
Por Alexandre Tambelli
Acabei pensando na relação velha mídia e PT e quão benéfico que foi para o PT tê-la como verdadeira oposição nestas vitórias seguidas do partido nas eleições para o Governo Federal e o quadro atual da Economia, quadro atual que levou o pêndulo da Política para uma oposição ao Governo Dilma nos tempos atuais. Compartilho aqui para leitura o texto que surgiu da reflexão.
O fim da política de cálculo eleitoral?
Pensando à distância a escolha de não se buscar uma Lei de Médios pelos governos petistas. Uma reflexão.
Para além do medo petista para com a velha mídia capitaneada pela Rede Globo houve todos estes anos a política petista de cálculo eleitoral.
Em sendo a velha mídia a oposição possível, lembrando o que disse Judith Brito da ANJ (Associação Nacional dos Jornais) em 2010 sobre ser a velha mídia a oposição possível por causa da fragilidade da oposição política, se tornou confortável ao PT não fazer uma Lei de Médios, porque mídia não é partido registrado no TSE, não pode ser votada.
O PT foi beneficiário estes anos todos de políticos, quase todos do centro para a direita, que faziam apenas oposição por oposição ao Governo Federal e sem ter um Programa de Governo e um Projeto de Nação para ser apresentado para os brasileiros. Muitos se beneficiando da popularidade de Lula e Dilma, enquanto teve, e sendo aliados de carteirinha do ex-presidente e da Presidenta.
Nem PMDB, nem PSDB, nem PP, nem PSD, nem PR, nem DEM (partidos maiores) tem programa de Governo. Eles têm apenas máquina partidário-midiática distribuída aos quatro cantos do País capaz de disputar com dinheiro privado o voto do eleitor: o famoso e tão discutido financiamento privado das eleições, que o Gilmar Mendes e o Eduardo Cunha têm medo de acabar.
PSB e PDT que são na Teoria partidos de Esquerda, também, são pouco capazes de apresentar um Programa de Governo sólido numa Eleição.
A Direita apenas disputa eleições e quase sempre seus eleitos não tem como meta um Projeto de País/Governo e não mostram para a população um Programa de Governo para praticar caso eleitos.
Os partidos de Direita têm muito mais interesses corporativos (pessoais) e das elites como meta se vencem, apesar de algumas figuras de respeito e com uma visão estadista existirem nestas legendas.
O PT se sentiu beneficiário deste processo onde a velha mídia se tornou a verdadeira oposição, pois, nesta briga só restaria como resultado a possibilidade do PT vencer, porque, como disse: mídia não tem voto. E o PT venceu 4 eleições seguidas neste processo de oposição ser sinônimo de velha mídia.
A Economia Social estava no eixo da distribuição de renda, da inclusão e ascensão social + o crescimento continuado da Economia que cresceu seu PIB quase 5 vezes de 2003 até 2014. Este dado tinha mais força que o discurso alarmista da Rede Globo & Cia.
Todavia, a estratégia do cálculo eleitoral se desfez nos tempos atuais porque a Economia entrou em recessão e a inflação nos alimentos se tornou significativa. A classe trabalhadora se vê ameaçada no seu emprego e no consumo, nesta quadra atual, reflexos tardios da crise mundial do Capitalismo Financeiro que se arrasta desde 2008.
O Plano Levy foi visto como o possível, diante do Congresso conservador eleito, para se manter uma base aliada pró-Governo e capaz de votar favorável ao Plano. Mas, a base aliada não se manteve ao lado do Governo. Até hoje o Plano Levy não disse muito a que veio.
Um Governo Federal enredado na Política benéfica para o lado do Mercado Financeiro na ilusão de um ajuste fiscal temporário que renderia um superávit primário de 3% com cortes nos gastos do Governo e reequilíbrio nas contas públicas e um empresariado nacional sem capacidade de se insurgir contra os malefícios do “Mercado” levou o pêndulo político para uma oposição ao Governo Dilma, por hora. Porém, não sabemos se a Direita política se beneficiará deste oposicionismo. 2016 e as eleições municipais nos responderão.
A Lava-Jato e sua radicalização contra as forças produtivas do País em prol do Capitalismo estrangeiro e do Mercado Financeiro veio com tudo e enfraqueceu a disputa pela hegemonia do modelo econômico desenvolvimentista. E vivemos no País uma briga feroz entre independência ou mexicanização.
Como a popularidade do Governo e a aprovação da Presidenta Dilma perderam forças a velha mídia caiu matando no tema Economia, sem o Governo ter argumentos fortes para refutar a falsa “teoria do caos”, porque a realidade de hoje não é a mesma de meses atrás, e quase não se tem canais para defesa deste Governo, para além de Rede Nacional de TV e rádio.
Na verdade pouca coisa foi criada na área de comunicação governamental em 13 anos de PT no Governo Federal.
