5 de junho de 2026

Terras raras: principal gargalo nacional está no refino, aponta diretor do Serviço Geológico do Brasil

Especialista propõe que o Brasil siga o modelo do nióbio para dominar a cadeia produtiva e suprir minerais críticos para energia

Brasil tem potencial mineral vasto, mas só 30% do território foi mapeado na escala ideal, diz diretor do Serviço Geológico.
País perdeu liderança no refino de terras raras após decisão política nos anos 90, enquanto China avançou no setor.
Especialista destaca sucesso do Brasil no nióbio e aponta necessidade de agregar valor em metais essenciais para energia.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em entrevista ao jornalista Luís Nassif na noite de terça (5), para o programa TV GGN 20 Horas, no Youtube, Valdir Silveira, diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, destacou o imenso potencial mineral do país, apesar dos desafios históricos de mapeamento e da interrupção de investimentos em pesquisa. Silveira enfatizou que o Brasil possui todos os ambientes geológicos conhecidos no mundo capazes de abrigar mineralização, e que o conhecimento geológico atual, mesmo com mapeamentos parciais, já indica um potencial gigantesco. Ele ressaltou que, com o avanço do mapeamento para escalas mais detalhadas, novos depósitos e áreas potenciais surgirão, consolidando a posição do Brasil como uma potência mineral.

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O diretor explicou que o Serviço Geológico do Brasil, também conhecido como CPRM, é o braço do Estado brasileiro responsável pelo conhecimento geológico e de recursos minerais, incluindo hidrologia e gestão territorial. Ele detalhou que o país, com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados de área terrestre e 5,7 milhões de quilômetros quadrados de áreas marinhas, totalizando 14,2 milhões de quilômetros quadrados, passou por ciclos de mapeamento, mas ainda tem apenas 30% de seu território mapeado na escala ideal de 1 para 100.000. Silveira lamentou que o avanço do conhecimento geológico, que teve um impulso entre 2003 e 2016, foi estancado e só retomado em 2023, atribuindo o atraso a decisões políticas.

Ao abordar as terras raras, Silveira esclareceu que não se trata de um mineral, mas de 17 elementos químicos da tabela periódica, presentes em minerais como xenotima e monazita, encontrados em rochas como complexos alcalinos e argilas iônicas. Ele revelou que o Brasil já conhecia depósitos de terras raras desde a descoberta de Araxá e que, surpreendentemente, até os anos 90, o país era tecnologicamente mais avançado no refino de terras raras do que a própria China. No entanto, uma decisão política da época levou à descontinuidade do programa, enquanto a China continuou investindo e se tornou a potência atual.

Apesar do retrocesso, Silveira afirmou que o Brasil possui tecnologia e expertise em universidades e institutos para retomar o desenvolvimento do refino de terras raras, embora seja necessário reconstruir parte desse conhecimento devido à falta de transferência de expertise. Ele destacou que o principal gargalo do Brasil não está na lavra ou no processamento de minerais, mas sim no refino, na metalurgia e hidrometalurgia, ou seja, na agregação de valor na cadeia produtiva.

Para ilustrar um modelo de sucesso a ser copiado, Valdir Silveira citou o caso do nióbio, onde o Brasil domina toda a cadeia, desde a descoberta e lavra até o processamento e refino, controlando o mercado mundial. Ele enfatizou que o problema da transição energética e da alta performance energética não se restringe às terras raras, mas abrange uma cesta de minerais essenciais como cobre, alumínio, grafita, tungstênio e tântalo, ressaltando a necessidade de o Brasil investir na agregação de valor em toda essa cadeia.

Assista a entrevista abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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