Enviado por alfeu
Da Agência Câmara
Projeto torna ilegítimas as eleições presidenciais da ditadura militar
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Resolução 246/14, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que declara ilegítimas as eleições presidenciais indiretas realizadas durante o período da ditadura militar (entre 1964 e 1985). A proposta, assinada pelos parlamentares da bancada do PCdoB, também declara a ilegitimidade dos mandatos dos presidentes militares delas resultantes.
Para a deputada, a aprovação da proposta seria “um ato de respeito ao Estado de Direito constitucional e um veemente protesto contra a ditadura militar que se instalou por 21 anos no Brasil, rasgando a Constituição.”
Eleições indiretas
As eleições foram realizadas pelo Colégio Eleitoral do Congresso Nacional, criado por meio do Ato Institucional nº 1 (AI-1), em 9 de abril de 64, por uma junta militar formada pelo general Arthur da Costa e Silva, o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e o almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald.
Em 11 de abril de 64 foi eleito, indiretamente, por esse colégio, o general Humberto de Alencar Castelo Branco. Ele foi sucedido pelos presidentes-generais Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo.
Presidência vaga
O presidente João Goulart estava em pleno exercício de seu mandato presidencial em 1964, quando o cargo foi declarado vago. O Projeto de Resolução 4/13 do Congresso Nacional tornou nula a declaração de vacância da Presidência da República, feita pelo então presidente dessa Casa, o senador Auro de Moura Andrade, no dia 2 de abril de 64.
A deputada afirma que o AI-1 violou frontalmente a Constituição da época, que estabelecia eleições diretas, pelo voto popular, do presidente da República. Segundo ela, “a farsa dos atos institucionais não pode ser argumentada frente à Constituição. Essa figura jurídica, forjada pelos golpistas, é evidentemente inconstitucional e ilegítima”.
Tramitação
O projeto, assinado pelos integrantes da bancada do PCdoB na Câmara, foi encaminhado à Mesa Diretora e será relatado pelo 1º vice-presidente. Depois, será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania; e pelo Plenário.
Íntegra da proposta:
Reportagem – Thyago Marcel
Edição – Regina Céli Assumpção
GiIlberto
15 de agosto de 2014 10:43 amE na prática, isso vai
E na prática, isso vai resolver alguma coisa?
Zanchetta
15 de agosto de 2014 12:03 pmLógico que vai… isso vai
Lógico que vai… isso vai tornar ilegais quaisquer atos ou decretos da época que foram feitos por esses “eleitos”. Lógicamente, somente os que interessarem… Pense em “alguma desapropriação” da época ou coisas do tipo…
Vai virar um caos judicial…
Seu Madruga
15 de agosto de 2014 12:36 pmQue perca de tempo. O que que
Que perca de tempo. O que que isso vai mudar hoje?
Athos
15 de agosto de 2014 5:07 pmExatamente!
Exatamente!
Motta Araujo
15 de agosto de 2014 12:39 pmNão há limite para a
Não há limite para a irracionalidade. Quer dizer que todas as leis desse periodo estão revogadas? Se quem as sancionou é ilegitimo não há como considera-las em vigor não é mesmo? Então o Fundo de Garantia, a lei que criou o Banco Central, a EMBRAPA, a EMBRAER, a lei da Alienação Fiduciaria, milhares de leis e decretos sobre a organização da economia devem ser revogados.
E a ditadura do Estado Novo como fica? E as decisões dos Tribunais ? E os atos diplomaticos?
Os governos são kegitimados pela Historia, há uma continuidade historica que legitima o passado em sequencia, a Republica Francesa atual é sucessora legitima da tomada de Paris por De Gaulle em 1944, a 3ª Republica é sucessora de Napoleão III, este por sua vez tornou-se Imperador por um autogolpe que o transformou de Presidente em Monarca, já a Presidencia da Segunda Republica vem da queda d Monarquia Orleans, que por sua vez é um resultado das convusões que derrubaram pela segunda vez os Bourbons em 1830, estes se reinstalaram no trono pela derrota de Napoleão em Waterloo, Napoleão tornou-se Imperador por uma sucessão de golpes em cima da ordem tambem ilegitima da Revolução
de 1789 e seus sucessivos regimes do Comité de Salvação Publica, Consulado, Diretorio, Imperio, 1ª Restauração, Cem Dias, 2ª Restauração. Todos os oito regimes a partir da Revolução são decorrentes da realidade até chegar ao legitimismo dos Bourbons que logo perderam o poder para os Orleans, até hoje considerados ilegitimos, pelo critério da Sra.Feghali o unico regime legitimo é o da Constituição da 5ª Republica, ditada por De Gaulle.
Os governos de 1964 a 1985 foram legitimados pela ordem internacional, todos os governos com os quais o Brasil tinha relações diplomaticas reconheceram o novo regime, assim como a ONU, a OEA, a OECD, a Corte de Haia e todos os demais organismos internacionais.
Em Direito Constituição a realidade é uma fonte de legitimidade, porisso a URSS tornou-se um regime legitimo a partir de uma Revolução que no momento de sua execução era absolutamente ilegitima, tornou-se legitimo pelo tempo, pelo reconhecimento internacional, que se deu em 1929 e pela teoria do Poder Instituido, usada pelo regime de 1964, o poder se auto institue pelo dominio do territorio e pelo reconhecimento internacional.