Bem sabemos que a Economia não está uma maravilha, porém, não está o copo vazio como se alarma por todos os microfones deste partido de oposição sem votos, que é a velha mídia. Para defender o que digo leiam este artigo do decano do Jornalismo Brasileiro Mauro Santayana, que estuda e escreve sobre o Brasil e o Mundo desde os anos 40:
http://www.maurosantayana.com/2015/07/a-nova-marcha-dos-insensatos-e-sua…
O PT calculou a realidade via ausência de oposição política, ela continua a inexistir, porém, a velha mídia e seu discurso estão fortes, certamente, mais fortes que as ações concretas do Governo Federal e o mundo real, elementos que garantiram, em todos estes anos de PT no Governo Federal, o contraponto eficaz ao discurso alarmista e falso dos meios de comunicação.
Um ajuste fiscal considerado necessário pelo Governo Federal na Economia brasileira aliado de uma crise do Capitalismo Internacional se tornou o “caos” brasileiro para uma mídia, na quase totalidade, antigoverno.
Uma mentira! Contada sem canais para se refutar o tema único: “caos” se tornando verdade absoluta. E, sabemos que não chegamos nele, que há, também, dados estatísticos positivos em 2015. Quem os quer visualizar pode ler esta postagem de Pablo Vilaça e comprovar:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/pablo-villaca-o-apesar-da-crise-e-o…
Hoje, distanciados que estamos do tempo primevo (2003), se sente por demais a falta da Regulação da Mídia.
Para o PT a estratégia de ter a mídia como verdadeira oposição, talvez, não caiba mais, mas o atual estágio de nosso Legislativo não permite uma Lei de Médios, ele jamais aprovaria qualquer medida pela democratização dos meios de comunicação criando uma mídia plural, porque o Legislativo oposicionista sobrevive deste processo.
Imagina ter de se posicionar sobre temas caros ao País? É bem melhor ser eleito atacando o Governo Federal no uníssono do “caos” e com pano de fundo a “corrupção”.
Na verdade, o PT se sentiu seguro em não haver mídias ideologicamente diversas, porque delas surgiria a possibilidade de uma candidatura alternativa e com votos para além do PT, dentro do campo nacionalista, progressista e com Projeto de Nação. E com mídia para defendê-la, porque teríamos mídias plurais: pró-Governo; críticas ao Governo, porém, responsáveis, desenvolvimentistas e nacionalistas; além, é claro, da tradicional, oligopólica e oposicionista velha mídia.
Todos vivem de cálculos. Com a Lei de Médios até a oposição se veria obrigada a ir além do protecionismo midiático para seus atos, e o PT poderia ter adversários eleitorais de peso. E adversário para além do PSOL, que no fim das contas, atinge apenas parcela muito pequena da sociedade e disposta a votar nele.
Uma Lei de Médios teria forças para uma Constituinte exclusiva e para a mudança do quadro partidário e das formas de se ingressar no Legislativo e Executivo, certo? Porque teríamos opinião pública sendo formada para além do oligopólio midiático de hoje. Sem a Lei de Médios o que se viu e se vê é o PT X a velha mídia disputando a hegemonia da narrativa do País.
Quando a Economia voltar à normalidade continuaremos a assistir esta disputa e pode o PT colocar o pêndulo de volta para a Esquerda. É interessante, todos brigam com o PT, mas, tirando os pequenos PSOL e PCdoB que partido mais tem um Projeto de Governo para o Brasil? Respondo: ninguém.
2018 está longe. Em se acertando a Economia, repito, se volta a normalidade. O PT favorito nas eleições. E digo mais, mais favorito ainda se for confirmada a queda cada vez mais constante do Poder econômico da velha mídia, principalmente, por causa da Internet, e a queda da sua credibilidade devido à radicalidade com que trata qualquer medida “progressista” e em prol do desenvolvimento do Brasil. Uma hora se paga por tamanho conservadorismo.
Imagina você, apoiar o Deputado Eduardo Cunha e suas ações reacionárias, achacadoras e sem respeito à Constituição somente para tirar o PT do Poder? Que futuro tem uma mídia deste tipo, não é verdade? A casa pode cair mais rápido do que eles pensam e o Governo Dilma ser visto como vítima e recuperar mais rápido sua popularidade e apoio.
Porém, o Governo Federal precisa se ajudar um pouco até 2018, como? (E pelo bem do País, o PT ainda é a força política do campo progressista, das esquerdas e nacionalista com chances de vencer e manter nosso País na rota da independência, soberania e desenvolvimento.)
Cortando, quase que por completo, a verba publicitária da velha mídia e só mantendo o essencial, como, por exemplo, a propaganda de uma campanha de vacinação. E dando sinais que não se curvou de modo algum ao neoliberalismo.
