um privilégio neoliberal, mas um bom trabalho de informática, dentro do Governo. Eu sou chileno e tenho a minha aposentadoria dividida, com parte no antiguo sistema ( que está mesmo assim claramente individualizado no meu nome) e parte no novo sistema. 

        1. rdmaestri

          24 de agosto de 2016 5:42 pm

          Negativo, a queda da arrecadação de previdência num país com …

          Negativo, a queda da arrecadação de previdência num país com recessão atinge 10% a 15% enquanto a queda das açoes numa bolsa e seus dividendos podem tranquilamente ultrapassar estes valores.

          Também por razões que explico em artigo no meu Blog há intrinsecamente uma perda de valor nos fundos de pensão quando estes atingem a maturidade (https://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/porque-todo-o-sistema-de-aposentadoria-baseado-na-capitalizacao-e-fadado-ao-fracasso). Geralmente esta perda é assumida pelos fundos e lançada na própria contabilidade sem nenhum estardalhaço, porém jamais o contribuinte receberá o que investiu.

          Se o valor estar contabilizado em teu nome é só fazer um cálculo de quanto contribuíste e quanto resta, terás uma desagradável surpresa!

        2. rdmaestri

          24 de agosto de 2016 5:43 pm

          Negativo, a queda da arrecadação de previdência num país com …

          Negativo, a queda da arrecadação de previdência num país com recessão atinge 10% a 15% enquanto a queda das açoes numa bolsa e seus dividendos podem tranquilamente ultrapassar estes valores.

          Também por razões que explico em artigo no meu Blog há intrinsecamente uma perda de valor nos fundos de pensão quando estes atingem a maturidade (https://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/porque-todo-o-sistema-de-aposentadoria-baseado-na-capitalizacao-e-fadado-ao-fracasso). Geralmente esta perda é assumida pelos fundos e lançada na própria contabilidade sem nenhum estardalhaço, porém jamais o contribuinte receberá o que investiu.

          Se o valor estar contabilizado em teu nome é só fazer um cálculo de quanto contribuíste e quanto resta, terás uma desagradável surpresa!

Recomendados para você

Recomendados