10 de junho de 2026

TCU pede que ex-ministros de Bolsonaro devolvam relógios de luxo de R$ 53 mil

Presentes foram dados a comitiva de Jair Bolsonaro, em viagem ao Catar, Egito. TCU disse que extrapolam "limites da razoabilidade"
Jair Bolsonaro com Presidente da Qatar Airways, Akbar Al Baker, em viagem em 2019 - Foto: Valdenio Vieira/PR

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que ministros e membros do governo de Jair Bolsonaro receberam relógios de luxo, em comitiva ao Catar, Egito, que extrapolaram os “limites da razoabilidade”. Os relógios custam até R$ 53 mil.

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Gilson Machado, então ministro do Turismo, Ernesto Araújo, ex-ministro de Relações Exteriores, o deputado Osmar Terra (MDB) e aliados de Bolsonaro, como o ex-presidente da Apex, Sergio Ricardo Segovia, e Caio Megale, economista da XP Investimentos e ex-chefe da Assessoria Especial de Relações Institucionais do governo Bolsonaro foram os presenteados.

Eles aceitaram receber de presente de autoridades do Catar, Egito, em viagem em 2019, relógios das marcas Cartier e Hublot, que podem custar até R$ 53 mil.

O caso havia sido alertado à Comissão de Ética Pública da Presidência, do então governo Bolsonaro, que em 2022 entendeu que os membros da comitiva não precisavam devolver os presentes.

Mas em decisão tomada nesta quarta (01), o TCU pediu que os membros do ex-governo devolvam os relógios de luxo. O órgão notificou a Secretaria-Geral e a Comissão de Ética da Presidência da República.

O caso foi reaberto a pedido do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), que entrou com uma representação no TCU.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

O ministro relator do processo no TCU, Antonio Anastasia, entendeu que “o recebimento de presentes de uso pessoal com elevado valor comercial extrapola os limites de razoabilidade” nos códigos de conduta da administração federal.

E que estão em “desacordo com o princípio da moralidade pública”. A área técnica do TCU também entendeu que “o recebimento de presentes de valor tão elevado afrontaria o princípio constitucional da moralidade”.

Anastasia não obrigou os membros da comitiva a devolverem os presentes, mas decidiu “dar ciência da necessidade de devolução dos objetos”, em “caráter pedagógico”. Os demais membros do TCU concordaram com o relator.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. G. Mesquita

    3 de março de 2023 1:49 am

    Catar é um país do Oriente Médio, enquanto o Egito fica na África. Provavelmente a visita foi a Doha, capital do Qatar, e talvez também visitaram o Egito na mesma viagem.

    Por gentileza, corrijam pois é feio errar geografia (risos)

  2. G. Mesquita

    3 de março de 2023 1:50 am

    Mais feio que errar geografia é reter presentes diplomáticos de valores obscenos, enquanto país de terceiro mundo.

    Porém isso, é outra discussão… kkkkk

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