11 de junho de 2026

TV GGN 20h: A vitoria de Biden e o Brasil

O ex-ministro Celso Amorim é entrevistado por Luis Nassif; acompanhe uma análise do impacto de uma vitória de Joe Biden sobre o Brasil

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O ex-ministro Celso Amorim é o entrevistado da TV GGN 20 horas desta quarta-feira (04/11), que avalia o impacto de uma vitória de Joe Biden sobre o Brasil. Veja mais na thread a seguir – https://youtu.be/0N2a7v3N7SI

O programa começa com a análise dos dados de covid-19, com queda na média semanal de casos mas uma leve alta nos óbitos registrados no Brasil, com destaque para a segunda onda de casos em Santa Catarina.

Sobre as eleições norte-americanas, constam 264 representantes para Biden, faltando a apuração de Geórgia, Carolina do Norte, Nevada e Pensilvânia. “O ponto interessante são os votos por correio, que Biden tem vantagem em todos os estados”

“Vemos um quadro de mudança nos Estados Unidos, a pior praga que apareceu na política americana, e na história da política americana que é o Trump, com todos os seus desdobramentos pelo mundo, desde o primeiro-ministro de Israel e o Bolsonaro”.

Nassif entrevista o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, onde o assunto abordado foi a eleição norte-americana e seu impacto sobre o Brasil.

Ao se confirmar a vitória de Biden, Amorim diz que muita coisa vai mudar em termos de organizações multilaterais. “Olha, muda muita coisa. O Trump foi um caso muito fora da curva dentro, inclusive, dos governantes norte-americanos”

“Todos eles sempre defenderam o interesse norte-americano, mas sempre dentro de um projeto global. O Trump é a negação disso tudo, a negação de valores aceitos internacionalmente pelos dois partidos nos EUA historicamente – não quero dizer que eles não tenham sido descumpridos ou violados em certas ocasiões (…)”

“Não tô dizendo que essas coisas não ocorram, mas não é a doutrina de que tem que ser tudo unilateral”, diz Amorim. “Para a América Latina, vai ter um impacto muito grande, os EUA continuam sendo e continuarão a ser por muito tempo a potência mais influente em grande parte do mundo”

“Eu acho que muda para todo mundo e, se você encarar esse fato ao mesmo tempo em que na América Latina – especificamente na América do Sul – ocorrem coisas em sucessão (citando Argentina, Bolívia e o plebiscito no Chile) eu acho que você tem uma mudança substancial”, diz Amorim.

Sobre o Itamaraty, Amorim diz que tudo vai precisar se adaptar de alguma maneira. “Não sei como que fica, como que vai ficar o Almagro – Luis Almagro, secretário-geral da OEA -, que de certa forma se tornou uma peça acessória do Conselho de Segurança Nacional norte-americano”

“A OEA sempre foi, com raras exceções, muito submissa aos desígnios norte-americanos, mas na maior parte do tempo era com uma certa elegância. Agora não, se tornou uma coisa escrachada”, diz Amorim

“Acho que, aqui no Brasil, a questão não é o Ernesto Araújo (…) Mas vem do presidente a orientação. Apenas o Ernesto Araújo, ao invés de moderar ou colocar panos quentes, ele acelera e agrava. Isso vai, de alguma maneira, vai ter de se ajeitar. E vai ser uma questão duplamente séria, em termos de valor e de políticas”

Sobre a disputa Estados Unidos/China, Amorim diz que essa disputa não é uma coisa trivial. “Acho que o espírito de cruzada que existe hoje, sobretudo dirigido pelo Mike Pompeo e também pelo Steve Bannon, do qual o Trump até usa oportunisticamente, o fato é que esse espírito de cruzada vai acabar”

A íntegra da entrevista de Luis Nassif com Celso Amorim pode ser vista aqui – https://www.youtube.com/watch?v=9qhvGGbyK

Para Amorim, Joe Biden vai ser uma espécie de Carter – continua a defesa dos interesses americanos, mas com interesse nos direitos humanos e proteção ambiental. “O relevante são as nuances que vem por aí”, explica Nassif

O que pode ser bom ou ruim com Biden? Para Nassif, Biden “traz um pouco mais de civilidade para a diplomacia internacional, traz o revigoramento das instituições multilaterais. Para ser o contraponto do Trump, ele vai ter que defender temas de direitos, não vai ter outro jogo”

Sobre a vacina da Fiocruz/Manguinhos, o sistema de aprovação pela Anvisa foi agilizado por meio de um sistema de aprovação dinâmica e, se tudo correr rápido, as vacinas começarão a ser produzidas no primeiro trimestre de 2021.

