Em entrevista ao jornalista Luís Nassif na noite de terça (5), para o programa TV GGN 20 Horas, no Youtube, Valdir Silveira, diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, destacou o imenso potencial mineral do país, apesar dos desafios históricos de mapeamento e da interrupção de investimentos em pesquisa. Silveira enfatizou que o Brasil possui todos os ambientes geológicos conhecidos no mundo capazes de abrigar mineralização, e que o conhecimento geológico atual, mesmo com mapeamentos parciais, já indica um potencial gigantesco. Ele ressaltou que, com o avanço do mapeamento para escalas mais detalhadas, novos depósitos e áreas potenciais surgirão, consolidando a posição do Brasil como uma potência mineral.
O diretor explicou que o Serviço Geológico do Brasil, também conhecido como CPRM, é o braço do Estado brasileiro responsável pelo conhecimento geológico e de recursos minerais, incluindo hidrologia e gestão territorial. Ele detalhou que o país, com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados de área terrestre e 5,7 milhões de quilômetros quadrados de áreas marinhas, totalizando 14,2 milhões de quilômetros quadrados, passou por ciclos de mapeamento, mas ainda tem apenas 30% de seu território mapeado na escala ideal de 1 para 100.000. Silveira lamentou que o avanço do conhecimento geológico, que teve um impulso entre 2003 e 2016, foi estancado e só retomado em 2023, atribuindo o atraso a decisões políticas.
Ao abordar as terras raras, Silveira esclareceu que não se trata de um mineral, mas de 17 elementos químicos da tabela periódica, presentes em minerais como xenotima e monazita, encontrados em rochas como complexos alcalinos e argilas iônicas. Ele revelou que o Brasil já conhecia depósitos de terras raras desde a descoberta de Araxá e que, surpreendentemente, até os anos 90, o país era tecnologicamente mais avançado no refino de terras raras do que a própria China. No entanto, uma decisão política da época levou à descontinuidade do programa, enquanto a China continuou investindo e se tornou a potência atual.
Apesar do retrocesso, Silveira afirmou que o Brasil possui tecnologia e expertise em universidades e institutos para retomar o desenvolvimento do refino de terras raras, embora seja necessário reconstruir parte desse conhecimento devido à falta de transferência de expertise. Ele destacou que o principal gargalo do Brasil não está na lavra ou no processamento de minerais, mas sim no refino, na metalurgia e hidrometalurgia, ou seja, na agregação de valor na cadeia produtiva.
Para ilustrar um modelo de sucesso a ser copiado, Valdir Silveira citou o caso do nióbio, onde o Brasil domina toda a cadeia, desde a descoberta e lavra até o processamento e refino, controlando o mercado mundial. Ele enfatizou que o problema da transição energética e da alta performance energética não se restringe às terras raras, mas abrange uma cesta de minerais essenciais como cobre, alumínio, grafita, tungstênio e tântalo, ressaltando a necessidade de o Brasil investir na agregação de valor em toda essa cadeia.
Assista a entrevista abaixo:
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