O Senado Federal consolidou, nesta quarta-feira (26), as condições para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará a controversa operação financeira envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O requerimento, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), alcançou 34 assinaturas, sete a mais que o mínimo necessário, e rompeu barreiras partidárias ao atrair apoio de siglas que vão do PL ao PT.
Girão celebrou o que chamou de “recorde” na coleta de apoios. A velocidade com que as assinaturas foram reunidas, segundo ele, demonstra que o caso dos bilhões movimentados entre o Master e o BRB ultrapassou disputas políticas tradicionais e exige esclarecimentos urgentes.
O passo decisivo agora depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por ler o requerimento em plenário. A partir da leitura, a CPI estará oficialmente criada e poderá iniciar os trabalhos.
Em publicação na rede X, Girão afirmou que a comissão é “uma grande conquista dos brasileiros” e reforçou a intenção de investigar “elos políticos” e possíveis crimes relacionados ao colapso do Banco Master, que, segundo ele, recebeu dezenas de bilhões de fundos de pensão estatais. O senador promete cobrar celeridade de Alcolumbre.
A CPI terá como foco a operação financeira, a atuação de agentes públicos e o rastreamento de viagens, encontros e articulações ligados à negociação, buscando esclarecer conexões políticas e eventuais blindagens institucionais.
Esta não é a primeira tentativa de abrir a investigação no Senado. Em abril, um pedido anterior de CPI foi retirado pelo próprio autor, mesmo após alcançar as assinaturas necessárias, movimento que gerou estranhamento nos bastidores à época.
Impasse na Câmara
Enquanto o Senado avança, a Câmara dos Deputados trava. O requerimento de CPI apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) não atingiu as 171 assinaturas mínimas e enfrenta ainda uma fila extensa de pedidos aguardando análise.
Parte dos deputados vê o tema como instrumento de pressão indireta para acelerar o processo de impeachment do governador Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa do Distrito Federal, já que o emedebista mantém ligações estreitas com executivos envolvidos na operação.
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