A Historia do Brasil é uma sucessão de golpes desde a Proclamação da Republica, é tudo ilegitimo? A começar da Republica, que foi um golpe de Estado contra a legitimidade monarquica, seria preciso reescrever a Historia.
O projeto da deputada é negação da Historia e não tem qualquer efeito pratico alem da exibição de demagogia.
sergior
15 de agosto de 2014 3:16 pmNão há limites para um
Não há limites para um conservador emperdenido, um autoritário absoluto, defender as atrocidades perpetradas pelos golpistas de 64. Seu comentário faz o gênero não li e não gostei. O texto do projeto de resolução declara, em seu artigo primeiro, “ilegítimas as eleições presidenciais indiretas realizadas no âmbito do Colégio Eleitoral do Congresso Nacional e, em decorrência, a ilegitimidade dos mandatos dos presidentes militares delas resultantes.”. Legitimidade, como qualquer pseudo estudante de direito sabe, não se confunde com legalidade. Qual a consequência da aprovação desse projeto de resolução? A desconstrução, pelo Congresso Nacional, da legitimidade dos golpistas de 64. O Congresso Nacional, caso aprove este projeto, estará, finalmente, dando nome efetivo ao que ocorreu entre 01 de abril de 1964 e a posse de Collor: usurpação de poder por um grupo de golpistas. Todos aqueles que, de algum modo, se levantaram contra esta usurpação, estarão, a partir dessa aprovação, legimitados, oficialmente, em seus atos. Inclusive aqueles que lutaram armados contra o estado de coisas então existente. Esta é a questão e é devido a isso que os autoritários absolutos, os saudosos do AI-5, os herdeiros de Gama e Silva e Carlos Medeiros se batem contra este Projeto de Resolução. Viva Jandira e Alice Portugal, pela coragem em apresentá-lo, em tempos tão difíceis para luta popular.
leonidas
15 de agosto de 2014 4:06 pmque luta popular?
os que se
que luta popular?
os que se levantarão contra o regime pelas armas nao passam de totalitarios que morreram do modo que escolheram viver.
Lamarca, marighela eram todos totalitarios , assassinos que no lugar dos militares ( tivessem eles assumido o poder ) estariam dispostos a matar, torturar e prender quantas pessoas pudessem
não ha heroismo algum sobre esses tais, não eram ( nunca foram democratas ) dizer que essa corja de covardes assassinos lutavam por democracia é uma das coisas mais ridiculas que a esquerda faz….
Ninguém
15 de agosto de 2014 12:48 pmOutra iniciativa muito interessante…
Seria trocar o nome de todos os logradouros, estádios, parques, etc. que homenageiam essa caterva de tiranetes e torturadores.
leonidas
15 de agosto de 2014 2:13 pmEla poderia estar legislando
Ela poderia estar legislando em cima dos problemas reais do pais , mas é sempre facil fazer média com projetos que em termos de boçalidade só perdem para sua autora…
Luiz FS
15 de agosto de 2014 2:21 pmSimbólico
Fato é que os brucutus golpistas de 64 rasgaram a Constituição Federal então vigente (CF 1946, aliás a mais moderna e democrática até aquela época) e eles próprios atentaram contra o Estado e os cidadãos brasileiros. Além de golpistas, os presidentes são responsáveis por inúmeras violações de direitos humanos, deixaram o país com altos índices de desigualdade social, concentração de renda e, pior ainda, com a soberania comprometida (logo quem comprometeu a nossa soberania?!) pela subserviência ao FMI e a credores internacionais (a era do Brasil de joelhos). Merecem, sim, esses ditadores e aqueles que os apoiaram (e apoiam) o repúdio da história e de todos os brasileiros decentes.
adolpho
15 de agosto de 2014 4:41 pmOh, perda de tempo
Oh, perda de tempo magistral… e aí, o efeito da declaração de legitimidade seria ex-tunc ou ex-nunc? Será que a expeeerrrta parlamentar pensou nisso? Na desconstrução de todas as medidas administrativas que foram tomadas durante o mandato desses “ilegítimos”? Só para citar alguns emblemáticos: tchau itaipu, tachau angra I,II,III, tchau transamazônica, tchau as nomeações e aposentadorias condendidas (tanto na esfera pública quanto na privada). Passa-se uma borracha nos 21 anos de ditadura e só passa a valer o que foi decretado do Sarney para cá… Diniva comédia brasileira!
agincourt
15 de agosto de 2014 5:37 pmhistorinha
Historinha.
…Um dia, Jandira acordou ligeiramente indisposta e perguntou assim: “Tá no PC do B tá pior que tá na arquibancada de um Olaria x Madureira, na Rua Bariri, numa noite chuvosa de quarta-feira, e só pra cumprir tabela do Campeonato Carioca…”
E aí, depois do café, sem agenda, Jandira olhou pra estante e se perguntou: “O que fazer?”…
… Reler “Materialismo e Empiriocriticismo”?- Ai!que preguiça… As resoluções do último congresso?… Me poupem… (Será que vai demorar pra Globo botar “Avenida Brasil” no “Vale a pena ver de novo”)…Depois dos “7 a 1”, tem que ser um lance pra levantar a galera.Já sei…
E foi daí que surgiu a (falta ) de ideia.
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Jandira, a tua (falta de) proposta só passa na Câmara e no Senado no dia em que um camelo arranjar jeito de passar atravessado pelo orifício de uma agulha.
E, se passar, Dilma veta sem nem precisar perguntar pro Lula.
(Me poupem de factoides de parlamentares falidos.)