5 de junho de 2026

PL da Dosimetria amplia crise entre Congresso, Lula e STF

Mudanças na dosimetria penal podem reduzir penas de condenados pelos atos golpistas e devem levar nova disputa institucional ao STF
Fabiana Domingues de Lima - Wikimedia Commons

A derrubada do veto presidencial ao chamado “PL da Dosimetria” inaugurou uma nova etapa da crise entre Congresso, governo e Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o argumento de corrigir excessos nas penas aplicadas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, parlamentares aprovaram mudanças que podem reduzir condenações e abrir caminho para revisões penais em larga escala — inclusive de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O movimento foi lido em Brasília não apenas como uma inflexão jurídica, mas como um gesto político de enfrentamento ao Executivo e de pressão sobre o STF. A partir de agora, a tendência é que a disputa saia do plenário do Congresso e migre para o Supremo, onde ministros já sinalizam preocupação com os impactos constitucionais da medida.

O tema foi debatido na programação da TV GGN, no programa “GGN 20 Horas”, que analisou os desdobramentos políticos da votação e os possíveis efeitos da nova legislação sobre os processos relacionados ao 8 de Janeiro.

A proposta altera critérios da dosimetria penal — mecanismo utilizado para definir o tamanho da pena e a progressão de regime — e impede, em determinadas situações, a soma integral de crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Na prática, prevaleceria a punição do crime mais grave, com aumento proporcional reduzido.

Embora defensores do projeto afirmem que a medida busca “proporcionalidade” e “pacificação”, críticos sustentam que o texto abre precedente para flexibilização ampla do sistema penal brasileiro. Especialistas apontam que os efeitos da lei podem extrapolar os casos do 8 de Janeiro e atingir condenados por crimes comuns, criando um novo paradigma para progressão de pena e concurso de crimes.

Nos bastidores, a aprovação do projeto também é interpretada como resultado de um rearranjo político entre setores do Centrão, oposição bolsonarista e parte do Congresso descontente com o protagonismo crescente do STF nos últimos anos.

Analistas avaliam que o episódio reforça o discurso de reação institucional contra o Judiciário e amplia o desgaste do governo Luiz Inácio Lula da Silva em um Parlamento cada vez mais autônomo.

O governo já estuda judicializar o tema. A avaliação no Planalto é que trechos da proposta afrontam princípios constitucionais ligados à individualização da pena e à proteção do Estado Democrático de Direito. A expectativa é que ações diretas de inconstitucionalidade sejam protocoladas no STF nos próximos dias.

Ainda que ministros da Corte indiquem disposição para respeitar prerrogativas legislativas do Congresso, interlocutores do Supremo têm ressaltado que qualquer revisão de pena dependerá de decisão judicial individualizada, o que reduz a possibilidade de efeitos automáticos imediatos para condenados do 8 de Janeiro.

O episódio expõe uma disputa maior: quem dará a palavra final sobre os limites da resposta institucional à tentativa de ruptura democrática de 2023. O Congresso sinaliza revisão e moderação das punições; o STF sustenta que os ataques às instituições exigem resposta exemplar. Entre ambos, o governo Lula tenta evitar que a narrativa da “anistia branca” se consolide politicamente em ano pré-eleitoral.

Veja mais a respeito do debate na íntegra do programa TV GGN 20 Horas.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    9 de maio de 2026 10:25 am

    Brasil não sai da piada “uma pobre crise que atravessa um terrível país” …

    A gente sempre procura uma crise.

  2. Carlos

    9 de maio de 2026 1:23 pm

    ATENÇÃO REDAÇÃO: IA COLOCAR UM COMENTÁRIO, MAS APARECEU NOME E E-MAIL DE OUTRA PESSOA NOS CAMPOS ABAIXO.
    ESTE BUG EXPÕE E-MAILS

    1. Paulo Dantas

      9 de maio de 2026 6:57 pm

      Um erro básico de quem programa web.

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