“E o Bolsonaro respondeu ao STF sobre a compra de vacinas contra a covid. Para Bolsonaro, somente o poder executivo – ou seja, ele – possui condições de definir quais vacinas poderão a seu tempo integrar uma possível campanha nacional de vacinação”

“Evidente que, se sair a vacina chinesa antes, evidente que o machão vai ceder. Mas é um primário, um primário”

Sobre o caso Mariana Ferrer, Nassif diz: “as explicações são terríveis. O advogado, com aquela truculência toda, diz que o vídeo foi editado. E o promotor diz que tudo não foi colocado. Então, é uma questão enrolada”

Nassif também apresenta um trecho da 72ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência), da qual foi um dos palestrantes.

Nassif ressalta que uma das maiores ameaças à democracia é a dispersão ampla da informação – “você não tem mais um organizador da discussão”

“As universidades tem uma produção intelectual que é um contraponto relevante ao discurso dominante da mídia (…) Isso pega na dispersão”.

“Você não tem uma articulação, uma estrutura que permita a você montar uma rede e trazer de forma sistemática os estudos que brotam das universidades”

“O modelo sindical entrou em parafuso, e as esquerdas em geral não abriram a porta para a rapazeada que conhecia profundamente as novas ferramentas de comunicação. Então, você teria que estabelecer modelos”

Nassif abre espaço para o comentarista Vinícius Amaral, que aborda o andamento da reforma administrativa. Segundo Amaral, o mês começa sem nenhum avanço na tramitação das leis orçamentárias.

“Nem mesmo a comissão mista de orçamento do Congresso foi instalada, em virtude das disputas políticas relacionadas à eleição para presidência das casas. Nesse cenário, é cada vez mais provável que o Orçamento de 2021 seja aprovado somente no ano que vem, provavelmente em fevereiro ou março”, diz Amaral

“Nesse cenário, é fundamental que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) seja aprovada ainda esse ano. Sem LDO, não haveria base legal para realizar nenhuma despesa em 2021 (…) ”

Sobre o projeto de lei orçamentária encaminhada pelo governo ao Congresso em 31 de agosto, Amaral ressalta que “ele não contém nenhum programa que virá substituir o atual auxílio emergencial (…) Ele só poderia ser pago após a aprovação do Orçamento de 2021”

“Com isso, há um grande risco que o ano de 2021 comece sem um programa mais abrangente de manutenção de renda das pessoas, o que pode ter graves implicações econômicas e sociais”, ressalta Amaral.

Amaral também destaca a falta de avanços sobre a fonte de financiamento do novo programa social do governo. “Todas as propostas que o governo apresentou até o momento foram rapidamente rejeitadas por serem condicionais ou ilógicas”

“Quando você pega o auxílio emergencial, ele foi importante para garantir que a economia não afundasse de vez, mas um ponto que foi importante também foi a manutenção da renda dos funcionários públicos”, diz Nassif

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Roberto São Paulo-SP 2010

    4 de novembro de 2020 9:20 pm

    Se não fosse a pandemia, Trump vencia de lavada. No início da pandemia pode ter vacilado pensando nos negócios, principalmente hotéis e campos de golfe, depois percebi o erro, mas preferiu não voltar atrás, já era tarde e apostou na retórica.
    De qualquer vai ter VAR
    Trump já pediu recontagem em Wiscoin, Michigan, e Pensilvânia, além de pedir anulação dos votos enviados pelo correio na suprema corte.

    1. Zé Sérgio

      5 de novembro de 2020 10:09 am

      Roberto: então fica escrachada que esta estória de pandemia foi usada com interesses políticos para tentar mudar a realidade das eleições norteamericanas, como está sendo usada com o mesmo objetivo aqui no Brasil. E dizem que é Trump que desce nos lugares mais baixos?

  2. Roberto São Paulo-SP 2010

    4 de novembro de 2020 10:18 pm

    No Brasil as atividade das milicias pesaram na decisão do enfrentamento da pandemia,

    Elas recebem percentual do faturamento do comércio, além disso com a redução da atividade comercial, diminui a circulação de cargas comerciais e caminhões, o que diminui a possibilidade de rouba de carga e de assaltos,

  3. Paulo F.

    4 de novembro de 2020 11:35 pm

    Nos EUA há uma grande certeza: que o maior perdedor para o que esta em curso ( Trump usar de seu jus esperniandi ) e a incapacidade dos Democratas em retornar às sua bases populares, é o EUA.
    Como foi dito neste artigo do NY Times
    “It will break at some point”.
    O artigo em questão esta em:
    https://www.nytimes.com/2020/11/04/opinion/trump-biden-election-2020.html
    e merece leitura.

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