A hegemonia no Poder pelo PT, que tanto se fala e dizem ser programada, nasce, isto sim, da possibilidade de ser o único partido grande e com voto que se habilita a ter um Projeto de Brasil. Com todos os seus erros e acertos ele existe, não há como dizer o contrário.
Bem sabemos, nestes anos todos de PT no Governo Federal, a velha mídia e o PT se beneficiaram a seus modos e ao mesmo tempo: um ficando com quase todas as verbas bilionárias de publicidade Federal e outro com o Poder central. Um se serviu do outro, como uma simbiose. Nenhum dos lados tinha força para derrotar o adversário, então, se toleraram.
Somente após o silêncio da vitória da Presidenta Dilma e o Pacote Levy, que enfraqueceu a base popular do Governo Federal é que o pêndulo se moveu mais para a Direita. E, destes dois fatos, se aproveitam Rede Globo & Cia. para tentar tirar, finalmente, o PT do Poder central em 2018, apoiadas no mundo real pelos brasileiros que conseguem inocular a narrativa do falso “caos econômico” e da “corrupção” – iniciada em 2003 no Brasil por esta narrativa midiática, e sem nenhuma discussão apoiada em fatos reais de combate a ela e em números concretos de desvio de verbas públicas.
Assim, surge como uma luva o fato cotidiano das manifestações de classe média e média alta contra o Governo Federal pedindo até a deposição da Presidenta e que a Rede Globo & Cia. “apoiam ainda” servindo para três coisas:
1) Manter o clima político acima do grau necessário e impedir uma governabilidade que possa dar uma guinada mais rápida para uma espiral de crescimento econômico, novamente;
2) Para não recobrir de sensatez essa gente favorável às manifestações;
3) Dar sobrevida maior à velha mídia.
Telespectadores, ouvintes e leitores da velha mídia precisam ser alimentados deste processo ilusório de derrubada da Presidenta Dilma porque ele vende jornais, revistas, dá audiência e dá muito lucro.
Imagina você a Rede Globo e a Veja serem realistas e dizerem que Dilma ficará até 2018 no Poder?
As pessoas que se revoltam contra o PT, Lula e Dilma desligam do Jornal Nacional e não compram mais nenhum exemplar da Veja.
Enfim, a velha mídia se alimenta do próprio veneno. Não pode mais fugir do script. Criou seguidores que só podem ouvir o que lhes foi dito/ incentivados a crer estes meses todos pós-eleição: – no “Impitman da Dilma”. A velha mídia anda sobrevivendo do antipetismo acima de tudo, sejamos sinceros. Mudar o discurso pode significar perder o que lhe resta de audiência. Audiência feita para movimentar o ódio de classes e para manter a cômoda divisão velha mídia X PT.
E o PT? Vai arriscar manter a Política de cálculo eleitoral? Aguardemos o desenrolar dos fatos. 2018 está longe. Esperemos.
bfcosta
4 de agosto de 2015 12:56 pmMuito perigosa essa sua
Muito perigosa essa sua análise. Você desconsidera a possibilidade real, dado nosso histórico como país, de um rompimento institucional, seja ele vindo dos conservadores ou mesmo do povo, que no meio dessa história toda ficou a mercê de dois atores apenas. E não necessariamente algum dos dois entende as suas necessidades ou está disposto a satisfazê-las. O país precisa de saídas para seus impasses e a se apostar na manutenção deles apenas escolhendo o “menos pior”, sem resolver os impasses, não nos levará a lugar algum. Este era o cenário da venezuela antes da subida de Hugo Chaves, só para fazer um paralelo sem qualquer julgamento dele ou so país.
Andre B
4 de agosto de 2015 1:02 pmsimbiose perfeita
Realmente, há uma simbiose perfeita entre a velha midia e o PT.Primeiramente pelas verbas publicitárias do governo que alimentam a mídia – e que não cairam com o ‘ajuste fiscal’, já que as mais atingidas foram as de saúde, educação e cidades(infraestrutura). Enquanto a primeira vende jornal com ‘processo ilusório de derrubada da presidenta’ – e o ilusório é verdade, pois se a Globo quisesse derrubar o PT já o teria feito – o PT usa esse processo ilusório para enfiar goela abaixo da população o ajuste(arrocho) fiscal e a venda do país ao tal ‘mercado’. Se o país não está o ‘caos’ com diz a midia, tão pouco está um paraíso de tranquilidade econômica como agora a propaganda dos governistas querem pintar. Dizer que uma inflação de 9%, uma taxa de desemprego crescente, a maior taxa de juros real do mundo, investimentos parados e serviços públicos praticamente sem poder funcionar por falta de dinheiro é navegar em um mar de tranquilidade econômica é usar a mesma técnica de propaganda da grande mídia. São farinha do mesmo saco.