Segundo turno das eleições e os riscos de retrocesso

Devemos compreender os riscos para o futuro que teremos com escolhas que representam o atraso e o retrocesso. Porque não será com uma eleição, ou em poucos anos, que conseguiremos tirar esses grupos, de práticas criminosas, do poder

Foto: Agência Brasil

Por Reinaldo Centoducatte

O segundo turno das eleições municipais se apresenta como decisivo para o futuro político do Brasil e, notadamente, do Espírito Santo. É um momento de definição, de posicionamento e de atitude, sobretudo para os setores democráticos e progressistas. O cenário local, especialmente na região metropolitana, mostra que existem, claramente, dois campos absolutamente distintos. De um lado, evidencia-se um segmento de conteúdo democrático e progressista; de outro, blocos de candidaturas que representam o atraso, o retrocesso, o negacionismo, e que se projeta na perspectiva de retomada do poder no estado. É necessário que se atente para quem está, verdadeiramente, por trás desses projetos que se apresentam como novidade.

Podemos observar que personagens importantes de uma velha prática política, fisiologista e criminosa manipulam candidaturas que se lançam especialmente na Grande Vitória, onde estão os maiores colégios eleitorais do Espírito Santo. Grupos responsáveis por comportamentos políticos execráveis e de triste memória para os capixabas ameaçam retornar à cena política local. É uma gente especializada em praticar um tipo de política sem escrúpulos, e que muitos pensavam que estava banida da política capixaba. Trata-se de uma gente que, inevitavelmente, começa a aparecer, aqui e ali, mostrando que manipula os processos eleitorais com pretensões na perspectiva de 2022. Já não é apenas um ensaio perigoso, porque a movimentação de tais grupos está plenamente ativa nestas eleições municipais.

Há até alguns anos recentes, esses grupos operavam com extrema desenvoltura em diferentes esferas do poder público local, chantageando e boicotando o Governo do Estado e as instituições. Avançaram sobre diferentes esferas públicas – Executivo, Legislativo, Judiciário e mesmo nos municípios –, impulsionados pelo criminoso uso de recursos públicos drenados para os seus projetos privados. A força política que alcançaram era tamanha que foi necessário um esforço nacional para contê-los, porque o Espírito Santo sozinho não conseguia enfrentar esse poder paralelo. Uns foram presos, outros derrotados nas urnas, outros desmoralizados publicamente, mas, aos poucos, foram ressurgindo e retomando os seus projetos, sustentados pela ascensão do bolsonarismo. Não podemos permitir que esses grupos avancem novamente sobre as instituições democráticas do Espírito Santo. Os riscos são iminentes.

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Lideranças políticas respeitadas e com tradições democráticas, e autoridades constituídas e eleitas democraticamente não podem se omitir nos processos eleitorais de Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica. Ou mesmo correr o risco da opção equivocada. É um gesto que poderá custar muito caro às nossas cidades, ao nosso estado e ao povo capixaba. Quem está no campo democrático e progressista não pode pensar que o mero arrependimento, no futuro, aliviará as gigantescas adversidades institucionais que o estado e a sociedade enfrentarão. É preciso maturidade política e despojamento ideológico nesta hora, com o efetivo alinhamento às candidaturas que rechaçam a volta daquele passado sombrio e indesejável.

A multiplicidade de pensamento no campo democrático é plenamente aceitável e nos permite compreender quem está mais próximo de corresponder àquilo que desejamos para a sociedade, mesmo com eventuais diferenças. Assim, devemos ter a percepção de que esses citados grupos, de trajetória fisiológica e criminosa conhecida, agora se aproveitam da onda bolsonarista para promover o fanatismo, a negação da ciência, a disseminação do ódio e do preconceito. Os arquitetos do retrocesso não estão somente observando a cena política regional. Não, eles estão com seus projetos ativos e presentes neste segundo turno, vislumbrando as eleições de 2022 para o Governo do Estado, para o Senado, para a Câmara Federal e para a Presidência da República, que é a meta maior. As prefeituras representam tão somente um primeiro movimento; que devemos rechaçar agora.

Alguém ingenuamente pode pensar que aquele gesto sórdido de deputados invadirem um hospital da rede pública repleto de pacientes internados, no auge da pandemia do novo coronavírus, foi apenas uma ação tresloucada. Não foi. Foi a expressão materializada do negacionismo à ciência e às autoridades sanitárias, e de desprezo pelas instituições públicas de saúde. Também foi uma afronta e um desrespeito à população afetada pela covid-19, doença esta que já resultou na perda de milhares de vidas.

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Neste segundo turno das eleições municipais, devemos ter o compromisso pessoal e coletivo de fazer a escolha da melhor alternativa para o presente das nossas cidades. Mas, também, devemos compreender os riscos para o futuro que teremos com escolhas que representam o atraso e o retrocesso. Porque não será com uma eleição, ou em poucos anos, que conseguiremos tirar esses grupos, de práticas criminosas, do poder.

Devemos dar um basta ao retrocesso. É chegada a hora!

Reinaldo Centoducatte

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