Finalmente, após muitos anos de resistência, a Lava Jato concedeu à defesa de Alberto Youssef acesso ao conteúdo derivado de uma escuta clandestina descoberta pelo próprio doleiro, em 2014, na cela em que ele ficou detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Nesta quarta (17), os advogados se depararam com mais de 200 horas de conversas que transcorreram no intervalo de 10 dias, divididas em 64 arquivos. Como a Lava Jato não economiza em matéria de escândalo, descobriu-se que outros 26 arquivos foram misteriosamente deletados, conforme relatório obtido pelo GGN e parcialmente exposto na imagem que ilustra esta matéria.
Agora, a defesa de Youssef trabalha na perícia dos áudios. Segundo relatos de VEJA, mesmo entre os arquivos “preservados” há conversas “inaudíveis”. O HD entregue aos advogados seria uma cópia da cópia do original, cedida pelos procuradores de Curitiba.
Passados quase 10 anos desde a descoberta da escuta, não se sabe ainda de todos os agentes públicos envolvidos diretamente na trama. A Vaza Jato e fatos correlatos a duas sindicâncias (frustradas) da Polícia Federal apontaram as digitais de figuras como Deltan Dallagnol e Januário Paludo, procuradores que conversaram sobre arquivar as apurações antes que a Lava Jato caísse como um castelo de cartas, derrubada por uso de provas ilegais.
O delegado Moscardi Grillo, que presidiu a primeira sindicância, confirmou que prestou contas dela a Sergio Moro – que, em tese, não detinha poder para interferir no caso. Os juízes subsequentes na 13ª Vara de Curitiba, Gabriela Hardt e Luiz Antonio Bonat, também negaram todos os pedidos da defesa de Youssef para acessar o material e averiguar a fraude nas sindicâncias. Coube ao juiz federal Eduardo Appio acolher os pedidos, mas suas decisões posteriormente foram cassadas com ajuda do então desembargador do TRF-4, Loraci Flores.
Agora, o caso é da alçada do Supremo Tribunal Federal, que também acionou o Conselho Nacional de Justiça para esclarecer os fatos. Não se trata de qualquer investigação. A delação de Alberto Youssef foi uma das primeiras e mais importantes da Lava Jato, implicando figuras graúdas da política nacional. Se tivessem comprovado a escuta clandestina, os advogados de Youssef não teriam concordado com o acordo de delação premiada, disse Augusto Figueiredo Bastos em entrevista exclusiva ao GGN. Agora, em tese, estão com a faca e o queijo em mãos para pedir a nulidade.
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ed.
18 de julho de 2024 1:02 amEscandaloso que os protagonistas de toda esta infame avacalhação do Judiciário não sejam processados e presos exemplarmente, pois a corrupção da Justiça é tão ou mais grave do que a maioria dos crimes que ela deve julgar.
+almeida
18 de julho de 2024 1:20 pmSe a justiça saudável e honesta, que ainda existe nesse no Poder Judiciário cada vez mais duvidoso, fizer de imediato uma intervenção na total na Lava Jato e apreender todos os equipamentos que compõe o sistema de gravação e armazenamento, ainda poderão ser recuperadas as gravações apagadas. A PF saudável e honesta tem elementos e tecnologia para conseguir recuperar os dados apagados, com sucesso.
Basta que tds realmente queiram, não é mesmo?