5 de junho de 2026

TVGGN Justiça: ‘Gratificação Faroeste’ está de volta

Jaqueline Muniz diz que a violência policial atende a interesses eleitorais e serve de mecanismo de negociação com o crime organizado
Crédito: Reprodução/ TVGGN

A crescente autonomia das polícias militares estaduais representa uma das maiores ameaças à democracia brasileira. A avaliação é da antropóloga e cientista política Jaqueline Muniz, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista ao programa TVGGN Justiça.

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Segundo a pesquisadora, práticas recentes, como a chamada “premiação faroeste” – gratificações financeiras ligadas à neutralização de suspeitos – estimulam a letalidade policial e reforçam o uso político-partidário das corporações.

“Nessa versão do texto atual tem o eufemismo de gratificações volumosas por neutralização. Neutralização em termos práticos, táticos, quer dizer imobilização não apenas defensiva, de imobilização defensiva de um alvo recalcitrante ou resistente ao comando policial, mas é a licença para matar. Isso, agora vamos voltar lá atrás, olha o retrocesso, mas é um retrocesso pertinente do ponto de vista político eleitoral. Então a primeira coisa que a gente tem que dizer é que matança dá certo, dá voto”, afirmou.

Muniz argumenta que a violência policial não apenas atende a interesses eleitorais, mas também serve como mecanismo de negociação com o crime organizado. “O Rio de Janeiro, por exemplo, em que se governa com o crime, nos últimos anos, aqueles que fizeram a política do tiro, porrada e bomba ser chamada, tiveram êxito eleitoral”, explicou.

Ela denunciou ainda o “marketing do terror” e a “polícia ostentação” — operações de grande visibilidade que, segundo a antropóloga, não produzem efeito duradouro, mas funcionam como espetáculo político.

PMs mais fortes que o Exército

Outro ponto levantado por Muniz é o poder das polícias militares em comparação com as Forças Armadas. Por estarem em pronto-emprego e atuarem 24 horas por dia, as PMs podem responder de forma mais imediata a crises do que o Exército. “Se hoje formos brincar de tiro de guerrinha, entendeu, as PMs realmente ganham do exército, porque elas são pronto-emprego, o exército tem prontidão, tem que decretar guerra agora, o exército só vai para as ruas com capacidade de enfrentamento daqui uma semana, a PM já tá na rua, as pessoas não entendiam isso, né, então a premiação faroeste, ela é esse cheque em branco, que vai criando governos policiais autônomos, isso é muito grave”, afirmou.

Muniz lembrou experiências de tentativa de reforma da segurança pública no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1990, quando foram criados sistemas de metas, integração entre polícias, ouvidorias e mecanismos de controle interno. “Cancelamos a premiação por bravura, porque ela multiplicou a matança e depois, como eu mostro no artigo, os efeitos concretos dessa política. Isso gerou toda sorte de reação, em especial da banda podre, porque no Rio de Janeiro se é ou patrão, ou sócio, ou funcionário do crime.”

Exportação de modelos e ameaça nacional

A pesquisadora também alertou para a exportação do chamado “modelo carioca” de operações policiais, que estaria sendo reproduzido em outros estados, como São Paulo. Na avaliação dela, a incorporação desse padrão, que privilegia operações midiáticas em vez de trabalho de inteligência e patrulhamento contínuo, amplia a vulnerabilidade institucional e reforça alianças entre corporações policiais, crime organizado e setores da política de ultradireita.

“Nós temos de blindar as nossas polícias, que é patrimônio nosso, o poder de polícia é nosso, do uso político partidário dessas apropriações particularistas, que levam ao golpismo, porque chantageiam governantes, transformam governantes em biruta de postos de gasolina, em ventrílocos. Então nós derrubamos e recriamos mecanismos diretamente relacionados às naturezas dos trabalhos policiais, inteligência, investigação, patrulha, operações especiais, tudo isso”, concluiu.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Lênin and The Ulianovs

    28 de setembro de 2025 6:23 pm

    Jaqueline precisa se atualizar, desde sexta-feira, o governador resolveu vetar essa parte do texto, claro, por toda repercussão negativa.

  2. José de Almeida Bispo

    28 de setembro de 2025 8:26 pm

    A PM, como ela é atualmente no Brasil já é um absurdo em sua essência. É característico da PM ser uma força de choque. Bandido profissional não teme; e bandido mão de visgo evita, enquanto presente. Só nós civis, especialmente os tolos e otários é que crê que está seguro, com individuos uniformizados e portando pesadas armas. A polícia que resolve, porque investiga, prende, e de fato dissuade é a técnica. Que a alta sociedade não quer aumentada, porque mais cara e eficiente, inclusive contra seus – da elite – pares “honestos”. Enquanto isso, as PMs funcionam mesmo é como exercitos estaduais; nem sempre sob controle da Lei, e geralmente de mafiosos, fora ou dentro do aparelho de Estado. A PM é força indissociável do poder do Estado; mas complementar a Polícia técnica; e não em contrário. Até 1964, por exemplo, meu município, tinha mais comissários e delegados de quarteirão que policiais militares. Juntos, eram proporcionalmente superiores à quantidade de PCs e PMs de hoje. Nçao existia crime organizado.

  3. José de Almeida Bispo

    28 de setembro de 2025 8:27 pm

    A PM, como ela é atualmente no Brasil já é um absurdo em sua essência. É característico da PM ser uma força de choque. Bandido profissional não teme; e bandido mão de visgo evita, enquanto presente. Só nós civis, especialmente os tolos e otários é que crê que está seguro, com individuos uniformizados e portando pesadas armas. A polícia que resolve, porque investiga, prende, e de fato dissuade é a técnica. Que a alta sociedade não quer aumentada, porque mais cara e eficiente, inclusive contra seus – da elite – pares “honestos”. Enquanto isso, as PMs funcionam mesmo é como exercitos estaduais; nem sempre sob controle da Lei, e geralmente de mafiosos, fora ou dentro do aparelho de Estado. A PM é força indissociável do poder do Estado; mas complementar a Polícia técnica; e não em contrário. Até 1964, por exemplo, meu município, tinha mais comissários e delegados de quarteirão que policiais militares. Juntos, eram proporcionalmente superiores à quantidade de PCs e PMs de hoje. Nçao existia crime organizado.

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